segunda-feira, 4 de junho de 2012

19ª Romaria das Águas e os 40 anos do Dia Mundial do Meio Ambiente



Durante esta semana em que o Dia Mundial do Meio Ambiente completa 40 anos, acontece em Canoas, na sede da FAUERS, o lançamento da 19ª Romaria das Águas. A programação da semana trabalha o tema da Integração Ecológica e reúne diversas organizações religiosas e da sociedade civil.
Clique neste link e leia mais sobre o evento no blog da Romaria das Águas

quinta-feira, 31 de maio de 2012

O tabaco só faz mal


Eu queria ver o meu pai envelhecer, queria poder vê-lo de bengala e levá-lo para tomar sol e olhar o sol se pôr, queria poder ouvir repetidas vezes as suas histórias dos acasos da vida. Mas agora conto a história de que o tabaco roubou a vida de meu pai aos 66 anos. Mas, antes de fechar os olhos, meu pai me fez ver que o cigarro faz muito mal a saúde das pessoas e da Terra. Tenho certeza que o cultivo do tabaco e sua industrialização e comercio é um crime contra a vida. Mas tem gente que continua plantando fumo e colhendo doenças em suas famílias. Tem gente que só vê e o lucro em dinheiro e ignora o prejuízo da vida da humanidade e da Terra. E ainda dizem que não há outro caminho de emprego e renda. Não consigo entender que caminho é este que leva ao abismo, ao precipício. Será que não somos mais capazes de pensar e inventar outras atividades para viver? Existe, sim, muitas alternativas ao fumo. Basta querer e escolher a vida. É hora de acabar com esta arma que se chama cigarro.
Vejamos, por exemplo, o que diz o Instituto Nacional do Câncer: "Além dos danos à saúde (como diferentes tipos de câncer, doenças cardiovasculares, doenças respiratórias, dentre mais de 50 doenças diretamente relacionadas ao tabagismo), ao longo da cadeia de produção do tabaco há fatores que afetam o meio ambiente e toda a sociedade: desmatamento, uso de agrotóxicos, agricultores doentes, incêndios e poluição do ar, das ruas e das águas."
Além dos danos ambientais e do mal que causa aos próprios fumantes, o cigarro também afeta a saúde de quem não fuma, que são os fumantes passivos. Todos, praticamente, que andamos nas ruas somos fumantes passivos. Nas paradas de ônibus, nas estações de trem e nas calçadas ao nosso lado, sempre tem alguém fumando e causando mal para a sua e a saúde de todos ao seu redor.
Estudos revelam que entre pessoas expostas ao fumo passivo há risco 30% maior de desenvolver câncer de pulmão, 30% mais risco de sofrerem doenças cardíacas e 25% a 35% mais riscos de terem doenças coronarianas agudas. Além disso, a propensão à asma e à redução da capacidade respiratória é maior neste grupo. 
No Brasil, pelo menos, 2.655 não-fumantes morrem a cada ano por doenças atribuíveis ao tabagismo passivo. O que equivale dizer que, a cada dia, sete brasileiros que não fumam morrem por doenças provocadas pela exposição à fumaça do tabaco.
Não quero me entrometer na vida de ninguém, mas também não quero ser omisso e a verdade é que o cigarro faz muito mal para todos, fumantes e não fumantes. Só traz vantagens aos grandes produtores, as industrias e ao comércio do tabaco.
Mas, fica o alerta. Os produtores, as indústrias e o comércio de tabaco estão adoecendo o Planeta e matando seres humanos. Os fumantes estão destruindo suas próprias vidas e ajudando a causar doenças em outras pessoas e degradando a vida do Planeta. 31 de maio é apenas um dia de alerta.
Pilato Pereira

domingo, 27 de maio de 2012

Presidenta Dilma veta 12 dispositivos e faz 32 alterações no Código Florestal

A presidente Dilma Rousseff vetou 12 artigos do novo Código Florestal aprovado no Congresso, informaram nesta sexta-feira (25) os ministros da Advocacia Geral da União (AGU), do Meio Ambiente, da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário. O objetivo dos vetos é beneficiar o pequeno produtor e favorecer a preservação ambiental, informaram os ministros.
O prazo para sanção do texto, que trata sobre a preservação ambiental em propriedades rurais, vencia nesta sexta. Para suprir os vácuos jurídicos deixados com os vetos, a presidente Dilma Rousseff vai assinar uma medida provisória, que será publicada na segunda-feira (28) no "Diário Oficial da União" juntamente com os vetos, informou o ministro da AGU, Luís Inácio Adams.
"São 12 vetos, são 32 modificações, das quais 14 recuperam o texto do Senado Federal, cinco respondem a dispositivos novos incluídos e 13 são adequações ao conteúdo do projeto de lei. Uma medida provisória deverá ser publicada em conjunto com a publicação dos vetos na segunda-feira", afirmou Adams., disse Adams.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, destacou que a insegurança jurídica e a inconstitucionalidade levaram aos vetos. Ela falou que o objetivo foi também "não anistiar o desmatador, preservar os pequenos e responsabilizar todos pela recuperação ambiental.
"O veto é parcial em respeito ao Congresso Nacional, à democracia e ao diálogo com a sociedade. Foi motivado, em alguns casos, pela segurança jurídica, em outros pela inconstitucionalidade."
Fonte: Midia News
Leia Mais... sobre os pontos vetados
Veja também AQUI a apresentação sobre os vetos e alterações no Código Florestal, no blog do Planalto ou no slideshare.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos


