segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Dom Humberto... Lágrimas de compromisso com a Justiça e a Paz

Bispo Diocesano, Dom Orlando - Bispo Primaz, Dom Maurício
Dom Humberto
Por Pilato Pereira - blog Olhar Ecologico
Irmão Antônio Cechin também chorou quando relatou seu encontro com o ex-presidente Lula, em que pode dizer-lhe: “Feliz é o Brasil que tem um presidente que chora sobre os catadores, a mais humilde categoria dos que constroem a nação!”. Irmão Cechin se referia ao fato de o então presidente da República ter se emocionado a tal ponto de não conter as lágrimas ao se referir aos catadores e moradores de rua, durante uma entrevista de avaliação de seu governo em 2010.
Algo semelhante aconteceu na Catedral Nacional da Santíssima Trindade, em Porto Alegre, no dia 09 de dezembro, Segundo Domingo do Advento, Dia da Bíblia, com a Sagração Episcopal do Revendo Humberto Eugenio Maiztegui Gonçalves. Eleito pelo povo e pelo clero da Diocese Meridional da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Revendo Humberto, que é doutor em teologia bíblica, professor no SETEK e na ESTEF, foi sagrado bispo numa celebração muito animada, com forte presença ecumênica, de lideranças eclesiais da Igreja Anglicana e, sobretudo uma fervorosa participação do povo das diversas comunidades da sua Diocese.
Numa celebração como esta sempre tem os momentos de forte emoção, mas em duas situações, as lágrimas do novo bispo foram muito simbólicas. A meu ver, representaram a expressão mais intimida do seu fiel compromisso de amor a Deus e aos pobres. Ao motivar a comunidade para a saudação da paz, convidando para catar o refrão “Quando olho em você, eu vejo em você a Paz do Senhor”, o bispo Humberto chorou. E ao ouvir as palavras calmas do representante indígena, o jovem Guilherme Benitez (Verá Mirim), do Povo Mbyá Guarani, o novo bispo também não conteve as lágrimas.
Claro que tudo foi importante naquela celebração, todos os ritos, todas as falas, a pregação da Reverenda Carmem, da Diocese Anglicana da Amazônia, a valoração de comunidades historicamente excluídas (surdos, deficiência física, jovens, mulheres, índios...). Enfim, tudo foi muito importante e nos fez renovar a fé, o amor e a confiança em Deus e na comunidade. Mas, quero salientar o simbolismo que percebo nestes dois momentos relatados, em que o bispo eleito chorou: na saudação da paz e nas palavras do índio guarani.
Podemos parafrasear Irmão Antônio Cechin e dizer “feliz a Igreja que tem um bispo que chora com a saudação da paz e com as palavras de um índio”. Certamente, a paz não lhe representa apenas uma palavra, mas todo sonho e a luta pela justiça. Para o bispo que derramou suas lágrimas, a Paz do Senhor é sentida ao olhar, acolher e abraçar o próximo. E ao chorar diante das poucas e calmas palavras do índio guarani, certamente o bispo ouviu todo o clamor histórico expresso no silêncio deste povo sofrido. Na fala mansa do jovem guarani, o bispo ouviu o grito de Sepé Tiaraju que não queria morrer nem perder a terra que Deus havia dado a seu povo. E suas lágrimas expressam o que deve ser mais que um sentimento, o compromisso da Igreja para com os índios e todos os pobres, o anúncio da Boa Nova a toda a criação e o testemunho da fé no serviço em favor da justiça e da paz.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Vem aí a guerra do fim do mundo em Porto Alegre: Necrófilos X Biófilos


