terça-feira, 15 de julho de 2008

Governo Yeda: Gabinete de que transição?


Com cerimônia e discursos e até uma carta de compromisso, esta semana o Palácio Piratini declarou encerado o Gabinete de Transição que era constituído por cinco políticos da base aliada. O gabinete foi criado depois de uma crise crônica no governo do Estado, onde tiveram de ser afastados o chefe da Casa Civil, outros dois secretários e o representante do Governo em Brasília. E o objetivo deste instrumento era solucionar a crise promovendo uma nova estrutura na administração pública do governo gaúcho. Porém, depois de um mês e alguns dias em que foi criado, não se pode dizer com certeza que realmente fez acontecer esta passagem política e administrativa no governo da Yeda Crusius.

É verdade que a carta de compromisso anunciou algumas medidas, como a criação do Cadastro do Gestor Público. E também foram assinados os decretos que instituem o Gabinete de Transparência, Prevenção e Combate à Corrupção, e a Comissão de Ética Pública, o Código de Conduta da Alta Administração e o Código de Ética do Servidor Público Civil do Poder Executivo. Bem como, foi encaminhado à Assembléia Legislativa um projeto de lei para criar a Secretaria da Transparência, Prevenção e Combate à Corrupção. Contudo, é difícil acreditar que este gabinete tenha trabalhado para proporcionar ao Estado as condições necessárias para dar um passo a frente e sair do lamaçal de corrupção em que se encontra. É mais fácil crer que a função deste gabinete foi a de, através do anuncio destas medidas ilusórias, proteger o governo das muitas evidencias de corrupção. E isto é como querer “tapar o sol com a peneira”.

De acordo com o que foi revelado pelo próprio vice-governador, com suas gravações, a maioria dos partidos da base aliada está envolvida em atos de corrupção. Tem partidos da base do governo relacionados com as supostas irregularidades do Banrisul e, conforme as investigações da CPI, alguns partidos estão comprovadamente envolvidos na fraude do Detran. Até mesmo a governadora Yeda é apontada como responsável por atos de corrupção, inclusive, existem fortes e evidentes suspeitas de que sua campanha foi bancada com dinheiro desviado dos cofres públicos. O sensato seria que um gabinete para enfrentar esta conjuntura de corrupção fosse composto por pessoas que não tem relação com os partidos e os políticos suspeitos. Porém, aconteceu que, justamente os amigos e companheiros dos acusados do crime, foram chamados para analisar a situação e apontar as “soluções”.

Não podemos ter a ingenuidade de acreditar que este tal Gabinete de Transição tenha feito a necessária mudança estrutural para tirar o Estado da lama de corrupção e coloca-lo a trilhar no caminho da ética e da transparência. Uma mudança tão grande não seria feita pelos próprios atolados no lamaçal de corrupção do governo Yeda. O que é possível crer que eles fizeram, foi criar uma aparente esfera de reestruturação do Estado. Criaram uma ilusão de que agora existem estruturas de controle da gestão pública. No meio do barro da corrupção, certamente construíram máscaras para iludir a opinião pública. O que o governo fez foi ajeitar o time para continuar no mesmo jogo. Tirou alguns titulas, colocou uns reservas e segue jogando com nas mesmas regras e para atingir os mesmos objetivos de antes.

Frei Pilato Pereira

www.olharecologico.blogspot.com

Um comentário:

roberto disse...

Você tem razão, Frei Pilato!

Buscar soluções junto aos "amigos e companheiros dos acusados do crime" é como entregar a chave do galinheiro à raposa!

Mas essa é a atitude rotineira dos nossos políticos, que são "nossos" porque votamos neles, logo...

Um grande abraço...

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