A busca da unidade ao longo de todo o ano
Promovido mundialmente pelo Conselho Pontífice para Unidade dos Cristãos (CPUC) e pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI), a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC) acontece em períodos diferentes nos dois hemisférios.
No hemisfério sul, em que janeiro é tempo de férias, as Igrejas geralmente celebram a Semana de Oração no período de Pentecostes (como foi sugerido pelo movimento Fé e Ordem em 1926), que também é um momento simbólico para a unidade da Igreja. No Brasil, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) lidera e coordena as iniciativas que, neste ano, acontecem de 20 a 27 de maio, sob o tema de 1 Coríntios 15:51-58: “Todos seremos transformados pela vitória de nosso Senhor Jesus Cristo”.
Já no hemisfério norte, o período tradicional para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC) é de 18 a 25 de janeiro. Essas datas foram propostas em 1908 por Paul Watson porque cobriam o tempo entre as festas de São Pedro e São Paulo e tinham, portanto, um significado simbólico.

terça-feira, 3 de abril de 2012

JUSTIÇA E PAZ COM A CRIAÇÃO

A Ecologia em interação com Justiça e Paz na experiência prática e reflexiva do Conselho Mundial de Igrejas 
“Quão numerosas são tuas obras, Iahweh, e todas fizestes com sabedoria!  A Terra está repleta das tuas criaturas”. (Salmo 104,24)
Compartilho com amigos e amigas, leitores do blog Olhar Ecológico que no dia 28 de março tive a defesa de dissertação de mestrado em Teologia na PUCRS. Meu orientador foi o Professor Dr. Luiz Carlos Susin, frei Capuchinho que também foi meu professor na graduação em Teologia na ESTEF. Também estiveram na Comissão Examinadora, a Professora Drª. Marileda Baggio, da PUCRS e o Professor Dr. Valério Guilherme Schaper, da EST.
Com o título “JUSTIÇA E PAZ COM A CRIAÇÃO” e o subtítulo: “A Ecologia em interação com Justiça e Paz na experiência prática e reflexiva do Conselho Mundial de Igrejas”, procuramos trabalhar o tema da ecologia no movimento ecumênico mundial a partir das duas últimas décadas.
Desde o advento da globalização de um mundo em mudança de época, persentimos um clima de injustiças, onde a vida criada por Deus é vilipendiada em nome do lucro. Num tempo marcado pelo descuido e ameaças de escassez e privatização dos recursos naturais, a humanidade e a Terra sentem o drama das mudanças climáticas. Já vem sendo, portanto, hora de se perguntar pela fé no Deus Criador. O que as igrejas cristãs dizem e fazem e/ou o que mais elas poderiam e deveriam dizer e fazer frente aos problemas ambientais? Pois, foi com esta preocupação que nos empenhamos em pesquisar a ecoteologia do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). Esta pesquisa tem como argumento a experiência prática e reflexiva do CMI sobre ecologia em interação com justiça e paz, a partir da convocatória ecumênica mundial de Seul, em 1990. E, também procuramos fazer contraponto com a ecoteologia de Leonardo Boff e um link com a experiência da Pastoral da Ecologia na CNBB Sul 3. 
Seguindo a lógica do método Ver-Julgar-Agir, a dissertação procura demonstrar a trasnversalidade da ecologia do movimento ecumenico mundial liderado pelo CMI. A pesquisa está focada nos documentos do programa “Justiça, Diaconia e Responsabilidade com a Criação”, mais especificamente o projeto “Ecojustiça”, da Comissão de Assuntos Internacionais do CMI. Ecojustiça é a consonância de uma longa tradição do Conselho Mundial de Igrejas em abordar as relações transversais entre Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC). O CMI faz uma releitura da Bíblia e, num olhar ecológico, com uma atenciosa escuta da profecia da Terra e dos pobres, vem chamando as igrejas a reassumirem sua alinaça de justiça, amor e paz com Deus criador e defensor da Vida. 
O Conselho Mundial de Igrejas (CMI) está presente e é reconhecido em todo o mundo como “uma comunhão de igrejas que confessam o Senhor Jesus Cristo como Deus e Salvador, segundo as Escrituras”. O CMI é um espaço onde as igrejas-membro podem refletir, falar, agir, adorar e trabalhar em conjunto, testemunhando sua fé na unidade e no serviço. 
Com 349 igrejas, trabalhos em mais de 110 países e uma presença territorial que abrange todo o mundo, onde representa mais de meio bilhão de pessoas, esta é a maior organização do movimento ecumênico moderno e tem como objetivo central a unidade dos cristãos. Fundado em 1948, quando a maior parte das igrejas fundadoras eram européias e estadunidenses, hoje a maioria das igrejas-membro do CMI está na África, Ásia, Caribe, América Latina, Oriente Médio e no Pacífico.