por Antonio Cechin

Nos últimos tempos,  a “mui leal e valerosa” capital dos pampas,  vive sob a síndrome da invasão de uma horda de “bárbaros”. O povo da rua, considerado pela classe dominante como pária da civilização urbana, ralé, escória da sociedade, foi chegando de mansinho, não raro descalço ou apenas de chinelinho de dedo, magro, esfarrapado, desgrenhado, doente , como um João-Ninguém e quejandos depreciativos, num trôpego pé ante pé, tirando proveito do anonimato normal de ser apenas mais um dentro da multidão, arrastando apenas , entre os braços erguidos rumo aos céus, grudados os seus dois membros superiores aos dois varais do seu tosco meio de transporte – sua cruz de todos os dias – sem nunca perder de vista o coração da cidade em seu horizonte.
Com a maior cara de pau – sempre no dizer das más línguas – por incompreensível descuido da sociedade civil, ele, sua majestade o catador, não pouco atormentado por uma sede atroz rumo ao pote, acabou por ocupar nada menos que o centro histórico da orgulhosa capital do gauchismo. E, cúmulo dos cúmulos, na base de peitaços, implantou até uma cidadela, fortificada por todos os lados, no exato lugar em que passou a adquirir o máximo de visibilidade para todo e qualquer viajante ou turista que entre ou saia da cidade. Acrescente-se a isso tudo a irreverência assumida de batizar seu conjunto habitacional com nome de santo: Vila Santa Teresinha. 
Como se quem é pobre, fraco e sobretudo mal amado, não se sentisse dado por natureza a invocar os céus quando da terra recebe exclusivamente sinais de desamor e desprezo. A ideia do nome de sua fortificação nasceu nas mentes dos vileiros  como  sinal de gratidão ao “pequeno resto de Israel” que os acolheu benignamente. Apenas algumas mulheres piedosas da igreja Santa Teresinha, o templo mais próximo da cidadela. Talvez até com desconhecimento total da vida da Santa, acertaram na mosca. O diminutivo que foi acrescentado ao nome de santa Teresa Martin, foi historicamente acrescentado para designar a espiritualidade por ela cultivada em vida: é a santa da infância espiritual, digna portanto dos lázaros metropolitanos, os últimos dentre os pequeninos da urbs. 
Como nada acontece por acaso, atrevemo-nos a dizer:  foi a fé que “remove montanhas” a que salvou esse Zé povinho, como aliás repetia sempre de novo Jesus de Nazaré, quando da realização de algum milagre: “foi a tua fé que te salvou!” E por que não acrescentar? Foi o próprio carinho do Deus Amor, que jamais abandona as criaturas humanas pequeninas e fracas, porém feitas à sua imagem e semelhança”.
Apesar da escolha do nome de Santa Teresinha do Menino Jesus, numa espécie de extensionismo  de si próprios em sua pequenez perante os homens, considerando-se pessoalmente e à sua categoria social, os diminutos e últimos dos mortais, mau grado isso tudo, a sociedade civil envolvente teima em continuar designando Vila dos Papeleiros o lugar em que residem os novos ocupantes. As classes dominantes descartam propositalmente o nome escolhido por unanimidade pelos últimos chegados ao centro, o povo da rua.                                                                     
Na experiência diuturna, o desprezo que sofrem por parte dos que se orgulham da cidadania, acontece de modo especial quando, quais autênticos animais de tração, se dispõem a cruzar sinaleiras com suas pesadas cargas. São assacados com buzinaços por trás. Não satisfeitos com o fuzuê, os almofadinhas, ao ladearem-nos com seus carrões marca primeiro mundo, de lambuja, ainda lhes atiram algum palavrão.                                        
Sob o pretexto de realização da Copa do Mundo em Porto Alegre, o vereador de partido conservador, no arrastão da chapa de eleição para prefeito, conseguiu emplacar as mordomias de vice-prefeito com zero votos, em data de 7 de outubro próximo passado. O vice-prefeito que teremos de suportar durante mais quatro anos, é ao mesmo tempo autor da famigerada Lei das carroças, que obriga o poder público a limpar a cidade da “poluição” dos carroceiros, dos carrinheiros e do povo da rua.  Em vez de limpar a cidade do lixo, terá a desfaçatez de limpar a cidade daqueles que, por vocação, como carroceiros, gratuitamente, trabalham para tirar deveras a cidade do lixo e, estes sim, de lambuja ainda prestam o maior serviço ao planeta despoluindo os mananciais porque mais limpos devido ao serviço prestado de impedir que o lixo continue a ser jogado dentro dos caminhos das águas que são os rios, arroios, lagos e mares.                                                                                                                               
O que se pode prever para os próximos quatro anos? Está decretada a operação final ou morte dos carroceiros, dos carrinheiros e povo da rua. A malsinada lei, por enquanto, é apenas um símbolo, sinalizando no presente o já processo avançado de substitutivos mais modernos à ultrapassada catação carroceira e carrinheira, marca século XIX.
