segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz Natal

Passou rápido e chegou o Natal, sem que pudesse dedicar um tempinho para escrever e postar uma mensagem aos leitores do blog Olhar Ecológico. Por isso, compartilho aqui o link de um texto mais antigo, que também serve para este tempo de Natal: 
Clique AQUI para ler: 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Dom Humberto... Lágrimas de compromisso com a Justiça e a Paz

Bispo Diocesano, Dom Orlando - Bispo Primaz, Dom Maurício
Dom Humberto
Por Pilato Pereira - blog Olhar Ecologico
Irmão Antônio Cechin também chorou quando relatou seu encontro com o ex-presidente Lula, em que pode dizer-lhe: “Feliz é o Brasil que tem um presidente que chora sobre os catadores, a mais humilde categoria dos que constroem a nação!”. Irmão Cechin se referia ao fato de o então presidente da República ter se emocionado a tal ponto de não conter as lágrimas ao se referir aos catadores e moradores de rua, durante uma entrevista de avaliação de seu governo em 2010.
Algo semelhante aconteceu na Catedral Nacional da Santíssima Trindade, em Porto Alegre, no dia 09 de dezembro, Segundo Domingo do Advento, Dia da Bíblia, com a Sagração Episcopal do Revendo Humberto Eugenio Maiztegui Gonçalves. Eleito pelo povo e pelo clero da Diocese Meridional da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Revendo Humberto, que é doutor em teologia bíblica, professor no SETEK e na ESTEF, foi sagrado bispo numa celebração muito animada, com forte presença ecumênica, de lideranças eclesiais da Igreja Anglicana e, sobretudo uma fervorosa participação do povo das diversas comunidades da sua Diocese.
Numa celebração como esta sempre tem os momentos de forte emoção, mas em duas situações, as lágrimas do novo bispo foram muito simbólicas. A meu ver, representaram a expressão mais intimida do seu fiel compromisso de amor a Deus e aos pobres. Ao motivar a comunidade para a saudação da paz, convidando para catar o refrão “Quando olho em você, eu vejo em você a Paz do Senhor”, o bispo Humberto chorou. E ao ouvir as palavras calmas do representante indígena, o jovem Guilherme Benitez (Verá Mirim), do Povo Mbyá Guarani, o novo bispo também não conteve as lágrimas.
Claro que tudo foi importante naquela celebração, todos os ritos, todas as falas, a pregação da Reverenda Carmem, da Diocese Anglicana da Amazônia, a valoração de comunidades historicamente excluídas (surdos, deficiência física, jovens, mulheres, índios...). Enfim, tudo foi muito importante e nos fez renovar a fé, o amor e a confiança em Deus e na comunidade. Mas, quero salientar o simbolismo que percebo nestes dois momentos relatados, em que o bispo eleito chorou: na saudação da paz e nas palavras do índio guarani.
Podemos parafrasear Irmão Antônio Cechin e dizer “feliz a Igreja que tem um bispo que chora com a saudação da paz e com as palavras de um índio”. Certamente, a paz não lhe representa apenas uma palavra, mas todo sonho e a luta pela justiça. Para o bispo que derramou suas lágrimas, a Paz do Senhor é sentida ao olhar, acolher e abraçar o próximo. E ao chorar diante das poucas e calmas palavras do índio guarani, certamente o bispo ouviu todo o clamor histórico expresso no silêncio deste povo sofrido. Na fala mansa do jovem guarani, o bispo ouviu o grito de Sepé Tiaraju que não queria morrer nem perder a terra que Deus havia dado a seu povo. E suas lágrimas expressam o que deve ser mais que um sentimento, o compromisso da Igreja para com os índios e todos os pobres, o anúncio da Boa Nova a toda a criação e o testemunho da fé no serviço em favor da justiça e da paz.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Vem aí a guerra do fim do mundo em Porto Alegre: Necrófilos X Biófilos


