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sexta-feira, 22 de março de 2013

Ano Internacional de Cooperação pela Água


Por Pilato Pereira
A Organização das Nações Unidas, ONU, declarou 2013 como o Ano Internacional de Cooperação pela Água, com o objetivo de conscientizar sobre a importância e necessidade de cooperação para o manejo dos recursos hídricos que já são limitados diante de uma demanda em rápido crescimento. De acordo com a UNESCO, 145 países compartilham uma grande bacia hidrográfica com pelo menos mais uma nação. Pois, este fato é motivo suficiente para que a questão da água seja tratada mundialmente numa ótica de cooperação. 
Durante o Ano Internacional de Cooperação pela Água deverão ocorrer ações que destacam as iniciativas de sucesso em cooperação pela água e, certamente, serão trabalhados temas importantes como educação ambiental com foco na água, diplomacia sobre a água, gestão da água em regiões de fronteiras, cooperação financeira, entre outros.
O presidente do Conselho Mundial de Água é o brasileiro Benedito Braga, que iniciou sua gestão em 2013 preocupado com o fato de que existem no mundo 271 bacias hidrográficas com rios que estão compartilhados por mais de um país. Sendo que em muitos lugares a questão já virou assunto de segurança política, como no caso do Rio Nilo, que é compartilhado por nove países. A ONU pretende com esse tema incentivar o lado bom disso, que é a cooperação entre os povos.
No Brasil temos diversos rios em que as águas estão compartilhadas com outros países, como por exemplo, o Amazonas, que tem sua origem no sul do Peru e deságua no Oceano Atlântico, no norte brasileiro. As águas do Amazonas banham diretamente Peru, Colômbia e Brasil. Mas a bacia amazônica abrange terras de vários países da América do Sul, como Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana, Bolívia e Brasil. Também temos o rio Uruguai que abrange Argentina, Uruguai e Brasil, o rio da Plata que está no Brasil e Argentina, o rio Paraguai que envolve Argentina, Brasil, Bolívia e Paraguai. E dentre tantos outros casos de rios, também temos na América do Sul o caso do Aquífero Guarani, que abrange territórios da Argentina, do Brasil, Paraguai e Uruguai. 
Embora sejam usados para definir territórios, percebemos que os cursos d’água não têm fronteiras. Por onde passam, as águas servem a todos e todas, independentemente da nacionalidade. Pois, os rios são do mundo, da humanidade e assim como suas águas servem a todas as formas de vida em diferentes territórios e diversos povos, elas deveriam ser cuidadas de forma comum, através da cooperação das nações. Ou seja, os países deveriam se unir para cuidar da Água, que é patrimônio da humanidade e direito de todos os seres vivos.
Neste Dia Mundial da Água, 22 de março, mencionando que 2013 é o Ano Internacional de Cooperação pela Água, não podemos reivindicar o cuidado global deste bem comum, se não nos preocuparmos com as situações locais. É importante lembrar que os países devem se unir para cuidar de suas águas, mas é uma necessidade premente dar maior atenção aos arroios, fontes, nascentes, riachos, rios que estão perto de nós. Vamos unir nossas vizinhanças para cuidar da Água mais perto de nossas casas e que fazem parte do nosso cotidiano. Pois, assim, também através do exemplo, estaremos reivindicando que os países do mundo todo levem a sério o Ano Internacional de Cooperação pela Água.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Vem aí a guerra do fim do mundo em Porto Alegre: Necrófilos X Biófilos