1 Causamos uma grade fúria na Terra
O título do primeiro capítulo do nosso trabalho pode soar estranho aos ouvidos da alma de quem ler que “Causamos uma grade fúria na Terra”, assim como uma verdade também pode ser inconveniente. Mas, de fato, estamos diante de uma situação de fúria da natureza e precisamos procurar compreender isto e ver até onde vai nossa responsabilidade. A palavra fúria aparece em nomes de filmes e em mitologias antigas trazendo a ideia de força desordenada contra vida. Também nos dá a ideia de caos e trevas (cf. Gênesis 1:2).
O início do curso deste mestrado foi exatamente no ano do 20º aniversário da Convocatória Ecumênica Mundial do CMI em Seul, quando as igrejas cristãs passaram a ter, de modo global, uma preocupação com o meio ambiente. As igrejas membro do CMI deram este passo significativo e, no mesmo ano (1990), o papa João Paulo II abordou a temática ambiental na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz. São, portanto, 20 anos que se expressa com mais convicção e força a preocupação ambiental nas igrejas cristãs. A Convocatória Ecumênica Mundial de Seul, na Coréia do Sul em março de 1990, trabalhou a dimensão “Justiça, Paz e Integridade da Criação” (JPIC), do CMI, com o objetivo de “traçar projetos para uma ação ecumênica que possibilite superar os problemas causados pela injustiça, violência e pela degradação do meio ambiente”.
Mas antes da Convocatória de Seul, ainda em 1974, houve em Bucareste, na Romênia, uma consulta sobre Igreja e sociedade, onde entra a questão da sustentabilidade. E a partir desta consulta, o movimento ecumênico mundial, assumiu o compromisso com “Sociedade Justa, Participativa e Sustentável” (JPSS), levando em consideração a questão da “terapia de limites ao crescimento”, abordada pelo Clube de Roma, que havia se reunido em 1972, quando pela primeira vez aconteceu um encontro mundial para tratar de questões ambientais. Lembrando que no mesmo ano (1972) também aconteceu em Estocolmo, na Suécia, o primeiro encontro mundial promovido pela ONU. E após o encontro de Seul, ocorreram outros eventos ecumênicos que levaram adiante as questões relacionadas com justiça, paz e ecologia, entre eles a participação das igrejas cristãs na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática no Rio de Janeiro, Brasil - junho de 1992. Foram, portanto, 20 anos de uma caminhada de denuncia e anúncio por parte das igrejas cristãs, através do CMI.
O Conselho Mundial de Igrejas tem a percepção clara de que impactos ambientais sempre ocorreram, mas agora acontece algo muito mais grave no Planeta Terra. O ser humano provocou grandes alterações, causou enormes e perversas mudanças que afetam todo o organismo da Terra. Por isso, entrou em nosso cotidiano o termo crise ecológica, também chamada de crise ambiental. Mas, o grande mal da Terra é a cultura global do estilo de vida baseada no consumo exagerado, vivenciado majoritariamente pelas elites dos países desenvolvidos e em desenvolvimento. E a ecologia nos faz ver a nossa crise na sua complexidade e não de forma fragmentada. E assim, a reconhecemos como a crise da civilização, que afeta a vida como um todo. Leonardo Boff afirma que são duas crises. Uma é a notória crise da desarmonia dos ecossistemas e chama a atenção para outra crise, que é a crise do paradigma civilizacional. O atual modelo de sociedade é que está em crise e vencido. E nos damos conta de que já não vivemos mais numa época de mudança, como tantas e tantas que se passaram. Agora estamos vivenciando a própria mudança de época. E não podemo dizer, simplesmente, que o planeta chegou ao seu limite, mas é preciso aceitar que a nossa civilização, nosso modo de vida é que está no limite e não podemos continuar neste ritmo.
No documento AGAPE (Alternative Globalization Addressing Peoples and Earth ou Alternativa de Globalização Abordando o Planeta e a Ecumene - Globalização Alternativa Comprometida com a Humanidade e o Planeta Terra), o CMI denuncia que: a globalização econômica e as estruturas de comércio e finanças estão alargando cada vez mais o abismo, as diferenças entre ricos e pobres e causando uma grande ameaça à paz mundial e a paz com a Terra. A globalização, que é um processo perverso para o meio ambiente, abriu as fronteiras para a exploração, fechando os caminhos da solidariedade.
O Conselho Mundial de Igrejas tem levado muito a sério o quarto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), de 2007, que é o principal apresentado em 20 anos, com um consenso científico esmagador sobre as emissões de gases de efeito estufa. O CMI entende que quando o relatório do IPCC usa o termo “muito provável” para indicar que as emissões de combustíveis fósseis e outras atividades humanas são as principais causas das mudanças climáticas, quer dizer que pelo menos a 90% dos fenômenos da mudança climática são resultados das ações humanas.
Leonardo Boff vem ajudando a difundir e tornar mais próximo das pessoas um importante documento internacional, que é a Carta da Terra, o qual ajuda a situar o atual momento político, social e econômico, iluminando a leitura crítica do atual modelo de desenvolvimento global, alicerçado no lucro econômico, sem se importar com a real situação da Terra e sua biodiversidade. No seu Preâmbulo, a Carta da Terra analisa que “estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro”. Mas ressalta que “à medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas” (cf. BOFF, 2000. p. 147-164).
Diante deste cenário global, o Conselho Mundial de Igrejas também se preocupa com o descuido e a escassez de recursos da natureza, a começar pela questão da água. Este é um assunto presente em todo o mundo e junto com o discurso da escassez, entra o interesse econômico de transformar a água em mercadoria. Por isso o CMI vem mobilizando as igrejas para a Rede Ecumênica de Água, cuja sigla em espanhol é “REDA” e em inglês “EWN”, que é uma iniciativa para garantir o acesso à água para as pessoas ao redor do mundo. A água que deveria saciar a sede e atender as necessidades das populações, cada vez mais está sendo usada para matar a sede voraz do mercado. E o mercado está rotulando, codificando os recursos naturais, que são “toda a criação - uma realidade sagrada que não deve ser codificada”. Ou seja, os recursos naturais estão recebendo um significado diferente, são rotulados como mercadorias e deixam de ser direitos de todos.
Para o Conselho Mundial de Igrejas, existe uma estreita relação entre pobreza, riqueza e ecologia. Pois, o luxo e a opulência sem fim dos ricos é a degradação e a finitude da natureza. Os 20% mais ricos do mundo consomem 86% dos bens e serviços globais. A renda anual dos 1% mais ricos equivale à dos 57% mais pobres. E as pesquisas indicam que perderemos, por exemplo, entre 30 e 70% da biodiversidade do mundo num período de 20 a 30 anos. O CMI também trabalha a questão das dívidas externas, denunciando que a forma de como foi conduzida a economia mundial nas últimas décadas, fez com que os países pobres fossem golpeados com enormes dívidas. E seus ditos credores externos são verdadeiros ditadores de suas vidas internas, tanto para o campo econômico, como para o social, o político e o ambiental. 
A dívida dos pobres é o grande trunfo dos ricos para dominá-los e, à custa deles, continuar enriquecendo. Porém, a dívida está ao avesso. Quem deve não são os pobres e sim os ricos que enriqueceram sob exploração social, econômica e ecológica. Para o CMI, são dívidas ecológicas e ilegítimas, e afirma que existem dois tipos de dívidas ilegítimas. Um tipo de ilegitimidade das dívidas dos pobres para com os ricos está relacionado à forma de como e por quem elas foram contraídas. E a obrigatoriedade e a imposição aos países pobres em pagar dívidas financeiras também é ilegítima no momento em que a efetivação desses pagamentos negam direitos humanos fundamentais, como o alimento, a moradia, o atendimento à saúde e educação, entre outros. Os ricos é que são os grande devedores de uma dívida ecológica. Pois, informações da ONU dão conta de que 20% da população consome 80% dos recursos naturais do planeta e vivem nos países do norte. Por isso, eles têm uma enorme dívida ecológica. Os 20% da população mundial que vive nos países mais ricos fazem 86% de todas as compras de consumo; eles consomem 58% de toda a energia e por sua conta correm 53% de todas as emissões atuais de carbono (e 80% em termos históricos). Na verdade os ricos têm uma enorme dívida com os pobres, com as futuras gerações e com a natureza.