por Antonio Cechin

Nos últimos tempos,  a “mui leal e valerosa” capital dos pampas,  vive sob a síndrome da invasão de uma horda de “bárbaros”. O povo da rua, considerado pela classe dominante como pária da civilização urbana, ralé, escória da sociedade, foi chegando de mansinho, não raro descalço ou apenas de chinelinho de dedo, magro, esfarrapado, desgrenhado, doente , como um João-Ninguém e quejandos depreciativos, num trôpego pé ante pé, tirando proveito do anonimato normal de ser apenas mais um dentro da multidão, arrastando apenas , entre os braços erguidos rumo aos céus, grudados os seus dois membros superiores aos dois varais do seu tosco meio de transporte – sua cruz de todos os dias – sem nunca perder de vista o coração da cidade em seu horizonte.
Com a maior cara de pau – sempre no dizer das más línguas – por incompreensível descuido da sociedade civil, ele, sua majestade o catador, não pouco atormentado por uma sede atroz rumo ao pote, acabou por ocupar nada menos que o centro histórico da orgulhosa capital do gauchismo. E, cúmulo dos cúmulos, na base de peitaços, implantou até uma cidadela, fortificada por todos os lados, no exato lugar em que passou a adquirir o máximo de visibilidade para todo e qualquer viajante ou turista que entre ou saia da cidade. Acrescente-se a isso tudo a irreverência assumida de batizar seu conjunto habitacional com nome de santo: Vila Santa Teresinha. 
Como se quem é pobre, fraco e sobretudo mal amado, não se sentisse dado por natureza a invocar os céus quando da terra recebe exclusivamente sinais de desamor e desprezo. A ideia do nome de sua fortificação nasceu nas mentes dos vileiros  como  sinal de gratidão ao “pequeno resto de Israel” que os acolheu benignamente. Apenas algumas mulheres piedosas da igreja Santa Teresinha, o templo mais próximo da cidadela. Talvez até com desconhecimento total da vida da Santa, acertaram na mosca. O diminutivo que foi acrescentado ao nome de santa Teresa Martin, foi historicamente acrescentado para designar a espiritualidade por ela cultivada em vida: é a santa da infância espiritual, digna portanto dos lázaros metropolitanos, os últimos dentre os pequeninos da urbs. 
Como nada acontece por acaso, atrevemo-nos a dizer:  foi a fé que “remove montanhas” a que salvou esse Zé povinho, como aliás repetia sempre de novo Jesus de Nazaré, quando da realização de algum milagre: “foi a tua fé que te salvou!” E por que não acrescentar? Foi o próprio carinho do Deus Amor, que jamais abandona as criaturas humanas pequeninas e fracas, porém feitas à sua imagem e semelhança”.
Apesar da escolha do nome de Santa Teresinha do Menino Jesus, numa espécie de extensionismo  de si próprios em sua pequenez perante os homens, considerando-se pessoalmente e à sua categoria social, os diminutos e últimos dos mortais, mau grado isso tudo, a sociedade civil envolvente teima em continuar designando Vila dos Papeleiros o lugar em que residem os novos ocupantes. As classes dominantes descartam propositalmente o nome escolhido por unanimidade pelos últimos chegados ao centro, o povo da rua.                                                                     
Na experiência diuturna, o desprezo que sofrem por parte dos que se orgulham da cidadania, acontece de modo especial quando, quais autênticos animais de tração, se dispõem a cruzar sinaleiras com suas pesadas cargas. São assacados com buzinaços por trás. Não satisfeitos com o fuzuê, os almofadinhas, ao ladearem-nos com seus carrões marca primeiro mundo, de lambuja, ainda lhes atiram algum palavrão.                                        
Sob o pretexto de realização da Copa do Mundo em Porto Alegre, o vereador de partido conservador, no arrastão da chapa de eleição para prefeito, conseguiu emplacar as mordomias de vice-prefeito com zero votos, em data de 7 de outubro próximo passado. O vice-prefeito que teremos de suportar durante mais quatro anos, é ao mesmo tempo autor da famigerada Lei das carroças, que obriga o poder público a limpar a cidade da “poluição” dos carroceiros, dos carrinheiros e do povo da rua.  Em vez de limpar a cidade do lixo, terá a desfaçatez de limpar a cidade daqueles que, por vocação, como carroceiros, gratuitamente, trabalham para tirar deveras a cidade do lixo e, estes sim, de lambuja ainda prestam o maior serviço ao planeta despoluindo os mananciais porque mais limpos devido ao serviço prestado de impedir que o lixo continue a ser jogado dentro dos caminhos das águas que são os rios, arroios, lagos e mares.                                                                                                                               
O que se pode prever para os próximos quatro anos? Está decretada a operação final ou morte dos carroceiros, dos carrinheiros e povo da rua. A malsinada lei, por enquanto, é apenas um símbolo, sinalizando no presente o já processo avançado de substitutivos mais modernos à ultrapassada catação carroceira e carrinheira, marca século XIX.
Vai se consagrar na cidade, especialmente entre a classe dominante, a preocupação apenas estética face ao lixo. Querem-no o mais longe possível dos olhos, nem que seja embaixo dos tapetes. Se possível, despachá-lo para a lua ou qualquer outro planeta. É covardia demasiada!
Em atitude totalmente contrária, o povo da rua tem os olhos bem abertos para não dizer  escancarados para os resíduos sólidos como verdadeiro luxo em vez de lixo, pela preocupação que tem, dia e noite, com possíveis fontes de sobrevivência própria e da família. Mudaram até com sua desprezível catação a própria definição de lixo. Para eles, como profetas da ecologia e médicos do planeta que são, lixo é luxo, repleto de valores que os ricos desprezam. Devolvem às fábricas o que há de valor nos descartáveis dos ricos e ao mesmo tempo preservam os mananciais, símbolo por excelência da vida em plenitude.
Trava-se na cidade a guerra do fim do mundo já preconizada e anunciada na Rio+20: Biófilos contra necrófilos ou, mais simples, a guerra dos amantes da vida contra os amantes da morte.
O verdadeiro pavor que se estendeu pela cidade inteira e que redundou em lei radicalmente contra o povo da rua em geral, é em tudo semelhante ao terror que tomou conta dos cidadãos da Europa, face às hordas de bárbaros que as invadiram, no início da Idade Média, ano de 455 e seguintes. 
Naquela época, os povos circunvizinhos ao poderoso império romano já em decadência, foram rotulados de bárbaros, no sentido de selvagens, pelos moradores do império, em contraposição aos cidadãos civilizados que se consideravam eles, os de origem romana ou Greco-latina. Esses bárbaros arrivistas, em levas sucessivas, constituídas de Alanos, Anglos e Saxões, Francos, Lombardos, Burgúndios, Vândalos, Visigodos, Suevos e Ostrogodos, invadiram cidades e campos dos mais diferentes países e das mais diferentes etnias que faziam parte do continente.                 
Dentre os citados, os Hunos foram os mais violentos e ávidos por guerras e pilhagens. Eram nômades como nosso povo da rua hoje. Não tinham habitação fixa e viviam a percorrer campos e florestas. Eram excelentes criadores de cavalos. Como não construíam casas, viviam em suas carroças e às vezes também em barracas, que armavam nos caminhos que percorriam. A principal fonte de renda dos Hunos era a prática do saque aos povos “civilizados.” Quando chegavam numa região, espalhavam o medo, pois eram extremamente violentos e cruéis com os inimigos. O principal líder deste povo foi Átila, responsável por diversas conquistas em guerras e batalhas. Pela Europa Católica, Átila recebeu o apelido de “flagelo de Deus” que com esse cognome ficou imortalizado na história universal.
No julgar da classe burguesa da Porto Alegre de hoje, foi atrevimento demasiado, o fato dessa miserabilidade  toda surgida não se sabe donde, mais esfarrapada do que os históricos farrapos do farroupilhismo, a ponto de o próprio Marx, grande analista social, com sumo desprezo, rotular  essa categoria social como  lumpen proletariat, caracterizando-os como imprestáveis para qualquer mudança ou revolução. Serve apenas para ser jogado fora como imprestável para qualquer coisa, uma inutilidade total. Tratar-se-ia de seres humanos funcionando  como simples “combustível da sociedade consumista.”  
Alto lá, orgulhosos cidadãos de Porto Alegre!... Devagar com o andor dessa empáfia!... Na outra ponta, a dos fracos e últimos periga se esconder a base de um autêntico humanismo.
“Os princípios do humanismo cristão proclamam que “em casos de extrema necessidade todas as coisas são comuns” (in extrema necessitate omnia sunt communia). Porque “a distribuição e apropriação das coisas que derivam do direito humano, não podem impedir que estas coisas socorram as necessidades dos homens. Por isso, todo aquele que tem demais, deve aos pobres para seu sustento. E se a necessidade de alguém é tão grave e tão urgente que é preciso socorrê-la com a primeira coisa que se tem na mão..., então, qualquer um pode aliviar a sua necessidade com os bens dos demais, tanto retirando isso publicamente, como secretamente; e esta ação não se reveste com o caráter de roubo, nem de furto”. Estas palavras não são de algum prefeito, nem do inominável Karl Marx. Elas são de Santo Tomás de Aquino, um dos pilares do humanismo cristão e que viveu em plena era medieval, e que podem ser encontradas na Summa Theologica”.
Imaginem só: O maior filósofo-teólogo-santo da Madre Igreja, colocando em mãos do povo da rua a estratégia e a tática consolidada durante toda a história universal de ocupação da terra ordenada pelo próprio Deus Criador. Ocupação pacífica de todo e qualquer lugar que se faça necessário à sobrevivência, quanto mais quando a “invasão” é de algum terreno baldio, de alguma ruína, de algum túnel desativado, os ditos elefantes brancos do meio urbano, como os catadores desde que começaram a existir, sempre fizeram O Nazareno dedicou-lhes uma das oito bem-aventuranças quando proclamou, no sermão da montanha “bem-aventurados os mansos porque possuirão a Terra”. O direito do pobre, estabelecido por Deus desde sempre é o da posse da terra. O direito de propriedade é fabricado pelos ricos a fim de amealhar riquezas  e sempre mais riquezas.

Antonio Cechin é irmão marista, fundador da Pastoral da Ecologia, militante dos movimentos sociais, autor do livro Empoderamento Popular. Uma pedagogia de libertação. Porto Alegre: Estef, 2010.
O artigo foi publicado no site do IHU Unisinos, edição de 05/11/12.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Ecoprofetas mobiliza catadores para o Seminário Metropolitano sobre Políticas e Práticas da Gestão de Resíduos Sólidos


A Associação Caminho das Águas, coordenada por Irmão Antônio Cechin, através do Projeto Caminho das Águas – Ecoprofetas, patrocinado pelo Programa PETROBRAS Desenvolvimento & Cidadania está mobilizando catadores para o Seminário Metropolitano sobre Políticas e Práticas da Gestão de Resíduos Sólidos, que acontecerá dia 8 no Unilasalle, em Canoas. O Seminário, promovido pela Fundação La Salle e Tecnosocial do Unilasalle, contará com a participação de catadores de diversas cooperativas e associações e a parceria do projeto Ecoprofetas para mobilizar os trabalhadores dos seus 14 coletivos da região metropolitana de Porto Alegre e Vale do Sinos. 
*Certificado com validade de atividade de extensão, emitido pelo Unilasalle.

