sexta-feira, 30 de abril de 2010

Ecologia, a profecia da Terra e dos pobres

Nos últimos anos, muito se ouviu e se ouve dizer que o Cristianismo com a Teologia da Libertação e as Igrejas e Religiões, de modo geral, não têm mais profetas como em outros tempos. Além dos profetas e profetizas dos textos bíblicos, em recentes décadas passadas também tivemos muitos profetas de renome, mulheres e homens bem conhecidos por suas atuações em favor da justiça, da paz e da dignidade humana. E alguns desses profetas e profetizas também foram mártires, doando suas vidas em favor da vida de muitos. Hoje, porém, se ouve dizer que está reduzido o número de profetas. Mas, nos tempos atuais temos uma grande profetiza, que é nossa mãe e irmã Terra. E com ela ecoa a profecia dos pobres que mais sofrem as consequências dos desequilíbrios ambientais.

Pelo que se pode dizer a partir dos textos bíblicos, profeta é uma pessoa que anuncia algo para o futuro, mas que também denuncia alguma situação do presente. Os profetas na Bíblia denunciavam fatos e acontecimentos que estavam contra a Lei de Deus e, por conseguinte, anunciavam as consequências que isso resultaria para o povo. Os profetas bíblicos também tinham palavras de esperança e fé, procurando motivar os justos para seguirem no caminho da justiça. Em tempos difíceis, os profetas revelavam o plano de Deus com a garantia de vida e a dignidade para seu povo.

Dizer que a profetiza do momento é a Terra, significa auscultar a natureza e as pessoas marginalizadas, que já são vítimas da crise ambiental. É preciso perceber os sinais de degradação que as diversas formas de vida apresentam como fenômenos praticados pelas mãos humanas. A profetiza de agora é a própria Terra, cuja voz profética reverbera nas situações em que vivem seus habitantes mais pobres. O manifesto da Terra vem ganhando sonoridade e ecoando através de inúmeros conclames e ações de pessoas que sofrem as consequências deste modelo de desenvolvimento opressivo e degradante. Quando vemos um catador de lixo, por exemplo, estamos diante de um profeta que profetiza com a Terra. O Irmão Antônio Cechin é muito bem inspirado quando diz que os catadores são “Os Profetas da Ecologia”.

Aos poucos, a profecia da Terra vai despertando uma civilização ensurdecida para a realidade da natureza e dos pobres do nosso planeta. E dizer que os pobres são profetas da ecologia juntamente com a Terra, não significa desconsiderar a militância ambiental de pessoas que socioeconomicamente não são pobres. Mas, é preciso reconhecer que verdadeira profecia ecológica vem das pessoas que mais sofrem com a degradação ambiental e a exclusão social causadas pelo capitalismo ao longo de muitos anos. Irmão Cechin sempre nos lembra o significado de um catador que passa na rua com seu carrinho recolhendo, para a sua sobrevivência, as sobras de uma sociedade consumista, degradante e excludente. Ao mesmo tempo em que o catador denuncia um sistema que exclui o ser humano e degrada o ambiente, ele também anuncia que, na Terra, um outro mundo é possível.

Acreditar na profetiza Terra e se deixar comover com sua verdade anunciada, significa uma profunda conversão, uma mudança radical no modo de vida. A Terra vem nos revelando as consequências das nossas atitudes ao longo dos tempos e nos diz que agora é tempo de conversão. Por sua natureza e dinâmica de vida, a Terra nos mostra o quanto nossa civilização se desviou do caminho da sustentabilidade e quanto mal causou ao Planeta. Mas também nos dá esperança e nos orienta para uma travessia ecológica que já está em curso, pois “o mar já vem se abrindo”. Sentimos esperança nas manifestações vitais da natureza que cotidianamente manifesta o milagre da vida e nas pessoas que se organizam e lutam pela terra, por trabalho e dignidade, com a preocupação de preservar o meio ambiente. A Terra nos dá a esperança que pressupõe a coragem de mudar para um outro modo de vida, que é a sustentabilidade.

Pilato Pereira
Pastoral da Ecologia

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