Vai se consagrar na cidade, especialmente entre a classe dominante, a preocupação apenas estética face ao lixo. Querem-no o mais longe possível dos olhos, nem que seja embaixo dos tapetes. Se possível, despachá-lo para a lua ou qualquer outro planeta. É covardia demasiada!
Em atitude totalmente contrária, o povo da rua tem os olhos bem abertos para não dizer  escancarados para os resíduos sólidos como verdadeiro luxo em vez de lixo, pela preocupação que tem, dia e noite, com possíveis fontes de sobrevivência própria e da família. Mudaram até com sua desprezível catação a própria definição de lixo. Para eles, como profetas da ecologia e médicos do planeta que são, lixo é luxo, repleto de valores que os ricos desprezam. Devolvem às fábricas o que há de valor nos descartáveis dos ricos e ao mesmo tempo preservam os mananciais, símbolo por excelência da vida em plenitude.
Trava-se na cidade a guerra do fim do mundo já preconizada e anunciada na Rio+20: Biófilos contra necrófilos ou, mais simples, a guerra dos amantes da vida contra os amantes da morte.
O verdadeiro pavor que se estendeu pela cidade inteira e que redundou em lei radicalmente contra o povo da rua em geral, é em tudo semelhante ao terror que tomou conta dos cidadãos da Europa, face às hordas de bárbaros que as invadiram, no início da Idade Média, ano de 455 e seguintes. 
Naquela época, os povos circunvizinhos ao poderoso império romano já em decadência, foram rotulados de bárbaros, no sentido de selvagens, pelos moradores do império, em contraposição aos cidadãos civilizados que se consideravam eles, os de origem romana ou Greco-latina. Esses bárbaros arrivistas, em levas sucessivas, constituídas de Alanos, Anglos e Saxões, Francos, Lombardos, Burgúndios, Vândalos, Visigodos, Suevos e Ostrogodos, invadiram cidades e campos dos mais diferentes países e das mais diferentes etnias que faziam parte do continente.                 
Dentre os citados, os Hunos foram os mais violentos e ávidos por guerras e pilhagens. Eram nômades como nosso povo da rua hoje. Não tinham habitação fixa e viviam a percorrer campos e florestas. Eram excelentes criadores de cavalos. Como não construíam casas, viviam em suas carroças e às vezes também em barracas, que armavam nos caminhos que percorriam. A principal fonte de renda dos Hunos era a prática do saque aos povos “civilizados.” Quando chegavam numa região, espalhavam o medo, pois eram extremamente violentos e cruéis com os inimigos. O principal líder deste povo foi Átila, responsável por diversas conquistas em guerras e batalhas. Pela Europa Católica, Átila recebeu o apelido de “flagelo de Deus” que com esse cognome ficou imortalizado na história universal.
No julgar da classe burguesa da Porto Alegre de hoje, foi atrevimento demasiado, o fato dessa miserabilidade  toda surgida não se sabe donde, mais esfarrapada do que os históricos farrapos do farroupilhismo, a ponto de o próprio Marx, grande analista social, com sumo desprezo, rotular  essa categoria social como  lumpen proletariat, caracterizando-os como imprestáveis para qualquer mudança ou revolução. Serve apenas para ser jogado fora como imprestável para qualquer coisa, uma inutilidade total. Tratar-se-ia de seres humanos funcionando  como simples “combustível da sociedade consumista.”  
Alto lá, orgulhosos cidadãos de Porto Alegre!... Devagar com o andor dessa empáfia!... Na outra ponta, a dos fracos e últimos periga se esconder a base de um autêntico humanismo.
“Os princípios do humanismo cristão proclamam que “em casos de extrema necessidade todas as coisas são comuns” (in extrema necessitate omnia sunt communia). Porque “a distribuição e apropriação das coisas que derivam do direito humano, não podem impedir que estas coisas socorram as necessidades dos homens. Por isso, todo aquele que tem demais, deve aos pobres para seu sustento. E se a necessidade de alguém é tão grave e tão urgente que é preciso socorrê-la com a primeira coisa que se tem na mão..., então, qualquer um pode aliviar a sua necessidade com os bens dos demais, tanto retirando isso publicamente, como secretamente; e esta ação não se reveste com o caráter de roubo, nem de furto”. Estas palavras não são de algum prefeito, nem do inominável Karl Marx. Elas são de Santo Tomás de Aquino, um dos pilares do humanismo cristão e que viveu em plena era medieval, e que podem ser encontradas na Summa Theologica”.
Imaginem só: O maior filósofo-teólogo-santo da Madre Igreja, colocando em mãos do povo da rua a estratégia e a tática consolidada durante toda a história universal de ocupação da terra ordenada pelo próprio Deus Criador. Ocupação pacífica de todo e qualquer lugar que se faça necessário à sobrevivência, quanto mais quando a “invasão” é de algum terreno baldio, de alguma ruína, de algum túnel desativado, os ditos elefantes brancos do meio urbano, como os catadores desde que começaram a existir, sempre fizeram O Nazareno dedicou-lhes uma das oito bem-aventuranças quando proclamou, no sermão da montanha “bem-aventurados os mansos porque possuirão a Terra”. O direito do pobre, estabelecido por Deus desde sempre é o da posse da terra. O direito de propriedade é fabricado pelos ricos a fim de amealhar riquezas  e sempre mais riquezas.