Público alvo: Profissionais de organizações públicas ou privadas, entidades sociais, profissionais da área, professores, estudantes e comunidade.
Data: 08 de novembro de 2012
Horário: 09h às 20h
Local: Auditório Arsênio Both do Unilasalle, na Av. Victor Barreto, 2288 - Centro de Canoas, ao lado da Estação Canoas/La Salle do Trensurb. Fone: (51) 3476.8500

Clique AQUI para obter mais informações e fazer a inscrição 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Semana da Paz 2012 no “Espirito de Assis”


Em Favor da Paz! Contra Mercantilização da Vida
Em 27 de outubro de 1986, 130 responsáveis das principais religiões do mundo se encontraram em Assis/Itália para rezar pela paz e proclamar que a religião nunca deve se tonar motivo de conflito, ódio e violência.
Desde esse dia, a cidade onde nasceu Francisco de Assis, tornou-se para todo o mundo e para todas as religiões um apelo à verdadeira Paz. Bem expressados nas palavras de João Paulo II: “Continuemos a difundir a mensagem da Paz. Continuemos a viver o espirito de Assis”.
Em compromisso com esse “Espirito Profético de Assis” franciscanos e franciscanas procuram atualizar essa proposta de Paz nos dias de hoje nos lugares onde se encontram.
Por isso, convidamos a quem se sente parte da Família Franciscana ou se considera simpatizante do ideal de Francisco de Assis e Clara de Assis a promover ações/ atividades que nos remetam a Justiça Ambiental, em ocasião do dia 27 de Outubro.
O tema da Semana da Paz 2012: Em Favor da Paz! Contra Mercantilização da Vida
Continuando o compromisso que firmamos na Rio+20 com os Franciscan@s do mundo presentes na Conferencia, seguimos com o tema Justiça Ambiental na ocasião da memoria do “Espirito de Assis”
Direitos básicos como saúde, educação, cultura, moradia entre outros, há tempos já não são mais direitos e sim mercadorias. Ter acesso a esses serviços com alguma qualidade significa ter que pagar. O que acaba excluindo grande parte da população.
Nessa semana da Paz queremos chamar a atenção a outros bens, que por direito são públicos, mas que, também já começam a se tornar mercadorias.
Queremos vivenciar uma ação comum e sintonizada, em Favor da Paz e contra todo o processo que mercantiliza a vida no planeta. Convidamos que você, na sua localidade realize alguma ação para lembrar o “Espírito de Assis” e dar visibilidade ao nosso compromisso francisclariano pela construção da fraternidade universal.
Leia mais nos sites do Sinfrajue e Sefras

domingo, 14 de outubro de 2012

19ª Romaria das Águas celebra a dignidade dos catadores


Com a presença de centenas de pessoas reunidas na Usina do Gasômetro, nas margens do Guaíba em Porto Alegre, na tarde do dia 12 de outubro, Irmão Antônio Cechin desembarcou com a imagem de Nossa Senhora Aparecida das Águas, acompanhado de moradores das Ilhas e da Vila Santa Terezinha (dos Papeleiros). Nesta edição a Romaria teve um diferencial que foi uma atividade da Pastoral da Ecologia na Vila Santa Terezinha, conhecida como Vila do Papeleiros, onde residem trabalhadores da reciclagem, catadores que trabalham, alguns em coletivos e individualmente catando resíduos nas ruas de Porto Alegre. 

O fundador da Romaria e da Pastoral da Ecologia e mentor e organizador da Romaria das Águas, Irmão Cechin, sempre costuma dizer que Nossa Senhora Aparecida é a padroeira dos catadores, ela que fez a opção de vir ao encontro dos últimos, e por isso queria fazer da Romaria a celebração do Dia do(a) Catador (a). Neste ano, a 19ª Romara das Águas teve a sua programação normal nas Ilhas e teve também um momento celebrativo na Vila dos Papeleiros, de onde vários catadores partiram em procissão e ingressaram no barco que transportava a imagem da Padroeira.
Irmão Antônio Cechin fez referência ao fato da aparição de Nossa Senhora em Aparecida do Norte, no ano de 1717, quando foi encontrada pelos pescadores e em Porto Alegre a imagem foi encontrada no lixo, num galpão de catadores. "É a mesma mãe Maria que vem quebrada, ao encontro dos últimos. Em 1717, foi em Aparecida do Norte, vem para resgatar a dignidade dos negros e aqui em Porto Alegre, vem ao encontro dos Catadores, resgatar novamente a dignidade de seus filhos e filhas".

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

19º Romaria das Águas


19ª Romaria das Águas acontece nesta sexta-feira, dia 12, em Porto Alegre.
Pela manhã as atividades culturais e religiosas acontecem na comunidade das Ilhas e na Vila dos Papeleiros.
No início da tarde chega no Gasômetro a procissão fluvial com a imagem da Nossa Senhora Aparecida das Águas, onde acontece apresentações artísticas e uma celebração interreligiosa.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Ivo Fiorotti: educador, religioso, militante social.


Por Pilato Pereira*
Na década de 80, Canoas conheceu o Frei Ivo, um frade capuchinho com a simplicidade de São Francisco de Assis, um religioso muito dedicado aos mais pobres, comprometido com a organização do povo nas lutas por moradia, emprego, melhores salários e vida digna. Ivo Fiorotti sempre foi uma pessoa convicta de seu dever histórico e após um período dedicado a vocação religiosa, ao conhecer Ivonete (a Diva), decidiu formar uma família. E juntos, Diva e Ivo, passaram a se dedicar ao trabalho religioso e social. A família Fiorotti, desde o início, foi acolhida pelo povo da Vila União dos Operários, onde muito contribuíram, dando exemplo e testemunho de solidariedade. Todos que conhecem o Ivo sabem que ele é uma pessoa com o dom de dar segurança aos companheiros e companheiras, seja na Igreja, na Associação de Moradores, na Horta Comunitária e na militância política partidária. Com posições equilibras e opiniões sábias, Ivo Fiorotti ajudou o movimento comunitário a se organizar e se fortalecer e sempre foi e continua sendo um líder fundamental na construção do Partido dos Trabalhadores. Nas pastorais sociais, nas comunidades eclesiais de base e nos movimentos populares, o Ivo é uma pessoa que, continuamente, ajuda a refletir e a atualizar a vivência prática do Evangelho de Jesus Cristo.
Assessor parlamentar, professor, gestor público no governo do Estado e vereador, Ivo Fiorotti sempre teve tempo para a família, para a comunidade, aos amigos e vizinhos e para a militância no PT e no movimento comunitário. Muito solícito e atencioso com as pessoas, o Ivo sempre foi procurado para um conselho, uma ideia, a solução de um problema, algumas palavras amigas ou uma boa análise de conjuntura. Enfim, um ser humano extraordinário, com a capacidade de ajudar as pessoas a serem mais humanas e se sentirem com mais dignidade. 
Em 2008 Ivo Fiorotti foi eleito vereador e, após a eleição, reuniu as pessoas que o apoiaram e, de forma participativa, decidiram a missão e as diretrizes do seu mandato, expressas no lema: “Servir a Pessoas e Fortalecer as Organizações Sociais”. O mandato do vereador Ivo Fiorotti procura cotidianamente atender as demandas através das políticas públicas com eficiência e eficácia. É um vereador que estimula o controle social com fiscalização e participação popular. Sua prática é mostrar o caminho para que o cidadão não fique dependente e seja protagonista na conquista de seus direitos. Fiorotti, desde o início, colocou o seu mandato a serviço das pessoas e do fortalecimento das organizações e movimentos populares.
Muito consciente do papel do vereador, Ivo Fiorotti vem trabalhando firme na formulação e proposição de projetos e leis de inclusão. É o autor de 14 leis e 2 decretos legislativos. Entre as diversas leis que apresentou e foram sancionadas pelo prefeito Jairo, se destacam o Programa de Destino de Resíduos Sólidos, a criação do Selo Amigo do Reciclador, a obrigatoriedade na separação do lixo seco e do lixo orgânico, a lei das calçadas ecológicas, o Dia Municipal do Bem-Estar Animal, a Semana da Música, o Dia dos Surdos. E além destes temas importantes, o vereador também foi o autor de diversas leis que denominam logradouros públicos, garantindo endereço e CEP para milhares de famílias. E para fortalecer o movimento comunitário e valorizar suas lideranças, Ivo Fiorotti, através de dois decretos legislativos, criou o “Prêmio Líder Comunitário Clésio Aires de Oliveira”. Por tudo isso, podemos dizer que Ivo Fiorotti cumpre realmente seu papel no Poder Legislativo, é um vereador de verdade. Fiorotti também se destacou como líder do governo Jairo Jorge, solidificando na Câmara de Vereadores uma base parlamentar que deu a necessária sustentação para que o prefeito Jairo Jorge pudesse implementar uma gestão pública que vem mudando a cidade de Canoas. E por todo o apoio e incentivo que deu as associações, escolas, entidades e organizações sociais nas mobilizações para o Orçamento Participativo, Fiorotti é reconhecido como o vereador da participação popular. 
Por isso, votar em Ivo Fiorotti 13114 é votar num vereador de verdade. Um vereador que cumpre seu papel no Legislativo, onde trabalha com a marca de sua trajetória como religioso, educador, militante e reformador social.