por Antonio Cechin

Nos últimos tempos,  a “mui leal e valerosa” capital dos pampas,  vive sob a síndrome da invasão de uma horda de “bárbaros”. O povo da rua, considerado pela classe dominante como pária da civilização urbana, ralé, escória da sociedade, foi chegando de mansinho, não raro descalço ou apenas de chinelinho de dedo, magro, esfarrapado, desgrenhado, doente , como um João-Ninguém e quejandos depreciativos, num trôpego pé ante pé, tirando proveito do anonimato normal de ser apenas mais um dentro da multidão, arrastando apenas , entre os braços erguidos rumo aos céus, grudados os seus dois membros superiores aos dois varais do seu tosco meio de transporte – sua cruz de todos os dias – sem nunca perder de vista o coração da cidade em seu horizonte.
Com a maior cara de pau – sempre no dizer das más línguas – por incompreensível descuido da sociedade civil, ele, sua majestade o catador, não pouco atormentado por uma sede atroz rumo ao pote, acabou por ocupar nada menos que o centro histórico da orgulhosa capital do gauchismo. E, cúmulo dos cúmulos, na base de peitaços, implantou até uma cidadela, fortificada por todos os lados, no exato lugar em que passou a adquirir o máximo de visibilidade para todo e qualquer viajante ou turista que entre ou saia da cidade. Acrescente-se a isso tudo a irreverência assumida de batizar seu conjunto habitacional com nome de santo: Vila Santa Teresinha. 
Como se quem é pobre, fraco e sobretudo mal amado, não se sentisse dado por natureza a invocar os céus quando da terra recebe exclusivamente sinais de desamor e desprezo. A ideia do nome de sua fortificação nasceu nas mentes dos vileiros  como  sinal de gratidão ao “pequeno resto de Israel” que os acolheu benignamente. Apenas algumas mulheres piedosas da igreja Santa Teresinha, o templo mais próximo da cidadela. Talvez até com desconhecimento total da vida da Santa, acertaram na mosca. O diminutivo que foi acrescentado ao nome de santa Teresa Martin, foi historicamente acrescentado para designar a espiritualidade por ela cultivada em vida: é a santa da infância espiritual, digna portanto dos lázaros metropolitanos, os últimos dentre os pequeninos da urbs. 
Como nada acontece por acaso, atrevemo-nos a dizer:  foi a fé que “remove montanhas” a que salvou esse Zé povinho, como aliás repetia sempre de novo Jesus de Nazaré, quando da realização de algum milagre: “foi a tua fé que te salvou!” E por que não acrescentar? Foi o próprio carinho do Deus Amor, que jamais abandona as criaturas humanas pequeninas e fracas, porém feitas à sua imagem e semelhança”.
Apesar da escolha do nome de Santa Teresinha do Menino Jesus, numa espécie de extensionismo  de si próprios em sua pequenez perante os homens, considerando-se pessoalmente e à sua categoria social, os diminutos e últimos dos mortais, mau grado isso tudo, a sociedade civil envolvente teima em continuar designando Vila dos Papeleiros o lugar em que residem os novos ocupantes. As classes dominantes descartam propositalmente o nome escolhido por unanimidade pelos últimos chegados ao centro, o povo da rua.                                                                     
Na experiência diuturna, o desprezo que sofrem por parte dos que se orgulham da cidadania, acontece de modo especial quando, quais autênticos animais de tração, se dispõem a cruzar sinaleiras com suas pesadas cargas. São assacados com buzinaços por trás. Não satisfeitos com o fuzuê, os almofadinhas, ao ladearem-nos com seus carrões marca primeiro mundo, de lambuja, ainda lhes atiram algum palavrão.                                        
Sob o pretexto de realização da Copa do Mundo em Porto Alegre, o vereador de partido conservador, no arrastão da chapa de eleição para prefeito, conseguiu emplacar as mordomias de vice-prefeito com zero votos, em data de 7 de outubro próximo passado. O vice-prefeito que teremos de suportar durante mais quatro anos, é ao mesmo tempo autor da famigerada Lei das carroças, que obriga o poder público a limpar a cidade da “poluição” dos carroceiros, dos carrinheiros e do povo da rua.  Em vez de limpar a cidade do lixo, terá a desfaçatez de limpar a cidade daqueles que, por vocação, como carroceiros, gratuitamente, trabalham para tirar deveras a cidade do lixo e, estes sim, de lambuja ainda prestam o maior serviço ao planeta despoluindo os mananciais porque mais limpos devido ao serviço prestado de impedir que o lixo continue a ser jogado dentro dos caminhos das águas que são os rios, arroios, lagos e mares.                                                                                                                               
O que se pode prever para os próximos quatro anos? Está decretada a operação final ou morte dos carroceiros, dos carrinheiros e povo da rua. A malsinada lei, por enquanto, é apenas um símbolo, sinalizando no presente o já processo avançado de substitutivos mais modernos à ultrapassada catação carroceira e carrinheira, marca século XIX.
