quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Capuchinhos do Rio Grande do Sul elegem governo provincial

Frei Álvaro Morés é reeleito provincial dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul

Ao término do XXI Capítulo Provincial, realizado de 1º a 5 do corrente, em Garibaldi, RS, Frei Álvaro Morés foi reeleito por mais um triênio na coordenação dos Freis Capuchinhos do Rio Grande do Sul. Frei Álvaro será assessorado pelos Freis Cleonir Paulo Dalbosco, José Lagni, Evaldo Valdir de Freitas e Nilmar Carlos Gatto. Cada um deles assessorará o Provincial nestas áreas: Pastoral e Meios de Comunicação, Economia e Administração, Formação e Animação Vocacional.

O encontro aprovou também 17 projetos constantes do Planejamento Estratégico para os próximos anos. Trata-se de programar uma administração moderna, sem perder de vista o carisma da Ordem e os compromissos com o povo de Deus. O Capítulo Provincial dos Freis Capuchinhos gaúchos, pela primeira vez, foi presidido pelo Superior Geral da Ordem, Frei Mauro Jöhri, que veio acompanhado de seu assessor para o Brasil, Frei José Gislon. Frei Mauro, de naturalidade suíça, mas residindo em Roma, é responsável pelos 11 mil Capuchinhos do mundo inteiro. Após a eleição, Frei Mauro empossou os novos dirigentes. A sede Provincial é em Caxias do Sul.

Além dos assuntos que tratam da vida e das atividades dos Frades gaúchos, o encontro de Garibaldi, reafirmou seu compromisso missionário em relação às vice-Províncias de Santo Domingo/Haiti e Brasil Oeste com sede em Cuiabá, MT.

Fonte: Assessoria de Imprensa do XXI Capítulo Capuchinhos RS

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sábado, 23 de agosto de 2008

Capacitação em Recuperação Ambiental nos PAs do Bioma Pampa

Capacitação em Recuperação Ambiental nos PAs do Bioma Pampa Promoção: Incra/RS e TAL Ambiental De 25 a 27 de agosto - auditório do Incra/RS (Av. José Loureiro da Silva, 515 - 8º andar)

Programação

25 de agosto Manhã
9h: abertura - Mozar Artur Dietrich (Superintendente Incra/RS)
9h30: apresentação - Marcelo Bastos (setor Ambiental do Incra/RS) e Gustavo Tornquist (TAL Ambiental)
10h: Contexto Ambiental/Bioma Pampa Hoje - Luiza Chomenko (FZB)
11h: debates
Tarde
14h: Legislação Ambiental (APP e ARL) - Gustavo Tornquist (TAL Ambiental)
15h: Licenciamento Ambiental da Reforma Agrária - Juarez Jeffman (FEPAM)
16h: debates

26 de agosto Manhã
9h: SAL/TAL Ambiental - Paulo Guilherme Francisco Vabral (MMA)
10h: Uso Sustentável da Biodiversidade Nativa - Paulo Brack (UFRGS)
11h: debates
Tarde
14h: Ferramentas de Geoprocessamento para Análise Ambiental - Elvio Giasson (UFRGS)
15h: Projeto de Educação Ambiental PA Coqueiro - Teresinha Guerra
16h: debates

27 de agosto Manhã
9h: Recuperação Ambiental - Osório Luchese (Unijuí)
10h: Projeto de Recuperação PA Coqueiro - Gustavo Tornquist (TAL Ambiental) e Marcelo Bastos (Setor Ambiental do Incra/RS)
11h: debates e enecerramento

**certificado para participantes com 80% de freqüência**

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente

Movimento em Defesa do Meio Ambiente tem atividades descentralizadas
O Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente – MoGDMA, tem atividades descentralizadas na próxima semana. Um dos objetivo do movimento desde sua criação, é a descentralização da discussão referentes ao meio ambiente, indo de encontro direto com as comunidades e agentes sociais envolvidos na luta pela preservação ambiental no Estado.

Como resultado da articulação com o grupo de Pelotas, será realizado o III Seminário Políticas Públicas de Meio Ambiente, sobre a ofensiva do setor da celulose no Pampa e alternativas para o desenvolvimento local. O evento ocorre dia 19 de Agosto (terça-feira) no Auditório da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal de Pelotas - Entre 10:00 e 17:00. Estão convidados: o agrônomo Carlos Nabinger, o ambientalista e zoólogo Ludwig Buckup e o jornalista Najar Tubino, dentre outros pesquisadores e gestores ambientais. As inscrições são gratuitas. A organização do evento está buscando uma cortesia para condução de Porto Alegre até a cidade de Pelotas. Interessados devem enviar os dados pessoais para contato@institutobiofilia.org.br .