2 Do Princípio à Plenitude da Criação
O “Julgar”, para nós cristãos, é buscar luzes na Palavra de Deus. E no tema da ecologia temos a possibilidade de “olhar a criação do princípio a plenitude”. A Bíblia nos dá a orientação de que a ecologia é uma questão de fé. Por isso, no segundo capítulo abordamos o tema da criação, lendo no relato bíblico que Deus criou a vida para a plenitude e não para a degradação. E Deus criou em diálogo e em cooperação com as próprias criaturas e criou a vida em contínua evolução para um destino de plenitude, que não é algo pronto ou estático nem infinitamente longínquo, mas que está na criação, em sua raiz. Pois, toda a humanidade é feita à imagem e semelhança de Deus e toda a natureza traz as marcas de Deus. Desde o princípio, a criação tem a energia cósmica (de cosmos) e a força criadora do Espírito de Deus, que continua presente e atuante na criação. A criação não é algo que só aconteceu apenas no princípio (creatio prima), mas é algo que está acontecendo agora (creatio continua).
A Bíblia nos permite compreender que os “recursos naturais” são dons de Deus e por isso, direito de todas as criaturas. O jubileu bíblico declara que a terra pertence a Deus. Tudo o que pertence a Terra, toda a sua biodiversidade é dom de Deus. Considerar, por exemplo, a água um dom de Deus, implica que ela, na sua forma saudável, limpa e fresca, deva estar disponível para atender as necessidades básicas de todos. Portanto, jamais poderia ser uma mercadoria, porque o preço impõe barreiras de acesso, excluindo os mais pobres. 
A ecologia, para o cristianismo, é mais que uma ciência que estuda as interações da vida, é também uma questão de fé. E, por isso, o assombroso assunto das mudanças climáticas do nosso tempo, deve ser encarado também com espiritualidade, mística e fé. Neste sentido, o CMI criou o “Serviço de Oração pela Justiça Climática”. Para o CMI, o engajamento religioso [na questão ambiental] é demonstrar que a mudança climática é mais que uma preocupação científica, ecológica, econômica e política, mas tem importantes dimensões espirituais e éticas. A mudança climática é vista pelo CMI como uma questão profundamente ética e espiritual. Por isso, a espiritualidade ecológica é uma força para a comunidade cristã enfrentar com justiça a questão climática numa atitude profética, denunciando o clima de injustiças e anunciando boas novas para toda a criação.
Dom Rowan Williams, primaz da Igreja Anglicana diz que o mandato de Jesus aos discípulos, expresso em Marcos 16:15, é para que seja anunciada uma Boa Nova para toda criação e não limitadamente aos seres humanos. “A tarefa dos fiéis não é simplesmente ir e comunicar algumas poucas ideias a alguns seres humanos promissores”. É transformar a face da terra. E anunciar boas novas para toda a criação significa fazer a opção pelos pobres, se solidarizar com as vítimas da crise ambiental.
Seremos anunciadores de boas novas para toda a criação, também, se soubermos auscultar os gritos da vida, que hoje está clamorosa por causa das ações humanas. Primeiro a criação é comunicação de Deus pela sua beleza, pelos seus dons e generosidade. E agora a natureza é profecia, porque reclama para toda a humanidade que o Criador está sendo ofendido na sua criação degradada pelas ações humanas. Por isso, nossa vocação é anunciar boas novas para toda a criação, preservando-a das ameaças e lendo seus sinais proféticos.
Parafraseando Lucas 19:40, onde diz “se eles se calarem, as pedras gritarão”, podemos dizer que, onde impedimos a vida de brotar e florir, onde calamos, silenciamos e amordaçamos a vida, agora estão brotando e desabrochando clamores de denúncia. Onde impedimos a vida de florir e sorrir, agora a natureza clama através de catástrofes e desequilíbrios que são sinais visíveis da perversidade do ser humano, que se esqueceu de ser o jardineiro da Terra. As mudanças climáticas são consequências de uma mentalidade humana que considera a natureza como um objeto a ser dominada, explorada e manipulada.
Defrontamos-nos cotidianamente com o grito do oprimido e do excluído e a Terra também grita sendo agredida pela máquina depredadora e mortífera de nosso modelo de sociedade e desenvolvimento. A Terra é a profetiza que grita no deserto das mentes e corações humanos, mas o seu clamor ecoa cada vez mais como esperança de vida. Por isso, para a Pastoral da Ecologia do Rio Grande do Sul, nas palavras de seu fundador, Irmão Antônio Cechin, os catadores de materiais reciclados são verdadeiros profetas. Eles andam pelas ruas da cidade com seus carrinhos recolhendo as sobras, e assim denunciam o consumismo desenfreado, que resulta em toneladas de lixo. Cechin costuma dizer que “eles [os catadores] são os grandes heróis nacionais do meio ambiente” e os “médicos do Planeta”, que dão um diagnóstico da doença que precisa ser tratada para salvaguardar a vida na Terra.