Antonio Cechin é irmão marista, fundador da Pastoral da Ecologia, militante dos movimentos sociais, autor do livro Empoderamento Popular. Uma pedagogia de libertação. Porto Alegre: Estef, 2010.
O artigo foi publicado no site do IHU Unisinos, edição de 05/11/12.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Ecoprofetas mobiliza catadores para o Seminário Metropolitano sobre Políticas e Práticas da Gestão de Resíduos Sólidos


A Associação Caminho das Águas, coordenada por Irmão Antônio Cechin, através do Projeto Caminho das Águas – Ecoprofetas, patrocinado pelo Programa PETROBRAS Desenvolvimento & Cidadania está mobilizando catadores para o Seminário Metropolitano sobre Políticas e Práticas da Gestão de Resíduos Sólidos, que acontecerá dia 8 no Unilasalle, em Canoas. O Seminário, promovido pela Fundação La Salle e Tecnosocial do Unilasalle, contará com a participação de catadores de diversas cooperativas e associações e a parceria do projeto Ecoprofetas para mobilizar os trabalhadores dos seus 14 coletivos da região metropolitana de Porto Alegre e Vale do Sinos. 
*Certificado com validade de atividade de extensão, emitido pelo Unilasalle.

Público alvo: Profissionais de organizações públicas ou privadas, entidades sociais, profissionais da área, professores, estudantes e comunidade.
Data: 08 de novembro de 2012
Horário: 09h às 20h
Local: Auditório Arsênio Both do Unilasalle, na Av. Victor Barreto, 2288 - Centro de Canoas, ao lado da Estação Canoas/La Salle do Trensurb. Fone: (51) 3476.8500

Clique AQUI para obter mais informações e fazer a inscrição 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Semana da Paz 2012 no “Espirito de Assis”


Em Favor da Paz! Contra Mercantilização da Vida
Em 27 de outubro de 1986, 130 responsáveis das principais religiões do mundo se encontraram em Assis/Itália para rezar pela paz e proclamar que a religião nunca deve se tonar motivo de conflito, ódio e violência.
Desde esse dia, a cidade onde nasceu Francisco de Assis, tornou-se para todo o mundo e para todas as religiões um apelo à verdadeira Paz. Bem expressados nas palavras de João Paulo II: “Continuemos a difundir a mensagem da Paz. Continuemos a viver o espirito de Assis”.
Em compromisso com esse “Espirito Profético de Assis” franciscanos e franciscanas procuram atualizar essa proposta de Paz nos dias de hoje nos lugares onde se encontram.
Por isso, convidamos a quem se sente parte da Família Franciscana ou se considera simpatizante do ideal de Francisco de Assis e Clara de Assis a promover ações/ atividades que nos remetam a Justiça Ambiental, em ocasião do dia 27 de Outubro.
O tema da Semana da Paz 2012: Em Favor da Paz! Contra Mercantilização da Vida
Continuando o compromisso que firmamos na Rio+20 com os Franciscan@s do mundo presentes na Conferencia, seguimos com o tema Justiça Ambiental na ocasião da memoria do “Espirito de Assis”
Direitos básicos como saúde, educação, cultura, moradia entre outros, há tempos já não são mais direitos e sim mercadorias. Ter acesso a esses serviços com alguma qualidade significa ter que pagar. O que acaba excluindo grande parte da população.
Nessa semana da Paz queremos chamar a atenção a outros bens, que por direito são públicos, mas que, também já começam a se tornar mercadorias.
Queremos vivenciar uma ação comum e sintonizada, em Favor da Paz e contra todo o processo que mercantiliza a vida no planeta. Convidamos que você, na sua localidade realize alguma ação para lembrar o “Espírito de Assis” e dar visibilidade ao nosso compromisso francisclariano pela construção da fraternidade universal.
Leia mais nos sites do Sinfrajue e Sefras