*Pilato Pereira é Mestre em Teologia pela PUCRS e autor do livro "O Irmão dos Pobres: Antônio Cechin, uma biografia". Porto Alegre: ESTEF, 2009. 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Eleição é tempo de escolha.


Colher o trigo é o mesmo que recolher a boa semente que está predominante livre do joio. Mas quando se usa o verbo escolher, em vez de colher, significa fazer a colheita do trigo em meio ao joio. Trata-se de uma colheita custosa e difícil, que deve ser feita com muito zelo e cuidado para que a boa semente seja preservada para seguir seu ciclo produzindo bons frutos para a vida. Assim é a eleição, um ato de escolha, em que vamos aos trigais, não para querer fazer o que já não nos cabe mais, que é separar o joio do trigo, mas para escolher a boa e límpida semente de trigo. Como cristão, levo à sério o que Jesus disse, que não nos cabe separar o joio do trigo. Pois, não podemos interditar a vida do joio, mas na hora da colheita, sim, é preciso joeirar, ou seja, peneirar, escolher o trigo e deixar subjazer o joio. A urna é a peneira e até ela podem chegar sementes de joio e de trigo. O eleitor, por sua vez, com a urna em mãos, entre centenas de possibilidades, fará uma escolha que julga ser a melhor.
O ato de votar no dia da eleição é a confirmação de uma escolha, de uma decisão, que para qual deveria pesar na balança o passado, o presente e o futuro. O eleitor precisa conhecer a história de seu candidato ou candidata e ver se hoje ele ou ela continua coerente com suas convicções e se soube caminhar pra frente, evoluindo na maneira de pensar e agir. É importante relacionar o passado e o presente do (a) candidato (a), bem como o que ele ou ela representa para o futuro da sociedade. Penso também que o eleitor precisa relacionar sua própria história e sua realidade com as do (a) candidato (a) e procurar ver onde os seus sonhos se encontram com os do candidato ou da candidata que quer ajudar a eleger.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Ecoprofetas entrega equipamento que melhora o trabalho em Cooperativa de Catadores de Canoas


Na tarde desta segunda-feira, 24, a Associação Caminho das Águas, através do projeto Caminho das Águas – Ecoprofetas, patrocinado pela Petrobras, realizou a entrega de uma esteira para o coletivo de catadores Cooperativa Renascer, no bairro Guajuviras, em Canoas. Na solenidade a Associação Caminho das Águas esteve representada pelo seu coordenador geral, Irmão Antônio Cechin, Vilson, Pilato e os educadores Roque e Odete que acompanham o coletivo. Também estiveram presentes representantes da Tecnosocial Unilasalle e da Prefeitura Municipal de Canoas, através da Secretaria de Meio Ambiente.
Roque Spis coordenou o ato solene e na abertura explicou como se deu o processo para a participação do coletivo no projeto. A Associação Caminho das Águas consultou todos os coletivos sobre suas principais demandas e a Cooperativa Renascer indicou como prioridade a aquisição de balança, esteira e EPIs, bem como o acompanhamento de educadores para a formação interna e a questão da segurança alimentar. Roque colocou que o coletivo foi desafiado a melhorar as condições de trabalho. A educadora Odete Spis, que trabalha a formação no coletivo, compartilhou que a vinda da esteira representa um grande desafio para a cooperativa, “é o desafio de trabalhar num modo diferente”, disse.
Lourdes, representando a Tecnosocial Unilasalle falou de sua satisfação com o evento e com o trabalho de parceria com o Ecoprofetas. “É uma satisfação para a gente estar nessa parceria que muito contribui com a melhoria do trabalho dos catadores”, afirmou.
Eugênio Ávila, diretor de Resíduos e Coleta Seletiva da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Canoas, disse que “a Prefeitura só tem a agradecer esta parceria com o Irmão Antônio Cechin, a Associação Caminho das Águas. Uma parceria que nos ajuda em nosso objetivo de ampliar a coleta seletiva na cidade”. Destacou também que Canoas foi pioneira na implementação da Política de Resíduos Sólidos, onde as cooperativas de catadores são protagonistas na Coleta Seletiva.
Fernando, um dos coordenadores da Cooperativa Renascer, agradeceu Irmão Antônio Cechin, o projeto Caminho das Águas pela parceria e pela presença dos educadores que acompanham o coletivo. Micheli, que faz parte da cooperativa, destacou que “foi a presença dos educadores do Ecoprofetas e a possibilidade da vinda da esteira que melhorou a nossa realidade. É muito mais que uma esteira e uma balança, é um impulso na nossa vida e na organização”, salientou Micheli. O senhor Adair, um dos cooperados, disse que está há muitos anos nesta organização e agora começou a ver melhoras. É importante que “junto com os equipamentos tem a parte educativa”.
Irmão Antônio Cechin, coordenador geral do Ecoprofetas, se emocionou ao falar e disse “imaginem a minha emoção em ver vocês recebendo este equipamento para facilitar o trabalho e melhorar a renda e, consequentemente, a vida das famílias”. Cechin parafraseou o Evangelho onde Jesus disse: “Foi tua fé que te salvou”, dizendo que, “no caso dos catadores é a fé como teimosia, a fé na transformação que o ser humano é capaz de fazer”. Observou que os catadores são teimosos e lutam com perseverança por seus objetivos e demandas.
Irmão Antônio salientou que “os catadores são os verdadeiros profetas da ecologia, que denunciam o consumismo e anunciam a era da ecologia e são vocacionados para salvar a vida do Planeta”. Cechin também avaliou que Canoas tem a melhor legislação de reciclagem que conhece e destacou o empenho do governo do prefeito Jairo Jorge. Irmão também fez alguns destaques da caminhada das Comunidades Eclesiais de Base no Rio Grande do Sul, como, por exemplo, a organização dos catadores que se iniciou em Canoas e nas Ilhas do Guaíba em Porto Alegre.
Após a solenidade, os recicladores inauguraram a esteira com muita animação. E para festejar o momento importante na vida deles, a Cooperativa brindou os participantes do evento com um gostoso coquetel. E no restante da tarde, sob a coordenação dos educadores do Ecoprofetas, Roque e Odete, os trabalhadores realizaram um treinamento do novo modo de fazer a triagem, com a esteira.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O Dia da Árvore e o Cio da Terra

A data considerada como o Dia Mundial da Árvore ou o Dia Mundial da Floresta é 21 de março. Mas os Estados Unidos decidiram adotar o 22 de abril como o Dia da Árvore. E muitos países têm adotado uma dessas duas datas. O Brasil, porém, foi um dos poucos países que não seguiu o exemplo dos EUA e também não adotou a data mundial que é 21de março. Nós brasileiros celebramos oficialmente o Dia da Árvore em 21 de setembro. E existe uma explicação lógica e muito bela para esta decisão.

Os povos indígenas brasileiros, em geral, sempre cultuaram as árvores na época das chuvas ou quando se preparava a terra para semear. Então se adotou a data que marca a entrada da Primavera. Algo que nos chama a atenção é o fato de que, por razões climáticas, o Norte e o Nordeste do Brasil cultuam a árvore na última semana de março, no período referente ao início das chuvas naquela região, e não como acontece no restante do país.