3 Temos uma Aliança com o Criador
Consciente de que a humanidade trilhou um caminho contraditório, marcado por um comportamento devastador, justificado, inclusive, pelo preceito bíblico “dominai e multiplicai”, o CMI passou a buscar uma iluminação bíblica, numa ótica ecológica, para compreender o autêntico sentido de “Bereshit” (o princípio do universo). E o resultado é uma compreensão sobre o princípio da vida, “Bereshit”, que se afirma em “Shalom” (a plenitude de justiça e paz com a criação). E a Convocatória Ecumênica Mundial de Seul, em 1990, com o tema “Justiça, Paz e Criação”, levou a reflexão para além de “Bereshit” e “Shalom” (do princípio à plenitude da criação) firmando-se em “Berith” (temos uma aliança, um pacto com o criador). Berith (uma aliança solidária, de amor, justiça, paz e ecologia, entre Criador e criaturas) é o ponto alto da ecoteologia do CMI (cf. MAÇANEIRO, 2011).
Rompendo com o paradigma propagador da morte, que é a globalização neoliberal, o CMI defende uma visão afirmadora da vida, que é a da “oikoumene” – uma comunidade da Terra onde todos os povos vivem em relações justas entre si, com toda a Criação e com Deus. O lugar das igrejas é onde Deus está atuando, Cristo está sofrendo e o Espírito está cuidando da vida e resistindo aos principados e poderes destrutivos.
Por isso, as igrejas, comunidades eclesiais e congregações, dando testemunho de unidade, precisam: Zelar pela rede da vida e pela rica biodiversidade da Criação; engajar-se pela mudança de padrões insustentáveis e injustos de extração de jazidas e de uso dos recursos naturais, particularmente levando em consideração os Povos Indígenas, suas terras e suas comunidades; apoiar movimentos, grupos e iniciativas internacionais que defendem recursos comuns vitais da privatização, como água e biodiversidade; defender a eficiência no uso de recursos e energia bem como uma mudança da produção de energia com base em combustível fóssil para energias renováveis; encorajar o engajamento público na redução das emissões de gases estufa de modo a ultrapassar as metas da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, e trabalhar com as igrejas na adoção de políticas e programas em favor de povos afetados pela elevação do nível oceânico; fortalecer o movimento de ecojustiça que envolve a família ecumênica mais ampla.
As igrejas nas sociedades ricas e afluentes deveriam trabalhar visando o consumo sustentável e padrões de produção sustentável, adotando a moderação e simplicidade nos estilos de vida e a resistência aos padrões dominantes de consumismo.
Para garantir a vida no planeta precisamos construir uma nova forma de relações, um novo paradigma relacional. Deve-se pensar numa saída global, visto que se trata de uma problemática globalizada. E para isso, é preciso uma ética planetária, como afirma Leonardo Boff no livro Ethos Mundial: “É preciso estabelecer um consenso mínimo entre os humanos, que deve partir de uma visão ética, integradora e holística, considerando as interdependências entre pobreza, degradação ambiental, injustiça social, conflitos étnicos, paz, democracia, ética e crise espiritual” (p. 89). E para isso encontramos uma iluminação e uma base firme no texto da “Carta da Terra”, que permite “reafirmar a convicção de que formamos uma grande comunidade terrenal e cósmica”. E estando ameaçada a vida, a diversidade e a beleza de nossa “casa comum”, temos que realizarmos “uma nova aliança com a Terra e um novo pacto social de responsabilidade entre todos os humanos”.
Nas reflexões do Conselho Mundial de Igrejas sobre as mudanças climáticas, especialmente nos últimos dez anos, surgem duas questões básicas: “Quais são as prioridades em matéria de mudança climática?” e “Que testemunho as igrejas são chamadas a dar?” Emerge fortemente o desafio e o compromisso das igrejas através da solidariedade imediata para com as vítimas deste processo de transformações que o planeta vem sofrendo. Nesta última década o CMI priorizou também seu dever de acompanhar as negociações entre as autoridades competentes para fazer a humanidade agir frente aos fenômenos das alterações do clima. O CMI também defendeu a necessidade de se dar forte ênfase nas medidas de adaptação e proteção das pessoas vulneráveis aos perigos climáticos. 