Para dar continuidade das atividades que ocorrem mensalmente na capital, a coordenação do MoGDMA, promove o IV Seminário Políticas Públicas de Meio Ambiente, sobre o caso das Barragens Jaguari e Taquarembó, dia 20 de Agosto (quarta-feira) no Auditório do Semapi/Sindicato. Nesta edição o painelista convidado é o Eduardo Lanna. Lima e Silva, 280. - Entre 18:30 e 21:00. Inscrições gratuitas.

A proposta do grupo é manter o foco nas discussões públicas, levando informação, promovendo articulação política ambiental com distintos setores da sociedade. Desta forma está programado para Setembro o debate com os candidatos a prefeitura de Porto Alegre.

Venha participar das discussões que estabelecem um espaço para o debate sobre as questões socioambientais e gestão ambiental do Rio Grande do Sul.

Todos os eventos promovidos pelo MoGDMA, são gratuitos e ocorrem mensalmente. Informe-se e participe.

Ecólogo Felipe Amaral
Sec. Executivo Instituto Biofilia
Av. Borges de Medeiros - 708/603
Cep. 90020-024 / Centro / Porto Alegre
51. 9988 1191
contato@institutobiofilia.org.br
www.institutobiofilia.org.br

sábado, 9 de agosto de 2008

Poesias pelo Dia dos Pais

Caro internauta, ao passar por este blog, hoje, no Dia dos Pais, vais encontrar algumas modestas poesias que escrevi para o meu pai, enquanto ele estava vivo e depois de sua morte. A poesia “O cigarro e o chimarrão” é uma colaboração de meu irmão, Paulo Pereira. Eu sei que esta homenagem em forma de poesia é algo muito simples, mas nada do que não for simples poderá dizer o amor que sinto pelo meu pai.

Mozart Lourenço Pereira
*11/11/1939 +15/10/2006


MEU PAI

Meu pai, um homem pobre e livre
Humilde e sábio, o meu velho pai
Mostrou-me o por aonde a vida vai
Indicou-me os caminhos da liberdade
E pediu que seguisse sempre sem medo
E se preciso, guardando segredos
Mas nunca escondendo a verdade
Hoje, olho contemploso o seu semblante
Fico lembrando de outrora
Meu pai, um gaúcho guapo e vibrante
E agora, meio cansado, às vezes desolado
Mas com fé, sereno, segue adiante
O seu passo lento indica meu destino
Desde menino, foi dele que aprendi
Que é devagar que se vai ao longe
Porque o longe é perto do bem querer
E é preciso seguir a vida livre e sem pressa
Cumprindo promessas e aprendendo a viver
Só peço a Deus
Que dê saúde ao meu velho pai
Pra que ele possa partilhar sabedoria
E partejar filosofias de liberdade
Acendendo luzes pra realidade
Indicando caminhos do novo dia.
(Frei Pilato Pereira, 2005)

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ONZE DE NOVEMBRO

Meu pai,
Hoje seria o seu aniversário
Como marca o calendário
O dia em que nasceu.
Mas, a vida, neste ano
Mudou-se de plano
A definitiva páscoa
Chegou e te levou.
A terra acolheu a semente
A gente não sabe, mas sente
No céu germinou o semblante
Que no mundo o sol iluminou.
Ficou a marca em nossas almas,
Calmas, sofrendo em prantos a dor
Uma confusa dor que leva
Para sempre leva um amor.
Em prece nos despedimos
E tu foste levado por nossas mãos
Mãos que queriam te segurar
Para que ficasse conosco
E nunca mais se ter que chorar.
Mas era preciso partir
E tua páscoa aconteceu.
Naquele instante
Num mundo de lágrimas
Uma ultima lágrima emudeceu.
E os olhares fitos viram descer
Ao chão, o teu corpo
De regresso ao cosmo
Ao ventre da terra.
Não é aqui que a vida encera
E vai de volta a casa do Pai
Agora vai e sempre nos verá
Terá-nos eternamente.
Viverás para sempre
E um dia nos receberá.
(Frei Pilato Pereira, 2006)