Vai se consagrar na cidade, especialmente entre a classe dominante, a preocupação apenas estética face ao lixo. Querem-no o mais longe possível dos olhos, nem que seja embaixo dos tapetes. Se possível, despachá-lo para a lua ou qualquer outro planeta. É covardia demasiada!
Em atitude totalmente contrária, o povo da rua tem os olhos bem abertos para não dizer  escancarados para os resíduos sólidos como verdadeiro luxo em vez de lixo, pela preocupação que tem, dia e noite, com possíveis fontes de sobrevivência própria e da família. Mudaram até com sua desprezível catação a própria definição de lixo. Para eles, como profetas da ecologia e médicos do planeta que são, lixo é luxo, repleto de valores que os ricos desprezam. Devolvem às fábricas o que há de valor nos descartáveis dos ricos e ao mesmo tempo preservam os mananciais, símbolo por excelência da vida em plenitude.
Trava-se na cidade a guerra do fim do mundo já preconizada e anunciada na Rio+20: Biófilos contra necrófilos ou, mais simples, a guerra dos amantes da vida contra os amantes da morte.
O verdadeiro pavor que se estendeu pela cidade inteira e que redundou em lei radicalmente contra o povo da rua em geral, é em tudo semelhante ao terror que tomou conta dos cidadãos da Europa, face às hordas de bárbaros que as invadiram, no início da Idade Média, ano de 455 e seguintes. 
Naquela época, os povos circunvizinhos ao poderoso império romano já em decadência, foram rotulados de bárbaros, no sentido de selvagens, pelos moradores do império, em contraposição aos cidadãos civilizados que se consideravam eles, os de origem romana ou Greco-latina. Esses bárbaros arrivistas, em levas sucessivas, constituídas de Alanos, Anglos e Saxões, Francos, Lombardos, Burgúndios, Vândalos, Visigodos, Suevos e Ostrogodos, invadiram cidades e campos dos mais diferentes países e das mais diferentes etnias que faziam parte do continente.                 
Dentre os citados, os Hunos foram os mais violentos e ávidos por guerras e pilhagens. Eram nômades como nosso povo da rua hoje. Não tinham habitação fixa e viviam a percorrer campos e florestas. Eram excelentes criadores de cavalos. Como não construíam casas, viviam em suas carroças e às vezes também em barracas, que armavam nos caminhos que percorriam. A principal fonte de renda dos Hunos era a prática do saque aos povos “civilizados.” Quando chegavam numa região, espalhavam o medo, pois eram extremamente violentos e cruéis com os inimigos. O principal líder deste povo foi Átila, responsável por diversas conquistas em guerras e batalhas. Pela Europa Católica, Átila recebeu o apelido de “flagelo de Deus” que com esse cognome ficou imortalizado na história universal.
No julgar da classe burguesa da Porto Alegre de hoje, foi atrevimento demasiado, o fato dessa miserabilidade  toda surgida não se sabe donde, mais esfarrapada do que os históricos farrapos do farroupilhismo, a ponto de o próprio Marx, grande analista social, com sumo desprezo, rotular  essa categoria social como  lumpen proletariat, caracterizando-os como imprestáveis para qualquer mudança ou revolução. Serve apenas para ser jogado fora como imprestável para qualquer coisa, uma inutilidade total. Tratar-se-ia de seres humanos funcionando  como simples “combustível da sociedade consumista.”  
Alto lá, orgulhosos cidadãos de Porto Alegre!... Devagar com o andor dessa empáfia!... Na outra ponta, a dos fracos e últimos periga se esconder a base de um autêntico humanismo.
“Os princípios do humanismo cristão proclamam que “em casos de extrema necessidade todas as coisas são comuns” (in extrema necessitate omnia sunt communia). Porque “a distribuição e apropriação das coisas que derivam do direito humano, não podem impedir que estas coisas socorram as necessidades dos homens. Por isso, todo aquele que tem demais, deve aos pobres para seu sustento. E se a necessidade de alguém é tão grave e tão urgente que é preciso socorrê-la com a primeira coisa que se tem na mão..., então, qualquer um pode aliviar a sua necessidade com os bens dos demais, tanto retirando isso publicamente, como secretamente; e esta ação não se reveste com o caráter de roubo, nem de furto”. Estas palavras não são de algum prefeito, nem do inominável Karl Marx. Elas são de Santo Tomás de Aquino, um dos pilares do humanismo cristão e que viveu em plena era medieval, e que podem ser encontradas na Summa Theologica”.
Imaginem só: O maior filósofo-teólogo-santo da Madre Igreja, colocando em mãos do povo da rua a estratégia e a tática consolidada durante toda a história universal de ocupação da terra ordenada pelo próprio Deus Criador. Ocupação pacífica de todo e qualquer lugar que se faça necessário à sobrevivência, quanto mais quando a “invasão” é de algum terreno baldio, de alguma ruína, de algum túnel desativado, os ditos elefantes brancos do meio urbano, como os catadores desde que começaram a existir, sempre fizeram O Nazareno dedicou-lhes uma das oito bem-aventuranças quando proclamou, no sermão da montanha “bem-aventurados os mansos porque possuirão a Terra”. O direito do pobre, estabelecido por Deus desde sempre é o da posse da terra. O direito de propriedade é fabricado pelos ricos a fim de amealhar riquezas  e sempre mais riquezas.