No Brasil, a celebração da árvore está intimamente relacionada com a vida da natureza e das pessoas que vivem num determinado lugar. Para quem vive na região sul do Brasil, a data em que é celebrado o Dia da Árvore, 21 de setembro, tem a ver com o período em que as terras estão sendo cultivadas ou já semeadas e as sementes estão germinando, crescendo, virando planta e as arvores voltando a florir novamente. Celebramos a árvore no período em que a semente, por causa do cio da terra, começa a virar planta e as plantas revelam sua beleza através das flores.

No Dia da Árvore celebramos a natureza, a vida se renovando, evidenciando a beleza que silenciosamente alimentou durante o inverno - tempo de seu recolhimento. O mês de julho é propício para o plantio de mudas de arvores, mas podemos ir plantando ainda em agosto ou até mesmo em setembro, para não deixar de plantar. Quando chegar o Dia da Árvore é bom que as mudas que plantamos em julho ou agosto já estejam firmes, em boa sintonia com a terra e todo o ambiente, se enraizando e prontas para começar a crescer com o calor da Primavera.

Plantar uma árvore é um sinal de amor à vida e um ato de compromisso ético com as gerações futuras. Mas, é preciso conhecer a natureza e saber quais são as árvores específicas do bioma, do ecossistema onde vivemos. Não basta apenas plantar árvores, é preciso plantar o tipo árvores que convivam em harmonia com o ambiente, ou seja, árvores nativas. Uma árvore fora do seu habitat natural, que é chamada de planta exótica, pode não vingar ou sofrer muito e não se desenvolver no seu vigor original, além de atrapalhar as plantas nativas.

E quando as árvores são plantadas em grandes extensões, em forma de monoculturas, elas podem afetar a vida do habitat onde foram plantadas. Sobre as monoculturas de eucaliptos, por exemplo, já se tem experiências de que provocam desequilíbrio ambiental e afetam fortemente a normalidade do ambiente, prejudicam as outras formas de vida do local onde são plantadas. Plantar poucas mudas de eucalipto, acácia ou qualquer outra árvore exótica, às vezes para o consumo local, não causa tantos problemas ambientais. Mas, quando o plantio é realizado em grandes extensões de terra, isto se torna extremamente perigoso. Mesmo quando se planta poucas árvores, é preciso ter o cuidado de que elas não sejam predominantes e capazes de agredir a biodiversidade nativa do lugar.

Plantar árvores é bom, é saudável para a vida. Além do seu valor em si, uma árvore traz muitos benefícios para a vida das pessoas e de toda a natureza. Sabemos da grande importância das árvores para o funcionamento normal da vida no planeta. Não podemos viver sem árvores, mas não basta simplesmente plantar árvores, pois nem todo verde é ecologicamente correto. Precisamos plantar e cuidar das nossas árvores nativas. E quem ainda não plantou uma árvore nativa neste ano, pode aproveitar o Dia da Árvore e plantar pelo menos uma.

Normalmente, quem planta uma árvore, não é o seu principal beneficiário. Mas, quem foi que plantou tantos milhões de árvores que hoje garantem nossa vida, nossa respiração? Certamente não foram nossas próprias mãos que plantaram as florestas e as plantas todas que permitem a vida ao nosso redor. A mão de Deus, a natureza e outras pessoas foram solidárias conosco. Portanto, sejamos solidários com quem ainda não nasceu e precisará encontrar um planeta com árvores, flores, frutos, água e todos os recursos que sustentam a vida. Herdamos um mundo onde é possível respirar. E o que deixaremos para as futuras gerações?

Plante a continuidade da vida, plante uma árvore nativa.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Tempo para a Criação


Todos os anos o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) trabalha uma campanha ecumênica chamada “Tempo para a Criação” que inicia no dia 1º de setembro por ser o primeiro dia do ano do calendário eclesiástico da Igreja Ortodoxa, estendendo-se até 4 de outubro, que é a Festa de São Francisco de Assis, na tradição católica romana e anglicana, e por ser um santo universal, admirado por diversas denominações e manifestações religiosas no mundo inteiro.
São Francisco de Assis é a referência nesta campanha ecumênica, que é um tempo de oração, reflexão sobre o cuidado e o uso justo dos dons da natureza que recebemos de Deus, e assim, renovar o compromisso ecológico. O Tempo para a Criação faz parte das iniciativas  do programa da justiça climática do CMI através do qual, igrejas, organizações ecumênicas e redes religiosas enfatizam o aspecto ético e espiritual do debate sobre questões ambientais.
Para Dom Rowan Williams, primaz da Igreja Anglicana, arcebispo de Cantuária o Tempo para a Criação é um momento oportuno de oração e ações para concretizar a união das igrejas em defesa da vida, anunciando a boa nova para toda a criação de Deus. É a hora de “pedirmos a Deus para nos revigorar, nos unir e nos inspirar em torno dessa visão de uma boa nova universal”. O Tempo para a Criação é uma forma de resgatar o valor e a dignidade de toda a criação e de promover a conscientização de que ela também espera ansiosa pela libertação prometida ao gênero humano. 
Quando a comunidade humana é curada do seu pecado e do seu medo, do egoísmo, da ganância e da ansiedade, isso se expressa na natureza. Pois, "o propósito de Deus para toda a Criação é a glória para tudo o que foi criado. A própria Criação será liberta da escravidão da corrupção e obterá a liberdade da glória dos filhos de Deus", afirma Williams.
Além de um evento adicionado ao calendário litúrgico das igrejas cristãs, o Tempo para a Criação é o contínuo despertar para a mudança, é a conversão ecológica, onde o ser humano, numa visão holística, compreende seu lugar na criação. Tudo é criatura de Deus, que muito ama todas as formas de vida que criou. Esta é a oportunidade em que os cristãos podem encorajar uns aos outros e a toda a humanidade quanto aos fenômenos das mudanças climáticas. E como cristãos, não devemos promover o pânico, que nada muda. Podemos, sim, contribuir com a mudança, partilhando boas novas, anunciando que haverá vida para toda a Criação. É, portanto, um tempo de resgatar a esperança e, num clima de conversão, reafirmar o compromisso ético de mudanças nas atitudes humanas para deter a injustiça climática.
O Tempo para a Criação, mais do que uma atividade das igrejas cristãs, é uma porta que se abre para que os cristãos se unam com outras religiões numa mesma roda de dialogo em busca de soluções eficientes e eficazes no cuidado da criação. É também uma oportunidade para que diferentes religiões orem de mãos dadas no mesmo santuário da vida, como fez São Francisco de Assis, e que deixou registrado no Cântico das Criaturas.
O  Tempo para a Criação provoca para o debate sobre a Terra e toda sua biodiversidade. Ajuda as pessoas a compreenderem o sentido da humanidade  como uma comunidade de vida onde todos são responsáveis por todos e por tudo. É o despertar para um olhar ecológico e holístico, com a compreensão de que somos a comunidade Terra. Nosso Planeta é uma comunidade de vida e os seres humanos precisam compreender seu lugar em meio a toda a biodiversidade existente na Terra. Ou seja, com o Tempo para a Criação quer fazer o ser humano deixar a natureza ser ela mesma e assumir uma postura fraternal e amorosa frente a todas as formas de vida. É o momento para o despertar da ciência de que somos parte da Terra e que estamos o tempo todo interferindo positiva ou negativamente na vida do planeta. E com o Tempo para a Criação podemos influenciar na harmonia da vida.
O CMI declara que “a Terra e seus habitantes não podem esperar mais”.  Por isso conclama as igrejas membro e todo o movimento ecumênico, bem como, as outras religiões para “continuar orando e falando, expressando o grito dos pobres e da Terra nestes momentos cruciais”. O Tempo para a Criação é uma ótima oportunidade para unir igrejas e religiões em defesa da vida que é obra das mãos de Deus. Quiçá aos poucos, com nossas Igrejas, religiões e comunidades, assumamos esta campanha como um tempo de oração, reflexão sobre o cuidado e o uso justo dos dons da natureza que recebemos de Deus, e assim, renovemos em comunhão de fé o compromisso com a defesa da justiça e da paz com a criação.
Pilato Pereira - mestre em Teologia pela PUCRS, com pesquisa sobre Ecologia e Ecumenismo. 