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O CIGARRO E O CHIMARRÃO

Numa mão o cigarro e na outra o chimarrão
É bonita a cuia com erva verde
Revivendo a nossa deslumbrante tradição
Mas é terrível o cigarro que está em sua outra mão
Cada vez mais vai destruindo seu pulmão
Esta imagem ficou guardada na minha lembrança
E me acompanha desde quando era criança
Mas, já não o vejo mais, nem mesmo com o cigarro
Pois foi este que o levou, o separou dos que lhe amavam
Agora procuro lembrar
As coisas boas que meu pai sempre nos ensinou
Com sua sabedoria, ternura e amor
Fumar? Claro que não
Pois eu sei a dor que um filho sente
Ao perder um pai que amou de coração
E na dor da saudade procuro me consolar
Porque acredito um dia vou lhe encontrar
Não mais com o cigarro na mão
Que lhe causou tanto mal
E sim tomando seu chimarrão tradicional.
(Paulo Pereira, 2007)

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TUDO É SAUDADE

Tudo é saudade neste Pampa sem fim
O mundo todo por onde andei
E de onde venho, um mundo inteiro
Eu tenho um mundo que grita dentro de mim
No coração que pede pra tomar um mate
Brincar com o cão que late a traz do galpão
Saudade é sonho que dorme com roupa de ilusão
Mas é a liberdade de voltar sem deixar de seguir
É ir se embora e de novo vir onde mora o coração
(Frei Pilato Pereira, 2008)

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O BOM MESTRE

Entre um palheiro e outro
Ou algum trago, talvez
Ou um chimarrão
Que a mãe lhe fez
Assim, o pai seguia sua prosa
Como tento dizer neste verso
Ele não queria julgar
O que era errado ou certo
Mas no seu modo calmo de falar
O bom mestre que sabia ensinar
Começava e seguia falando
Com palavras simples e sábias
Ensinando-nos sobre a vida
O que aprendeu de seus pais
Dos livros que leu
E em suas idas e vindas
Era assim depois da tarde caída
Ao longo do anoitecer
Reunidos ao redor do fogão
Enquanto a lenha queimava
O pai partilhava o saber
Que provinha do seu coração
(Frei Pilato Pereira, 2007)

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ADEUS PAI

Adeus Pai
Vou te levar
No coração comigo
Vou te lembrar na canção
Amigo, doce irmão
Em tua noite calma
O perfume da flor de tua Alma
Se eternizou e canta ao luar
E agora e sempre
Tua vida vai estar
Aqui e em todo lugar

(Frei Pilato Pereira, 2008)

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Dia do Agricultor e da Agricultora

Nesta semana, sexta-feira, dia 25 de julho celebramos o Dia do Agricultor e da Agricultora. Este dia merece ser celebrado porque esta é a classe social que mais contribui para o país. Os grandes produtores dizem que produzem muito. Mas comparando a terra que possuem e o dinheiro que ganham do Estado para produzir, percebemos que os pequenos é que produzem mais e geram muito mais emprego e renda para a população.
Mais de 70% do alimento que vai diariamente à mesa do povo brasileiro, vem da agricultura familiar e camponesa. Por isso, neste dia devemos agradecer ao homem e a mulher do campo que produzem o pão nosso cada dia. Também é importante que observemos a diferença que existe na forma de como a terra é distribuída. A diferença entre concentração da terra, que é o latifúndio, a monocultura e a partilha da terra, que é a Reforma Agrária e a Agricultura familiar.
A terra é um meio de produção, mas é mais que isso. A terra é território, é lugar de vida, cultura, política, fé, trabalho e etc. A terra é lugar de vida e de convivência. Quando a terra é partilhada, a convivência humana e a relação das pessoas com a natureza, acontecem de uma forma. Mas, quando a terra está concentrada nas mãos de poucos, as relações humanas e o tratamento do ser humano com a natureza ocorre de outra maneira.
O pequeno agricultor, o camponês trabalha na terra aonde vive, a sua terra é sua casa, é sua vida, é seu mundo e ele procura cuidar da melhor forma possível para deixar algo bom para seus filhos. Na agricultura familiar e camponesa, a família trabalhadora cuida dos banhados, arroios, córregos, das fontes, nascentes, das arvores nativas e de toda a biodiversidade existente. Num latifúndio, tudo é devastado para plantar grandes extensões.
O camponês, normalmente planta de tudo no seu lote ou na sua pequena propriedade. Planta o que a família precisa para sua subsistência e algo a mais para comercializar e obter alguma renda. E numa grande propriedade, às vezes milhares de hectares, cultivam uma única planta, seja milho, soja, café, eucalipto e etc. Imaginemos o que significa para o meio ambiente ter, por exemplo, 10 mil hectares de terra com uma única espécie de vida. É um verdadeiro desastre ambiental.
Na pequena propriedade, as relações de trabalho e a distribuição da renda, acontecem de forma mais humana, justa e democrática. Mas no latifúndio, existe concentração de poder e de renda. Os que trabalham num latifúndio são empregados, vendem sua força de trabalho e normalmente são explorados. Além da terra concentrada, também acontece a concentração do poder e do dinheiro.
Todo o recurso que um pequeno agricultor recebe, seja da venda de sua produção ou mesmo algum financiamento do governo, ele investe no comércio local. Já o grande produtor costuma gastar fora, em outras cidades, outros países e também investe no setor financeiro especulativo. Seu investimento não gera emprego e não aquece a economia local.
A Reforma Agrária e o apoio a Agricultura Familiar, além de ser uma questão de justiça social, também representam uma alternativa eficaz de desenvolvimento.
Parabéns aos camponeses e camponesas que produzem nosso alimento e cuidam da terra. Cuidando de uma pequena porção de terra, estão cuidando de todo o planeta para que as futuras gerações encontrem um planeta vivo para viver.
Frei Pilato Pereira