Antonio Cechin é irmão marista, fundador da Pastoral da Ecologia, militante dos movimentos sociais, autor do livro Empoderamento Popular. Uma pedagogia de libertação. Porto Alegre: Estef, 2010.
O artigo foi publicado no site do IHU Unisinos, edição de 05/11/12.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Ecoprofetas mobiliza catadores para o Seminário Metropolitano sobre Políticas e Práticas da Gestão de Resíduos Sólidos


A Associação Caminho das Águas, coordenada por Irmão Antônio Cechin, através do Projeto Caminho das Águas – Ecoprofetas, patrocinado pelo Programa PETROBRAS Desenvolvimento & Cidadania está mobilizando catadores para o Seminário Metropolitano sobre Políticas e Práticas da Gestão de Resíduos Sólidos, que acontecerá dia 8 no Unilasalle, em Canoas. O Seminário, promovido pela Fundação La Salle e Tecnosocial do Unilasalle, contará com a participação de catadores de diversas cooperativas e associações e a parceria do projeto Ecoprofetas para mobilizar os trabalhadores dos seus 14 coletivos da região metropolitana de Porto Alegre e Vale do Sinos. 
*Certificado com validade de atividade de extensão, emitido pelo Unilasalle.

Público alvo: Profissionais de organizações públicas ou privadas, entidades sociais, profissionais da área, professores, estudantes e comunidade.
Data: 08 de novembro de 2012
Horário: 09h às 20h
Local: Auditório Arsênio Both do Unilasalle, na Av. Victor Barreto, 2288 - Centro de Canoas, ao lado da Estação Canoas/La Salle do Trensurb. Fone: (51) 3476.8500

Clique AQUI para obter mais informações e fazer a inscrição 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Semana da Paz 2012 no “Espirito de Assis”