Seminário com catadores aborda Cooperativismo e Cadeia Solidária do PET


A Associação Caminho das Águas, coordenada por Irmão Antônio Cechin, realiza neste sábado (25/8) no auditório do Círculo Operário Leopoldense (COL), em São Leopoldo, o seminário Cooperativismo e Cadeia Solidária Binacional do PET. O encontro inicia às 9h e contará com a participação de catadores de materiais recicláveis e educadores sociais populares dos 14 coletivos de catadores da Região Metropolitana de Porto Alegre que integram o projeto Caminho das Águas - Ecoprofetas, idealizado pela associação e patrocinado pelo Programa PETROBRAS Desenvolvimento & Cidadania.
Durante o seminário serão apresentados aspectos gerais sobre a Lei do Cooperativismo(nº 5764/71) e suas alterações através da Lei 12.690/12, relacionados com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS - Lei 12.305/10). Também será analisada a participação dos coletivos de catadores na Cadeia Solidária Binacional do PET.
O encontro, que encerra às 16h, contará também com apresentações culturais e processos de sensibilização.
Informações: (51)3061.1113 - ecoprofetaspedagogico@gmail.com
www.ecoprofetas.org.br - ecoprofetas-rs.blogspot.com.br

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Um exemplo de político ecologicamente correto


Muitos políticos e candidatos julgam ser politicamente correto falar de ecologia, mas as suas práticas e ações políticas são ecologicamente incorretas. No entanto, esta não é uma regra geral. Pois, existem políticos que agem politicamente pela sustentabilidade do Planeta, que trabalham ecologicamente na politica. São poucos, mas eles existem e podemos apresentar exemplos. Quem leu o blog do vereador Ivo Fiorotti de Canoas, pode constatar que o parlamentar, além do trabalho cotidiano em apoio a causa da ecologia,  também apresentou e conseguiu aprovar na Câmara Vereadores diversas leis ambientais. Confira a reportagem que segue:

Nas últimas eleições nenhum candidato ou candidata tem deixado de fora de seus discursos as palavras "ecologia, sustentabilidade e meio ambiente". Mas, o vereador Ivo Fiorotti vai além do discurso e neste seu primeiro mandato em Canoas, realmente, legislou pela sustentabilidade do Planeta.  Para o vereador Ivo Fiorotti, ecologia, sustentabilidade e meio ambiente, não são apenas palavras, são princípios de vida e ações concretas do seu dia-a-dia. Como recorda o coordenador da Pastoral da Ecologia do Rio Grande do Sul, Frei José Deon, "como líder comunitário, o Ivo ajudou o Irmão Antônio Cechin na organização da reciclagem, que tornou-se política pública. E hoje como vereador, ele criou importantes leis ambientais para Canoas". Sabemos que a preocupação com a vida do Planeta também perpassa pela cidade onde vivemos, por isso, o vereado Ivo Fiorotti propôs leis ambientais que garantem a cidadania ecológica. Veja alguns exemplos de leis de autoria de Fiorotti:
Lei Nº 5390, de 17 de Junho de 2009 criou, no Município de Canoas, o Programa de Destino de Resíduos Sólidos voltado aos estabelecimentos que necessitem de licenciamento ambiental para o seu funcionamento. A Mesma lei também possibilita ao Poder Público a criação do "Selo Amigo do Reciclador" para incentivar a boa conduta dos geradores de resíduos sólidos.
Lei Nº 5451, de 4 de dezembro de 2009, estabelece a obrigatoriedade na separação do lixo seco e do lixo orgânico em Canoas. Além da sua dimensão ecológica, ajudando na sustentabilidade do Planeta, esta lei também beneficia as pessoas que trabalham com a reciclagem, gerando trabalho, renda e dignidade para muitas famílias.
Lei Nº 5468, de 23 de dezembro de 2009, dispõe sobre calçadas ecológicas na cidade de Canoas e foi alterada pela Lei 5590 de 2011 para garantir os princípios da acessibilidade e sustentabilidade ecológica. Por esta lei, os passeios públicos devem garantir a acessibilidade universal e permitir espaço de permeabilidade para água de chuva, possibilitando mais vegetação na cidade e menos alagamentos.
Lei Nº 5615, de 9 de setembro de 2011, criou o Dia Municipal do Bem-Estar Animal, integrando ao calendário oficial do Município, a ser comemorado anualmente no dia 4 de outubro, Festa de São Francisco, o santo padroeiro dos animais e da ecologia. Esta lei ajuda o Poder Público e a sociedade civil organizada a promover a conscientização sobre o Bem-Estar Animal no Município de Canoas. Fiorotti também apoiou a organização do Fórum Municipal do Bem-Estar Animal que mobilizou diversos militantes desta causa, que conquistaram, através do Orçamento Participativo, a construção do Centro do Bem-Estar Animal com políticas públicas voltadas ao respeito com os animais.
No Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho de 2011, o mandato do vereador Ivo Fiorotti realizou o lançamento virtual da campanha ecológica “Somos Vivos, Solidários com a Vida do Planeta”, com o objetivo de promover a conscientização ecológica. E durante todo seu mandato, o vereador tem apresentado pedidos de providências e indicações para solucionar problemas da vida urbana que estão relacionados ao meio ambiente. Uma das lutas do vereador também é por um meio de transporte mais prático e, ecologicamente, sustentável para a cidade de Canoas, sugerindo, inclusive a implantação aeromóvel entre Guajuviras e Mathias Velho. Fiorotti, através de seu mandato de vereador, tem dado muito apoio aos eventos de conscientização ambiental, como a Romaria das Águas e a bicicletada Sepé Tiaraju, entre outros.
Na sua trajetória como militante comunitário e como religioso franciscano, Fiorotti sempre levou à sério a questão ecológica. Na comunidade e na família, no dia-a-dia, Ivo dá testemunho de respeito e cuidado com o meio ambiente, sendo um dos idealizadores e cultivadores da Horta Comunitária (HOCOUNO), na Vila União dos Operários, onde reside. Como vereador Ivo Fiorotti trabalhou e vai continuar lutando em defesa do meio ambiente. Por isso, quem quer um vereador ecológico, vota 13114.
Fonte: ivofiorotti13114.blogspot.com.br

terça-feira, 3 de julho de 2012

Superar a frustração com a Rio +20 através do compromisso religioso e com a comunidade


Participantes do Conselho Mundial de Igrejas(CMI)na Conferência Rio +20 se juntaram uma ampla coalizão religiosa rejeitando o documento final oficial do evento patrocinado pelas Nações Unidas. "Renomados cientistas ambientais estão dizendo que praticamente não aconteceu nada entre 1992 e 2012 em termos de política pública e compromisso global", observou o teólogo da Teologia da Libertação Leonardo Boff, se juntou a um coro de críticos que participaram da conferência.
Clique AQUI para ler no site do CMI