terça-feira, 15 de julho de 2008

Governo Yeda: Gabinete de que transição?


Com cerimônia e discursos e até uma carta de compromisso, esta semana o Palácio Piratini declarou encerado o Gabinete de Transição que era constituído por cinco políticos da base aliada. O gabinete foi criado depois de uma crise crônica no governo do Estado, onde tiveram de ser afastados o chefe da Casa Civil, outros dois secretários e o representante do Governo em Brasília. E o objetivo deste instrumento era solucionar a crise promovendo uma nova estrutura na administração pública do governo gaúcho. Porém, depois de um mês e alguns dias em que foi criado, não se pode dizer com certeza que realmente fez acontecer esta passagem política e administrativa no governo da Yeda Crusius.

É verdade que a carta de compromisso anunciou algumas medidas, como a criação do Cadastro do Gestor Público. E também foram assinados os decretos que instituem o Gabinete de Transparência, Prevenção e Combate à Corrupção, e a Comissão de Ética Pública, o Código de Conduta da Alta Administração e o Código de Ética do Servidor Público Civil do Poder Executivo. Bem como, foi encaminhado à Assembléia Legislativa um projeto de lei para criar a Secretaria da Transparência, Prevenção e Combate à Corrupção. Contudo, é difícil acreditar que este gabinete tenha trabalhado para proporcionar ao Estado as condições necessárias para dar um passo a frente e sair do lamaçal de corrupção em que se encontra. É mais fácil crer que a função deste gabinete foi a de, através do anuncio destas medidas ilusórias, proteger o governo das muitas evidencias de corrupção. E isto é como querer “tapar o sol com a peneira”.

De acordo com o que foi revelado pelo próprio vice-governador, com suas gravações, a maioria dos partidos da base aliada está envolvida em atos de corrupção. Tem partidos da base do governo relacionados com as supostas irregularidades do Banrisul e, conforme as investigações da CPI, alguns partidos estão comprovadamente envolvidos na fraude do Detran. Até mesmo a governadora Yeda é apontada como responsável por atos de corrupção, inclusive, existem fortes e evidentes suspeitas de que sua campanha foi bancada com dinheiro desviado dos cofres públicos. O sensato seria que um gabinete para enfrentar esta conjuntura de corrupção fosse composto por pessoas que não tem relação com os partidos e os políticos suspeitos. Porém, aconteceu que, justamente os amigos e companheiros dos acusados do crime, foram chamados para analisar a situação e apontar as “soluções”.

Não podemos ter a ingenuidade de acreditar que este tal Gabinete de Transição tenha feito a necessária mudança estrutural para tirar o Estado da lama de corrupção e coloca-lo a trilhar no caminho da ética e da transparência. Uma mudança tão grande não seria feita pelos próprios atolados no lamaçal de corrupção do governo Yeda. O que é possível crer que eles fizeram, foi criar uma aparente esfera de reestruturação do Estado. Criaram uma ilusão de que agora existem estruturas de controle da gestão pública. No meio do barro da corrupção, certamente construíram máscaras para iludir a opinião pública. O que o governo fez foi ajeitar o time para continuar no mesmo jogo. Tirou alguns titulas, colocou uns reservas e segue jogando com nas mesmas regras e para atingir os mesmos objetivos de antes.

