quinta-feira, 5 de junho de 2008

Dia Mundial do Meio Ambiente, o Dia da Ecologia

A Organização das Nações Unidas (ONU) foi criada em 1945, tendo como tarefa a segurança mundial através dos direitos humanos, da paz e do desenvolvimento socioeconômico. Naquele período não se fazia nenhuma menção à ecologia. Somente em 1972, com o Clube de Roma, é que se trata mundialmente sobre a situação da Terra. E o balanço feito nesse encontro denunciou uma crise de sistema global do planeta e propôs uma “terapia de limites ao crescimento”. Neste mesmo ano a ONU também organizou um encontro mundial em Estocolmo, na Suécia, que pela primeira vez tratou oficialmente sobre o meio ambiente. Nesta ocasião foi instituído o dia 5 de junho como o Dia Mundial do Meio Ambiente, o Dia da Ecologia. E também foi criado o UNEP (PNUMA) Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Na conferência de Estocolmo se confirmou que o meio ambiente deve estar no centro das preocupações da humanidade, e que o futuro da Terra depende do desenvolvimento de valores e princípios que garantem o equilíbrio ecológico.

Dez anos depois, em 1982, foi publicado, como seqüência desse processo, a Carta Mundial para a Natureza. No ano de 1987, a Comissão Mundial para o Meio Ambiente e o desenvolvimento propôs a idéia do desenvolvimento sustentável. A comissão também sugeriu a Carta da Terra como um instrumento regulador das relações entre o meio ambiente e o desenvolvimento. O trabalho de redação deste documento foi sendo muito bem discutido em âmbito mundial até ser apresentado na Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro, em 1992 (Rio 92). Não havendo consenso, em seu lugar foi adotada a Declaração do Rio sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. Em 1995, no encontro de Haia, na Holanda, foi criada a Comissão da Carta da Terra para realizar uma ampla consulta mundial sobre o assunto. Em 1997 esta comissão foi ampliada, tendo em seu corpo a participação de 23 personalidades mundiais. E o teólogo brasileiro Leonardo Boff é um dos integrantes dessa equipe. Após um primeiro esboço do documento em 1997, no Fórum Rio+5, e um segundo esboço em 1999, o texto foi oficialmente reconhecido em março de 2000 e endossada pela ONU em 2002.

Olhando para nossa história recente, percebemos que nas últimas três décadas já ocorreram muitas conferências, com importantes declarações sobre o Meio Ambiente. Foram vários acordos, tratados, convenções, convênios, protocolos, resoluções, emendas, coerências e etc. Pessoas sérias e comprometidas procuram refletir e buscar soluções para a preservação da vida no Planeta. Mas, parece que a maioria das autoridades, pessoas que detém os poderes, não se empenham dignamente em prol da Ecologia. E as muitas declarações feitas, assumidas e assinadas por grandes autoridades também vão se degradando por causa da irresponsabilidade de quem poderia colocá-las em prática, mas se deixam condicionar por entraves estruturais e burocráticos e por políticas protecionistas.

Depois de tantas e importantes declarações sobre a questão ambiental, o que falta agora, é uma grande e verdadeira Declaração de amor à natureza, ao meio ambiente, à vida. Podemos dizer: uma declaração de amor pela Ecologia, assumida por toda a comunidade humana. Mas, este amor não pode ser declarado apenas nos discursos, nas cartas escritas, nos documentos assinados. O amor pela Ecologia, o amor ecológico, precisa ser declarado em fatos, acontecimentos, atos e gestos concretos que simbolizem um comprometimento real com a vida, com todas as formas de vida que sofrem ameaças. Tem que ser uma história de amor e não apenas um conjunto de declarações. O amor, por ser um sentimento sublime na pessoa humana, deve ir além da sentimentalidade e ser um valor moral e ético que rege as ações e o modo de viver.

Neste Dia Mundial da Ecologia, creio que as circunstâncias nos desafiam a resgatar o amor existente entre nós humanos e a natureza, resgatar nossa fraternidade universal. Como fez São Francisco de Assis em sua vida, o que expressa no Cântico das Criaturas. Precisamos nos reconciliar com a Vida. E para bem celebrar o Dia da Ecologia, também é importante lembrar os passos progressivos que a humanidade vem dando no rumo da sustentabilidade. Mas precisamos nos penitenciar pela lentidão desta caminhada, pela falta de vontade e interesse com que são tratados os problemas da humanidade e do planeta. O desenvolvimento ou o crescimento econômico não deve ser a questão de emergência. O emergencial hoje é ter alimento na mesa de todos, é promover a paz, os direitos da pessoa humana e o cuidado com a natureza. O emergente é a vida clamando por dignidade. E isto precisa ser celebrado neste Dia Mundial da Ecologia e ser vivenciado durante todos os outros dias.

Frei Pilato Pereira

3 comentários:

carlos roberto disse...

Parabéns, Frei Pilato!

Seu texto está muito bonito, escorreito e equilibrado. Também acho que se deve, mais do que declarar, fazer amor com a ecologia, com a vida.

Mas a sociedade precisa se mobilizar e pressionar, porque se dependermos dos políticos da atualidade o Planeta estará fadado à extinção.

Também postei um artigo hoje no blog da minha comunidade. Gostaria de saber sua opinião, que prá mim tem muito valor!!!

Um grande abraço...

carlos roberto disse...

Perdoe-me Frei Pilato. O link do meu blog é http://carlosrobertomeioambiente.blogspot.com/

Um grande abraço...

Vanildo Luiz Zugno disse...

Pilato! Parabéns pelo blog. Estou tentando montar um. Ainda não defini a identidade. Me autorizas a linkar o teu? Abraços ecológicos e analcólicos.

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