Solidariedade e sustentabilidade fazem parte do testemunho da fé cristã, por isso, a preocupação do CMI com as vítimas das mudanças climáticas, naturalmente, remete para uma abordagem transdisciplinar entre a justiça climática e os direitos humanos. Justiça climática “significa que ninguém tem mais direito de usar um bem comum global, como, por exemplo, o clima”. As igrejas podem colaborar na organização das sociedades onde estão inseridas, de tal forma que haja uma interação solidária da vida humana com a natureza. O ser humano tem direitos de acessos aos bens da natureza, mas é dele o dever e a responsabilidade por garantir o descanso da terra, seu direito de regeneração. Por isso todos os anos o CMI trabalha uma campanha chamada “Tempo para a Criação” que inicia no dia 1º de setembro por ser o primeiro dia do ano da Igreja Ortodoxa, estendendo-se até 4 de outubro, que é a Festa de São Francisco de Assis, na tradição católica romana e anglicana. É um tempo de oração, reflexão sobre o cuidado e o uso justo dos dons da natureza que recebemos de Deus, e assim, renovar o compromisso ecológico. 
Na campanha “Tempo para a Criação” se utiliza como referência a data da Festa de São Francisco de Assis por causa do seu testemunho de harmonia com a criação, com o irmão Sol, a irmã Lua, a irmã Água e seu radical seguimento de Jesus no serviço aos mais pobres, como reflete o seu encontro com o leproso. “Tempo para a Criação” é uma oportunidade de refletir e se despertar para a mudança, a conversão ecológica, onde o ser humano possa encontrar seu lugar na criação. É um tempo de resgatar a esperança e reafirmar o compromisso ético de mudanças nas atitudes humanas para deter a injustiça climática. É o despertar para um olhar ecológico e holístico, onde o ser humano possa deixar a natureza ser ela mesma e assumir uma postura fraternal e amorosa frente a todas as formas de vida.
O CMI declara que “a Terra e seus habitantes não podem esperar mais”. Por isso conclama as igrejas membro e todo o movimento ecumênico, bem como, as outras religiões para “continuar orando e falando, expressando o grito dos pobres e da Terra nestes momentos cruciais”. Ressalvando que o trabalho ecumênico sobre mudanças climáticas está enraizado na totalidade da criação e no imperativo bíblico do compromisso pela justiça, que presta especial atenção aos pobres, fortalecendo as comunidades locais, para que elas próprias possam ter voz para articular suas demandas por elas mesmas, sendo sujeitos históricos.
O cristianismo, num movimento ecológico ecumênico, pode ser grande colaborador para que a humanidade assuma sua vocação de mordomo da criação. Conforme o Dicionário Aurélio, o termo “mordomo” vem do Latim [majordomu, “o criado maior da casa”], que significa “administrador dos bens de uma casa, de uma irmandade, de uma confraria, etc.; ecônomo” ou “serviçal encarregado da administração duma casa”. E na visão do CMI, este é o ser humano, o mordomo da criação de Deus. Devemos estar a serviço da vida e não usufruindo mais do que a natureza pode nos oferecer. Em Lucas 16:1, Jesus fala do mordomo denunciado por não saber administrar os bens da casa. Mas, Deus criou a Terra com recursos mais que suficiente para sustentar as gerações e todas as formas de vida. E o trabalho do movimento ecológico ecumênico é despertar para que a humanidade assuma sua vocação de mordomo da criação, da casa comum que é a Terra e de jardineiro do Planeta.
Para finalizar o terceiro capítulo da dissertação, mais uma vez linkamos a experiência do CMI com a Pastoral da Ecologia do Rio Grande do Sul, que tem o propósito de ser uma pastoral socioambiental e ecumênica, levando a ecologia para os espaços eclesiais a partir dos pobres, dos catadores, pessoas que vivem do “lixo”. Pois, a organização dos catadores e a questão da água são as duas frentes de atuação mais prioritárias desta pastoral que já tem 10 anos de existência, vinda de uma caminhada de mais de duas décadas quando Irmão Antônio Cechin começou um processo de organização dos catadores e carroceiros que viviam do e no “lixo”.
A Pastoral da Ecologia do Rio Grande do Sul tem uma forte sintonia com o Conselho Mundial de Igrejas e uma boa inserção nos meios ecumênicos, tendo militantes também de outras igrejas cristãs e outras religiões, principalmente as de matriz africana.
Concluímos com um sentimento de desafio ou convicção ou esperança de que, a partir da campanha “Tempo para a Criação” lançada pelo CMI, como um verdadeiro chamado para a conversão ecológica, podemos fortificar o movimento ecológico ecumênico no Rio Grande do Sul, uma Pastoral da Ecologia ecumênica e de diálogo interreligioso, como já acontece, por exemplo, na Romaria das Águas.
A Dissertação na íntegra estará disponível em breve na Biblioteca da PUCRS, para consulta virtual e também no Blog Olhar Ecológico.
Pilato Pereira