domingo, 14 de outubro de 2012

19ª Romaria das Águas celebra a dignidade dos catadores


Com a presença de centenas de pessoas reunidas na Usina do Gasômetro, nas margens do Guaíba em Porto Alegre, na tarde do dia 12 de outubro, Irmão Antônio Cechin desembarcou com a imagem de Nossa Senhora Aparecida das Águas, acompanhado de moradores das Ilhas e da Vila Santa Terezinha (dos Papeleiros). Nesta edição a Romaria teve um diferencial que foi uma atividade da Pastoral da Ecologia na Vila Santa Terezinha, conhecida como Vila do Papeleiros, onde residem trabalhadores da reciclagem, catadores que trabalham, alguns em coletivos e individualmente catando resíduos nas ruas de Porto Alegre. 

O fundador da Romaria e da Pastoral da Ecologia e mentor e organizador da Romaria das Águas, Irmão Cechin, sempre costuma dizer que Nossa Senhora Aparecida é a padroeira dos catadores, ela que fez a opção de vir ao encontro dos últimos, e por isso queria fazer da Romaria a celebração do Dia do(a) Catador (a). Neste ano, a 19ª Romara das Águas teve a sua programação normal nas Ilhas e teve também um momento celebrativo na Vila dos Papeleiros, de onde vários catadores partiram em procissão e ingressaram no barco que transportava a imagem da Padroeira.
Irmão Antônio Cechin fez referência ao fato da aparição de Nossa Senhora em Aparecida do Norte, no ano de 1717, quando foi encontrada pelos pescadores e em Porto Alegre a imagem foi encontrada no lixo, num galpão de catadores. "É a mesma mãe Maria que vem quebrada, ao encontro dos últimos. Em 1717, foi em Aparecida do Norte, vem para resgatar a dignidade dos negros e aqui em Porto Alegre, vem ao encontro dos Catadores, resgatar novamente a dignidade de seus filhos e filhas".

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

19º Romaria das Águas


19ª Romaria das Águas acontece nesta sexta-feira, dia 12, em Porto Alegre.
Pela manhã as atividades culturais e religiosas acontecem na comunidade das Ilhas e na Vila dos Papeleiros.
No início da tarde chega no Gasômetro a procissão fluvial com a imagem da Nossa Senhora Aparecida das Águas, onde acontece apresentações artísticas e uma celebração interreligiosa.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Ivo Fiorotti: educador, religioso, militante social.