Frei Pilato Pereira

www.olharecologico.blogspot.com

segunda-feira, 14 de julho de 2008

O MST é meu amigo. Mexeu com ele, mexeu comigo!


Além de uma sólida base com muitos e bons militantes, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, também tem inúmeros amigos e amigas. Pessoas que depositam esperanças na organização e na luta do movimento e que também ficam indignadas com o descaso dos governos para com a Reforma Agrária e a perseguição da polícia e do judiciário contra os Sem Terra. Sabemos que a criminalização dos movimentos sociais e populares vêm ocorrendo em todo o Brasil. Mas o MST é o movimento mais perseguido e em particular no Rio Grande do Sul, seu lugar de origem, vem sofrendo a sua pior fase de criminalização em 25 anos de existência.

Como já é do conhecimento da opinião pública, no Rio Grande do Sul existe uma conspiração entre setores do judiciário e da polícia do Estado, a Brigada Militar, para dissolver o MST. Desde 2006 vem acontecendo uma série de ações articuladas entre a polícia e o judiciário para desmobilizar e criminalizar o movimento. E todas as atrocidades jurídico/militares contra os Sem Terra, tem como fundamento teórico um dossiê panfletário, ideológico, elaborado por um coronel da Brigada Militar, que é ligado à extrema direita. E este, conhecido como coronel Cerutti, inclusive foi candidato a deputado em 2006 pelo partido do Maluf, que no Rio Grande do Sul é um braço político dos grandes latifundiários que vivem no mais arcaico sistema agrário.

Grande parte dos latifundiários gaúchos que pouco produzem em suas estâncias, mantém suas terras improdutivas usando as como moeda de especulação, como forma de status e poder e como instrumento para barganhar dinheiro público através de financiamentos bancários para a produção que em geral não realizam, mas depois negociam e rolam suas dívidas. Deste modo o povo paga o luxo e a ostentação desses latifundiários. É importante dizer que esta classe burguesa que não contribui em nada com o desenvolvimento da sociedade, também tem um braço jurídico/militar, que lhe permite ser bem servida com juízes de plantão para dar reintegração de posse quando suas terras improdutivas são ocupadas e com policiais armados para agredir Sem Terra.

Mas, enfim, diante disso, vale lembrar que há um número incontável de cidadãos e cidadãs que apóiam o MST. Que acreditam muito mais na luta e na organização do movimento do que nas ações dos governos, da justiça e da polícia. O MST, sim, luta pelos pobres, trabalha para mudar as estruturas que geram a fome e a miséria em nosso país. O MST luta pela dignidade da pessoa humana, pela preservação da natureza, pelo respeito para com a Terra e os povos. O MST - uma organização democrática e cidadã - é resultado do anseio de mudar a realidade agrária do país e reverter os grandes problemas sociais através da agricultura familiar e camponesa. E além de lutar pela Reforma Agrária, o movimento assume a defesa da educação pública, da cultura, da ecologia e a soberania do povo.

O Movimento Sem Terra, nesses 25 anos de existência, tem feito muito pelo Brasil. Hoje, graças às lutas do movimento, são mais de 350 mil famílias assentadas. E muitos, se não a maioria dos assentamentos já tem escolas, postos de saúde, cooperativas e outras conquistas da luta dos trabalhadores democraticamente organizados pelo MST. Nada disso existiria se não fossem as ocupações de terra, as marchas, os protestos, as greves de fome realizadas pelo MST. Como disse o Bispo Dom Pedro Casaldaliga, “Bendito seja o MST”. É por isso que o movimento tem muitos amigos. São inúmeras as organizações e pessoas dos mais diversos setores da sociedade que apóiam o MST e que neste momento se sentem agredidas junto com os Sem Terra.

Esta conspiração política, jurídica e militar da burguesia gaúcha contra o MST é um fato vergonhoso para nós que temos o ideal republicano estampado em nossa Bandeira Riograndense. É uma façanha que não serve de modelo para ninguém, pois, é resultado de uma imaturidade política e de uma compreensão decadente e precária da democracia. Os agentes desse ato desvalioso desconhecem a democracia ou são seus inimigos. Mas, o MST é verdadeiramente um instrumento de edificação da sociedade democrática e promoção da justiça e da paz.

Frei Pilato Pereira
www.olharecologico.blogspot.com

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