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Ciclo de Palestras na Unisinos: Rio+20 – desafios e perspectivas

Vinte anos depois da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Eco-92), a cidade do Rio de Janeiro será novamente sede, de 20 a 22 de junho de 2012, da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a chamada Rio+20. Os temores de um fracasso da COP-17, realizada em Durban, na África do Sul, não se confirmaram. Isto pode ser um bom presságio para a Rio+20. 
O encontro visa renovar o engajamento dos líderes mundiais com o desenvolvimento sustentável do Planeta. Tem por objetivo debater a contribuição da “economia verde” para o desenvolvimento sustentável e a eliminação da pobreza, com foco sobre a questão da estrutura de governança internacional na área do desenvolvimento sustentável. A Rio+20 insere-se, assim, na longa tradição de reuniões anteriores da ONU sobre o tema, entre as quais as Conferências de 1972 em Estocolmo, Suécia, e de 2002, em Joanesburgo, África do Sul.
Os dois temas em foco na Conferência serão: (a) uma economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza; e (b) o quadro institucional para o desenvolvimento sustentável.
Assim, diante deste contexto, o Instituto Humanitas Unisinos – IHU propõe-se a debater a questão, através de um ciclo de palestras que possibilite compreender o que está envolvido na Conferência, desde sua formação histórica até os seus possíveis impactos no futuro do Planeta.
Clique AQUI e leia mais sobre os objetivos, programação, público alvo e a forma de inscrição.
Fonte: IHU Unisinos (www.ihu.unisinos.br)