terça-feira, 19 de junho de 2012

Antonio Cechin, irmão marista, Profeta da Ecologia

Publicado por IHU On-Line, na edição de segunda-feira, 18 de junho de 2012.
Onem, domingo, dia 17 de junho, celebramos os 85 anos de vida de Antonio Cechin.
Antônio Cechin, irmão marista, miltante dos movimentos sociais, autor do livro  Empoderamento Popular. Uma pedagogia de libertação. Porto Alegre: Estef, 2010. Ele publica, periodicamente, os seus artigos nas Notícias do Dia do sítio do IHU. A última, intensamente comentda e debatida, se intitula Carroças em Porto Alegre, um símbolo.
A celebração do aniversário foi realizada ontem, domingo, no salão da Igreja Na. Sa. da Pompéia, na Barros Cassal, em Porto Alegre.
Muitos militantes dos movimentos sociais do Rio Grande do Sul estiveram presentes. Foi destacada a presença de dezenas de participantes do movimentos de catadores e recicladores de Porto Alegre e região metropolitana, os Profetas da Ecologia.
Esteve presente igualmente Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul - PT e Adão Villaverde, pré-candidato à prefeitura de Porto Alegre pelo PT.
Pe. Agostinho Sauthier, secretário executivo do Regional Sul 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB destacou o trabalho catequético e ecológico de Antônio Cechin.
Irmão Antônio Cechin - um apaixonado pelo povo
Antônio Cechin influenciou uma geração de militantes no Rio Grande do Sul e no país. Foi o criador da Romaria da Terra, da Romaria das Águas e idealizador da missa em honra a São Sepé Tiaraju. É também co-fundador do Movimento Nacional Fé e Política. Foi perseguido pela ditadura militar, preso e torturado. Incompreendido em sua própria Congregação religiosa, o Ir. Antônio Cechin dedicou a sua vida em defesa dos mais pobres.
Atualmente, é Agente de Pastoral em diversas periferias da região metropolitana de Porto Alegre, assessor de Comunidades Eclesiais de Base do Rio Grande do Sul, dos catadores e recicladores. Desempenha ainda a função de coordenador do Comitê Sepé Tiaraju e da Pastoral da Ecologia do Regional Sul-3 da CNBB.
Um pouco da vida do Ir. Antônio Cechin pode ser conhecida através de duas entrevistas que concedeu ao IHU On-Line. A primeira delas publicada no dia 23-02-2007, intitulada “A utopia da Terra sem males”.
E a segunda, mais recente, recordando os seus 80 anos de vida, publicada na revista IHU On-Line, edição 223, 11-06-2007, intitulada “Os pobres me evangelizaram”.
Alguns depoimentos de militantes e amigos do Ir. Antônio Cechin também podem ser lidos na edição da Revista IHU On-Line n. 223, 11-06-2007. Nas Notícias do Dia pode ser lido o depoimento de João Pedro Stédile que foi lido por ocasião da celebração dos 80 anos.
Ao Ir. Antônio Cechin as nossas homenagens pelos seus 85 anos e agradecimento pelo exemplo de vida e dedicação aos pobres do Reino.
Fonte: IHU On-Line

domingo, 17 de junho de 2012

Irmão Antônio Cechin está completando 85 anos, hoje, dia 17 de junho de 2012


Esta data merece ser celebrada com muita gratidão ao Deus criador e defensor da vida por ter dado a este querido irmão todo o animo com que ele vive o seu dia-a-dia, lutando pela libertação e empoderamento dos mais pobres e pela integridade da natureza.
Queremos agradecer a Deus pela vida do Irmão Cechin, pelos seus 85 anos, pela sua trajetória que fez e faz diferença na vida de muitas pessoas.
E a melhor forma de homenagear este grande herói é dizer que continuamos ao seu lado renovando o compromisso de lutar sempre em defesa da justiça, da paz e da ecologia.
Na Igreja e na sociedade ele fez diferença com a Catequese Libertadora, na organização das Comunidades Eclesiais de Base, na Teologia da Libertação, no surgimento de pastorais como a CPT e a Pastoral da Ecologia, de movimentos sociais como o MST e a organização dos catadores. Com sua pedagogia libertadora, Irmão Antônio foi uma presença decisiva no movimento comunitário, fazendo surgir várias ocupações urbanas, a renovação do movimento operário e diversas mobilizações populares que provocaram mudanças na sociedade brasileira.
Deus criou o mundo e continuou criando e reinventando a vida, Irmão Antônio Cechin, aos 85 anos, continua lutando pelo Projeto de Deus.
Parabéns, querido Irmão Antônio.
Deus esteja sempre contigo e lhe dê saúde, paz, alegria e o melhor do bem viver.
Pastoral da Ecologia - RS

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Povos indígenas querem discutir modelo de desenvolvimento na Rio+20


Entrevista com Carlos Nery em Clima e Floresta - a newsletter do IPAM, por Maura Campanili
Consultor técnico da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) para o Acampamento Terra Livre, que acontecerá na Cúpula dos Povos durante a Rio+20, Carlos Alberto Teixeira Nery, do povo Piratapuia, diz que a violação dos direitos indígenas, em consequência do atual modelo desenvolvimentista, da crise do capitalismo, da economia verde e seus impactos, é um dos principais temas de interesse dessas populações durante a Conferência da ONU. Presidente da Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro, de Santa Isabel do Rio Negro, no Amazonas, Nery diz, nesta entrevista à Clima e Floresta, que os povos indígenas têm se reunido e preparado para o evento, mesmo que não tenham participação direta na programação oficial.
Clique AQUI para ler a entrevista em Clima e Floresta