Em Favor da Paz! Contra Mercantilização da Vida
Em 27 de outubro de 1986, 130 responsáveis das principais religiões do mundo se encontraram em Assis/Itália para rezar pela paz e proclamar que a religião nunca deve se tonar motivo de conflito, ódio e violência.
Desde esse dia, a cidade onde nasceu Francisco de Assis, tornou-se para todo o mundo e para todas as religiões um apelo à verdadeira Paz. Bem expressados nas palavras de João Paulo II: “Continuemos a difundir a mensagem da Paz. Continuemos a viver o espirito de Assis”.
Em compromisso com esse “Espirito Profético de Assis” franciscanos e franciscanas procuram atualizar essa proposta de Paz nos dias de hoje nos lugares onde se encontram.
Por isso, convidamos a quem se sente parte da Família Franciscana ou se considera simpatizante do ideal de Francisco de Assis e Clara de Assis a promover ações/ atividades que nos remetam a Justiça Ambiental, em ocasião do dia 27 de Outubro.
O tema da Semana da Paz 2012: Em Favor da Paz! Contra Mercantilização da Vida
Continuando o compromisso que firmamos na Rio+20 com os Franciscan@s do mundo presentes na Conferencia, seguimos com o tema Justiça Ambiental na ocasião da memoria do “Espirito de Assis”
Direitos básicos como saúde, educação, cultura, moradia entre outros, há tempos já não são mais direitos e sim mercadorias. Ter acesso a esses serviços com alguma qualidade significa ter que pagar. O que acaba excluindo grande parte da população.
Nessa semana da Paz queremos chamar a atenção a outros bens, que por direito são públicos, mas que, também já começam a se tornar mercadorias.
Queremos vivenciar uma ação comum e sintonizada, em Favor da Paz e contra todo o processo que mercantiliza a vida no planeta. Convidamos que você, na sua localidade realize alguma ação para lembrar o “Espírito de Assis” e dar visibilidade ao nosso compromisso francisclariano pela construção da fraternidade universal.
Leia mais nos sites do Sinfrajue e Sefras

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Ecoprofetas entrega equipamento que melhora o trabalho em Cooperativa de Catadores de Canoas


Na tarde desta segunda-feira, 24, a Associação Caminho das Águas, através do projeto Caminho das Águas – Ecoprofetas, patrocinado pela Petrobras, realizou a entrega de uma esteira para o coletivo de catadores Cooperativa Renascer, no bairro Guajuviras, em Canoas. Na solenidade a Associação Caminho das Águas esteve representada pelo seu coordenador geral, Irmão Antônio Cechin, Vilson, Pilato e os educadores Roque e Odete que acompanham o coletivo. Também estiveram presentes representantes da Tecnosocial Unilasalle e da Prefeitura Municipal de Canoas, através da Secretaria de Meio Ambiente.
Roque Spis coordenou o ato solene e na abertura explicou como se deu o processo para a participação do coletivo no projeto. A Associação Caminho das Águas consultou todos os coletivos sobre suas principais demandas e a Cooperativa Renascer indicou como prioridade a aquisição de balança, esteira e EPIs, bem como o acompanhamento de educadores para a formação interna e a questão da segurança alimentar. Roque colocou que o coletivo foi desafiado a melhorar as condições de trabalho. A educadora Odete Spis, que trabalha a formação no coletivo, compartilhou que a vinda da esteira representa um grande desafio para a cooperativa, “é o desafio de trabalhar num modo diferente”, disse.
Lourdes, representando a Tecnosocial Unilasalle falou de sua satisfação com o evento e com o trabalho de parceria com o Ecoprofetas. “É uma satisfação para a gente estar nessa parceria que muito contribui com a melhoria do trabalho dos catadores”, afirmou.
Eugênio Ávila, diretor de Resíduos e Coleta Seletiva da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Canoas, disse que “a Prefeitura só tem a agradecer esta parceria com o Irmão Antônio Cechin, a Associação Caminho das Águas. Uma parceria que nos ajuda em nosso objetivo de ampliar a coleta seletiva na cidade”. Destacou também que Canoas foi pioneira na implementação da Política de Resíduos Sólidos, onde as cooperativas de catadores são protagonistas na Coleta Seletiva.
Fernando, um dos coordenadores da Cooperativa Renascer, agradeceu Irmão Antônio Cechin, o projeto Caminho das Águas pela parceria e pela presença dos educadores que acompanham o coletivo. Micheli, que faz parte da cooperativa, destacou que “foi a presença dos educadores do Ecoprofetas e a possibilidade da vinda da esteira que melhorou a nossa realidade. É muito mais que uma esteira e uma balança, é um impulso na nossa vida e na organização”, salientou Micheli. O senhor Adair, um dos cooperados, disse que está há muitos anos nesta organização e agora começou a ver melhoras. É importante que “junto com os equipamentos tem a parte educativa”.
Irmão Antônio Cechin, coordenador geral do Ecoprofetas, se emocionou ao falar e disse “imaginem a minha emoção em ver vocês recebendo este equipamento para facilitar o trabalho e melhorar a renda e, consequentemente, a vida das famílias”. Cechin parafraseou o Evangelho onde Jesus disse: “Foi tua fé que te salvou”, dizendo que, “no caso dos catadores é a fé como teimosia, a fé na transformação que o ser humano é capaz de fazer”. Observou que os catadores são teimosos e lutam com perseverança por seus objetivos e demandas.
Irmão Antônio salientou que “os catadores são os verdadeiros profetas da ecologia, que denunciam o consumismo e anunciam a era da ecologia e são vocacionados para salvar a vida do Planeta”. Cechin também avaliou que Canoas tem a melhor legislação de reciclagem que conhece e destacou o empenho do governo do prefeito Jairo Jorge. Irmão também fez alguns destaques da caminhada das Comunidades Eclesiais de Base no Rio Grande do Sul, como, por exemplo, a organização dos catadores que se iniciou em Canoas e nas Ilhas do Guaíba em Porto Alegre.
Após a solenidade, os recicladores inauguraram a esteira com muita animação. E para festejar o momento importante na vida deles, a Cooperativa brindou os participantes do evento com um gostoso coquetel. E no restante da tarde, sob a coordenação dos educadores do Ecoprofetas, Roque e Odete, os trabalhadores realizaram um treinamento do novo modo de fazer a triagem, com a esteira.