quinta-feira, 22 de março de 2012

Água nossa de cada dia


A data de 22 de março, Dia Internacional da Água, é um momento para se fazer alguma discussão sobre os diversos temas relacionados à água. Visto que a situação da água é bastante preocupante em todo o planeta, é preciso um momento de reflexão, análise, conscientização e busca de alternativas práticas para resolver os problemas que foram surgindo ao longo da história por causa de ações equivocadas do ser humano.
Sem água, o ser humano e nenhuma outra forma de vida consegue sobreviver. A água é vital e não pode faltar, mas no ano de 2002, o Dia Mundial da Água foi marcado por um anúncio assustador e preocupante para toda a humanidade. A Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou que “mais de 2,7 bilhões de pessoas deverão sofrer com a falta de água em 2025, caso o consumo do planeta continue aos mesmos níveis”. E depois de 10 anos, o anúncio feito pela ONU ainda faz forte eco e nos convida a refletir e a tomar uma atitude.
Nos últimos vem aumentando a preocupação com o descuido e a escassez de recursos da natureza, a começar pela questão da água. Este é um assunto presente em todo o mundo e sabemos que, infelizmente, junto com o discurso da escassez, entra o interesse econômico de transformar a água em mercadoria. São muitos os países que verdadeiramente sofrem a escassez da água. É grande o número de pessoas ao redor do mundo que não tem acesso à água potável e vive a falta de saneamento básico. Se não houver atitudes fortes de enfrentamento deste problema, a situação futura será muito pior. 
Ao falar da escassez da água, precisamos nos perguntar sobre quais são as razões para a crise em que o mundo vive hoje? Realmente são muitos os fatores, mas podemos elencar alguns, como: o forte crescimento e de forma insustentável dos setores agrícola e industrial, que consomem muita água nas suas atividades; os desmatamentos e as erosões dos solos que alteram o ciclo das águas; a poluição dos rios, mananciais, fontes e nascentes; o consumo em excesso e o crescimento populacional. A crise da água vem se agravando ainda mais devido ao sistema econômico global vigente, que nos últimos anos vem forçando a diminuição do controle público e comunitário de abastecimento de água, que está sendo tratada como um assunto comercial. Em vez de ser um bem público, a água muitas vezes é considerada como uma mercadoria. A água que deveria saciar a sede e atender as necessidades das populações, cada vez mais está sendo usada para matar a sede voraz do mercado.
Já se tem notícia de muitos casos em que a privatização dos recursos hídricos e o sistema de abastecimento de água privam as pessoas mais pobres do acesso à água. O que faz milhões de pessoas não ter acesso à água potável não é apenas a escassez de água ou a falta de recursos financeiros para se investir nesta área. Ocorre que em muitos casos, as necessidades e os direitos essenciais de comunidades marginalizadas não são prioridades dos governos e instituições que detém o poder econômico. O acesso à água tem a ver com as relações de poder entre quem possui o controle sobre a água. Portanto, a falta de acesso à água não pode ser vista somente como resultado da escassez.
É importante nos perguntarmos até onde vão as capacidades do nosso planeta. Até onde a Terra pode nos sustentar, ou melhor, até onde ela pode nos suportar. Não seria difícil a Terra nos dar o sustento necessário para viver. Difícil, porém, e quase impossível, é o planeta suportar nosso voraz consumo. Sabemos que a população global vem aumentando cada vez mais. A partir do início da era cristã, foi preciso 15 séculos para duplicar a população do planeta (de 250 para 500 milhões). Mas, na metade do século passado, a população planetária que era de 3 bilhões, mais que duplicou, chegando hoje a 7 bilhões. Um recente relatório do Fundo de População da ONU prevê que, em 2035, a população da Terra poderá chegar a 14 bilhões. E mesmo com o grande aumento populacional, ainda assim teria recursos e matérias-prima para atender a todos. Mas, o problema reside na desigualdade, na forma injusta de distribuição das riquezas. É muito mais uma questão de gerenciamento do que de escassez. Mas, estima-se que a sobrevivência de 1,2 bilhão de pessoas no mundo está em risco devido à falta de água adequada e saneamento. E muitos conflitos que acontecem entre pessoas e comunidades se devem ao acesso desigual à água. 
Quando um ecossistema é desequilibrado, afeta também a água e quando a água é agredida, ela faz falta para todas as outras formas de vida. Por isso, o problema da água se torna um problema maior porque está relacionado com a integridade dos ecossistemas. E diante disso é preciso promover a preservação, gestão responsável e distribuição equitativa da água para todos, baseada na crença de que a água é um dom de Deus e um direito humano fundamental.

terça-feira, 13 de março de 2012

Horas para barrar o código florestal




Em apenas algumas horas, a Câmara dos Deputados pode acelerar um novo código florestal expondo vastas extensões de florestas preciosas do Brasil para o corte e a devastação. Se inundarmos suas linhas telefônicas com dezenas de milhares de ligações, poderemos persuadí-los a colocarem a natureza na frente do lucro a curto prazo e suspenderem a votação. E com a Rio+20 se aproximando, será cada vez mais difícil para Dilma assinar essa lei de ataque ao meio ambiente.Temos apenas algumas horas -- ligue agora e avise a todos: 

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