terça-feira, 5 de junho de 2012

40 anos do Dia Mundial do MeiAmbiente e o 4º aniversário do blog Olhar Ecológico

Fonte: pnuma.org.br
Hoje faz 40 anos que, em 1972, em Estocolmo, na Suécia, no seu primeiro encontro mundial sobre meio ambiente, a ONU (Organização das Nações Unidas) instituiu o dia 5 de junho como o “Dia Mundial do Meio Ambiente”, o Dia da Ecologia. Naquele momento também foi criado o UNEP (PNUMA) Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. E se confirmou que o meio ambiente deve estar no centro das preocupações da humanidade, e que o futuro da Terra depende do desenvolvimento de valores e princípios que garantem o equilíbrio ecológico. 
Comecei a acompanhar e celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente, quando criança, na escola, mas desde antes de frequentar a sala de aula, meus pais, em casa e na pequena roça, me educavam para a ecologia. Onde fui assimilando na mente e no coração duas importantes dimensões da ecologia: a ecologia do encantamento, de se apaixonar e se maravilhar pelas dádivas da natureza e a ecologia do cuidado e da solidariedade, de cuidar solidariamente da natureza, de não permitir o sofrimento de nenhum ser ou forma de vida. Na base destas duas ecologias tem uma espiritualidade ecológica, um sentimento de que tudo é sagrado e em todas as formas da natureza está a presença de Deus Criador. Quando criança percebia alguns descuidos, abandonos e maus tratos com a vida, mas não sabia que era tão agressiva a ação do ser humano contra a Terra em todas as partes do mundo. E foram as celebrações do Dia e da Semana do Meio Ambiente que me despertaram para a ecologia da indignação e para a militância socioambiental.
Para poder se encantar com a natureza e realmente ser solidário e cuidar da vida que é dom de Deus, é preciso muita luta para que a Terra seja respeitada na sua integridade. Aprendi com São Francisco de Assis que a Terra é nossa mãe, quando nutre e sustenta cada ser que nela vive, mas ela também é nossa irmã, que requer nosso cuidado fraterno. Nós humanos e a Terra, com tudo o que nasce e vive nela, somos uma única família, onde temos o direito de viver plenamente, mas é preciso respeitar todos os seres e preservar a continuidade da vida. E para que haja respeito com a integridade da natureza e harmonia de vida na Terra, sempre é preciso questionar nossas próprias ações e a forma de como nos relacionamos com o meio ambiente. E quando percebemos sinais de desrespeito com a vida, é preciso denunciar, ajudar a conscientizar e conclamar a cidadania humana para preservar a Terra. Com certeza, o Dia e a Semana Mundial do Meio Ambiente tem esta característica. É um momento para que a sociedade humana pense, questione e tome novas atitudes com relação ao meio ambiente. E foi nesta perspectiva que criei o blog Olhar Ecológico na Semana do Meio Ambiente, em 5 de junho de 2008.
Neste 4º aniversário do blog Olhar Ecológico, quero poder discutir sobre os quarenta anos do Dia Mundial do Meio Ambiente, quando o mundo já está cheio de iniciativas e projetos que priorizam a salvaguarda da natureza. Porém, vivemos um momento crítico da humanidade, em que os problemas ambientais se agravam e emerge a necessidade de dialogo, de somar forças, de partilhar ideias e práticas sustentáveis, ao mesmo tempo em que é premente mobilizar e denunciar. Por isso, quero reescrever aqui meus questionamentos e indagações de quando iniciei o blog Olhar Ecológico.
Agora, após 40 anos em que a ONU instituiu o Dia Mundial do Meio Ambiente, através deste modesto blog de apenas 4 anos de caminhada, me sinto na liberdade de questionar a mim mesmo e a sociedade onde vivo se, de fato, o meio ambiente está no centro de nossas preocupações. E sei que a resposta não está em discursos, mas nas ações cotidianas das pessoas, dos empreendimentos das empresas e das políticas dos governos. Será que, a partir de 1972, o meio ambiente ganhou centralidade em nossas decisões, em nossos pensamentos e ações? É preciso que nos questionemos sobre isto.
Percebemos o quanto a questão ecológica ganhou espaço nos meios de comunicação, nas escolas, nas conversas cotidianas, nos movimentos sociais, partidos de várias tendências, nas pastorais, nas universidades e em vários lugares e espaços da vida social. O meio ambiente ganhou o discurso da nossa geração, virou tema propício para nossas conversas. Agora, porém, cabe-nos uma autocrítica. Neste período em que progredimos tanto na maneira de ver a questão ambiental, evoluímos no debate e alargamos os espaços de ocupação das temáticas ambientais, precisamos interrogar nossas ações e avaliar os resultados das nossas decisões sobre o meio ambiente.
Com tanto debate que a ecologia nos proporcionou, será que realmente mudamos a maneira de pensar e ver a vida? Mudamos nossas arcaicas concepções sobre a natureza, sobre as pessoas e as mais diversas formas de vida? Estamos preocupados. Sim! Mas, estamos decididos a mudar o padrão de consumo, por exemplo? Aprendemos a usar os recursos naturais de forma sustentável? Ainda mantemos nossa ganância, o luxo, a opção pelas facilidades a todo custo, sem nos perguntarmos sobre a capacidade sustentável do planeta e sobre as necessidades das outras pessoas e de outros povos?
Já no primeiro encontro da ONU sobre meio ambiente, acima referido, se confirmou que o futuro da Terra depende do desenvolvimento de valores e princípios que garantem o equilíbrio ecológico. E, hoje, onde estão esses valores e princípios? Se eles existem, então, devem estar movendo nossas ações. A ecologia nos abre os horizontes, nos faz ver a realidade socioambiental, nos interpela para a ação, mas questiona e ilumina nosso agir. Não basta simplesmente agir, é preciso mudar, transformar de dentro para fora.
Como diz o teólogo Leonardo Boff, é preciso mudar nosso paradigma. Ou seja, precisamos mudar a matriz do nosso modelo de sociedade, das nossas concepções, valores, pensamentos, conceitos. Uma mudança de vida para preservar a Terra e tudo o que vive nela, requer uma mudança profunda no ser humano. Em relação a muitas coisas, até podemos fazer opções e tomar atitudes sustentadas por campanhas publicitárias. Mas, as nossas ações ecológicas precisam ser sustentáveis, precisam ser amparadas por valores e princípios fundamentais e profundos. Nosso agir ecológico deve ser consistente, não pode ser descartável e precisa consistir e evoluir de geração em geração.
No aniversário de 40 anos do Dia Mundial do Meio Ambiente, temos algo importante a fazer. Como humanidade, precisamos olhar nossa trajetória e, pensando no futuro, nos perguntar sobre quais os valores e princípios que estamos assumindo e incorporando na nossa vida, e que podem garantir o equilíbrio ecológico da Terra. Precisamos conferir se o meio ambiente, de fato, ganhou a necessária centralidade. A questão é esta. No centro de nossas decisões e de nosso agir está a integridade da vida ou a mesquinhez do lucro, do luxo e do consumismo?
Precisamos pensar bem e agir bem. Que o Dia Mundial do Meio Ambiente, o Dia da Ecologia, nos faça pensar e agir. E também nos ajude a mudar o modo de pensar e agir. Pensar sem agir é anular o pensamento e agir sem pensar é a pura prepotência de achar que se está fazendo tudo certo. Precisamos, não só colocar em prática as nossas teorias, mas teorizar, questionar e refletir sobre nossas práticas. E, se preciso for, temos que ter a coragem de mudar para preservar a vida.
Feliz Dia do Meio Ambiente.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

19ª Romaria das Águas e os 40 anos do Dia Mundial do Meio Ambiente



Durante esta semana em que o Dia Mundial do Meio Ambiente completa 40 anos, acontece em Canoas, na sede da FAUERS, o lançamento da 19ª Romaria das Águas. A programação da semana trabalha o tema da Integração Ecológica e reúne diversas organizações religiosas e da sociedade civil.
Clique neste link e leia mais sobre o evento no blog da Romaria das Águas

quinta-feira, 31 de maio de 2012

O tabaco só faz mal


Eu queria ver o meu pai envelhecer, queria poder vê-lo de bengala e levá-lo para tomar sol e olhar o sol se pôr, queria poder ouvir repetidas vezes as suas histórias dos acasos da vida. Mas agora conto a história de que o tabaco roubou a vida de meu pai aos 66 anos. Mas, antes de fechar os olhos, meu pai me fez ver que o cigarro faz muito mal a saúde das pessoas e da Terra. Tenho certeza que o cultivo do tabaco e sua industrialização e comercio é um crime contra a vida. Mas tem gente que continua plantando fumo e colhendo doenças em suas famílias. Tem gente que só vê e o lucro em dinheiro e ignora o prejuízo da vida da humanidade e da Terra. E ainda dizem que não há outro caminho de emprego e renda. Não consigo entender que caminho é este que leva ao abismo, ao precipício. Será que não somos mais capazes de pensar e inventar outras atividades para viver? Existe, sim, muitas alternativas ao fumo. Basta querer e escolher a vida. É hora de acabar com esta arma que se chama cigarro.
Vejamos, por exemplo, o que diz o Instituto Nacional do Câncer: "Além dos danos à saúde (como diferentes tipos de câncer, doenças cardiovasculares, doenças respiratórias, dentre mais de 50 doenças diretamente relacionadas ao tabagismo), ao longo da cadeia de produção do tabaco há fatores que afetam o meio ambiente e toda a sociedade: desmatamento, uso de agrotóxicos, agricultores doentes, incêndios e poluição do ar, das ruas e das águas."
Além dos danos ambientais e do mal que causa aos próprios fumantes, o cigarro também afeta a saúde de quem não fuma, que são os fumantes passivos. Todos, praticamente, que andamos nas ruas somos fumantes passivos. Nas paradas de ônibus, nas estações de trem e nas calçadas ao nosso lado, sempre tem alguém fumando e causando mal para a sua e a saúde de todos ao seu redor.
Estudos revelam que entre pessoas expostas ao fumo passivo há risco 30% maior de desenvolver câncer de pulmão, 30% mais risco de sofrerem doenças cardíacas e 25% a 35% mais riscos de terem doenças coronarianas agudas. Além disso, a propensão à asma e à redução da capacidade respiratória é maior neste grupo. 
No Brasil, pelo menos, 2.655 não-fumantes morrem a cada ano por doenças atribuíveis ao tabagismo passivo. O que equivale dizer que, a cada dia, sete brasileiros que não fumam morrem por doenças provocadas pela exposição à fumaça do tabaco.
Não quero me entrometer na vida de ninguém, mas também não quero ser omisso e a verdade é que o cigarro faz muito mal para todos, fumantes e não fumantes. Só traz vantagens aos grandes produtores, as industrias e ao comércio do tabaco.
Mas, fica o alerta. Os produtores, as indústrias e o comércio de tabaco estão adoecendo o Planeta e matando seres humanos. Os fumantes estão destruindo suas próprias vidas e ajudando a causar doenças em outras pessoas e degradando a vida do Planeta. 31 de maio é apenas um dia de alerta.
Pilato Pereira

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