Por Pilato Pereira*
Na década de 80, Canoas conheceu o Frei Ivo, um frade capuchinho com a simplicidade de São Francisco de Assis, um religioso muito dedicado aos mais pobres, comprometido com a organização do povo nas lutas por moradia, emprego, melhores salários e vida digna. Ivo Fiorotti sempre foi uma pessoa convicta de seu dever histórico e após um período dedicado a vocação religiosa, ao conhecer Ivonete (a Diva), decidiu formar uma família. E juntos, Diva e Ivo, passaram a se dedicar ao trabalho religioso e social. A família Fiorotti, desde o início, foi acolhida pelo povo da Vila União dos Operários, onde muito contribuíram, dando exemplo e testemunho de solidariedade. Todos que conhecem o Ivo sabem que ele é uma pessoa com o dom de dar segurança aos companheiros e companheiras, seja na Igreja, na Associação de Moradores, na Horta Comunitária e na militância política partidária. Com posições equilibras e opiniões sábias, Ivo Fiorotti ajudou o movimento comunitário a se organizar e se fortalecer e sempre foi e continua sendo um líder fundamental na construção do Partido dos Trabalhadores. Nas pastorais sociais, nas comunidades eclesiais de base e nos movimentos populares, o Ivo é uma pessoa que, continuamente, ajuda a refletir e a atualizar a vivência prática do Evangelho de Jesus Cristo.
Assessor parlamentar, professor, gestor público no governo do Estado e vereador, Ivo Fiorotti sempre teve tempo para a família, para a comunidade, aos amigos e vizinhos e para a militância no PT e no movimento comunitário. Muito solícito e atencioso com as pessoas, o Ivo sempre foi procurado para um conselho, uma ideia, a solução de um problema, algumas palavras amigas ou uma boa análise de conjuntura. Enfim, um ser humano extraordinário, com a capacidade de ajudar as pessoas a serem mais humanas e se sentirem com mais dignidade. 
Em 2008 Ivo Fiorotti foi eleito vereador e, após a eleição, reuniu as pessoas que o apoiaram e, de forma participativa, decidiram a missão e as diretrizes do seu mandato, expressas no lema: “Servir a Pessoas e Fortalecer as Organizações Sociais”. O mandato do vereador Ivo Fiorotti procura cotidianamente atender as demandas através das políticas públicas com eficiência e eficácia. É um vereador que estimula o controle social com fiscalização e participação popular. Sua prática é mostrar o caminho para que o cidadão não fique dependente e seja protagonista na conquista de seus direitos. Fiorotti, desde o início, colocou o seu mandato a serviço das pessoas e do fortalecimento das organizações e movimentos populares.
Muito consciente do papel do vereador, Ivo Fiorotti vem trabalhando firme na formulação e proposição de projetos e leis de inclusão. É o autor de 14 leis e 2 decretos legislativos. Entre as diversas leis que apresentou e foram sancionadas pelo prefeito Jairo, se destacam o Programa de Destino de Resíduos Sólidos, a criação do Selo Amigo do Reciclador, a obrigatoriedade na separação do lixo seco e do lixo orgânico, a lei das calçadas ecológicas, o Dia Municipal do Bem-Estar Animal, a Semana da Música, o Dia dos Surdos. E além destes temas importantes, o vereador também foi o autor de diversas leis que denominam logradouros públicos, garantindo endereço e CEP para milhares de famílias. E para fortalecer o movimento comunitário e valorizar suas lideranças, Ivo Fiorotti, através de dois decretos legislativos, criou o “Prêmio Líder Comunitário Clésio Aires de Oliveira”. Por tudo isso, podemos dizer que Ivo Fiorotti cumpre realmente seu papel no Poder Legislativo, é um vereador de verdade. Fiorotti também se destacou como líder do governo Jairo Jorge, solidificando na Câmara de Vereadores uma base parlamentar que deu a necessária sustentação para que o prefeito Jairo Jorge pudesse implementar uma gestão pública que vem mudando a cidade de Canoas. E por todo o apoio e incentivo que deu as associações, escolas, entidades e organizações sociais nas mobilizações para o Orçamento Participativo, Fiorotti é reconhecido como o vereador da participação popular. 
Por isso, votar em Ivo Fiorotti 13114 é votar num vereador de verdade. Um vereador que cumpre seu papel no Legislativo, onde trabalha com a marca de sua trajetória como religioso, educador, militante e reformador social.

*Pilato Pereira é Mestre em Teologia pela PUCRS e autor do livro "O Irmão dos Pobres: Antônio Cechin, uma biografia". Porto Alegre: ESTEF, 2009. 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Eleição é tempo de escolha.


Colher o trigo é o mesmo que recolher a boa semente que está predominante livre do joio. Mas quando se usa o verbo escolher, em vez de colher, significa fazer a colheita do trigo em meio ao joio. Trata-se de uma colheita custosa e difícil, que deve ser feita com muito zelo e cuidado para que a boa semente seja preservada para seguir seu ciclo produzindo bons frutos para a vida. Assim é a eleição, um ato de escolha, em que vamos aos trigais, não para querer fazer o que já não nos cabe mais, que é separar o joio do trigo, mas para escolher a boa e límpida semente de trigo. Como cristão, levo à sério o que Jesus disse, que não nos cabe separar o joio do trigo. Pois, não podemos interditar a vida do joio, mas na hora da colheita, sim, é preciso joeirar, ou seja, peneirar, escolher o trigo e deixar subjazer o joio. A urna é a peneira e até ela podem chegar sementes de joio e de trigo. O eleitor, por sua vez, com a urna em mãos, entre centenas de possibilidades, fará uma escolha que julga ser a melhor.
O ato de votar no dia da eleição é a confirmação de uma escolha, de uma decisão, que para qual deveria pesar na balança o passado, o presente e o futuro. O eleitor precisa conhecer a história de seu candidato ou candidata e ver se hoje ele ou ela continua coerente com suas convicções e se soube caminhar pra frente, evoluindo na maneira de pensar e agir. É importante relacionar o passado e o presente do (a) candidato (a), bem como o que ele ou ela representa para o futuro da sociedade. Penso também que o eleitor precisa relacionar sua própria história e sua realidade com as do (a) candidato (a) e procurar ver onde os seus sonhos se encontram com os do candidato ou da candidata que quer ajudar a eleger.

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