domingo, 17 de junho de 2012

Irmão Antônio Cechin está completando 85 anos, hoje, dia 17 de junho de 2012


Esta data merece ser celebrada com muita gratidão ao Deus criador e defensor da vida por ter dado a este querido irmão todo o animo com que ele vive o seu dia-a-dia, lutando pela libertação e empoderamento dos mais pobres e pela integridade da natureza.
Queremos agradecer a Deus pela vida do Irmão Cechin, pelos seus 85 anos, pela sua trajetória que fez e faz diferença na vida de muitas pessoas.
E a melhor forma de homenagear este grande herói é dizer que continuamos ao seu lado renovando o compromisso de lutar sempre em defesa da justiça, da paz e da ecologia.
Na Igreja e na sociedade ele fez diferença com a Catequese Libertadora, na organização das Comunidades Eclesiais de Base, na Teologia da Libertação, no surgimento de pastorais como a CPT e a Pastoral da Ecologia, de movimentos sociais como o MST e a organização dos catadores. Com sua pedagogia libertadora, Irmão Antônio foi uma presença decisiva no movimento comunitário, fazendo surgir várias ocupações urbanas, a renovação do movimento operário e diversas mobilizações populares que provocaram mudanças na sociedade brasileira.
Deus criou o mundo e continuou criando e reinventando a vida, Irmão Antônio Cechin, aos 85 anos, continua lutando pelo Projeto de Deus.
Parabéns, querido Irmão Antônio.
Deus esteja sempre contigo e lhe dê saúde, paz, alegria e o melhor do bem viver.
Pastoral da Ecologia - RS

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Oficina da Pastoral da Ecologia no FST - A defesa da Vida em Plenitude


Com o intuito de ser um momento de trocas de experiencia e uma oportunidade para discutir sobre a transversalidade da ecologia na missão da Igreja, numa ótica ecumênica, a Pastoral da Ecologia do Regional Sul 3 estará realizando no próximo dia 25 de janeiro, às 13h, a oficina "Justiça, Paz e Ecologia: a defesa da vida em plenitude".
A ecologia faz parte do testemunho da fé cristã, onde está intrinsecamente relacionada com justiça e paz. O mesmo sistema que degrada do meio ambiente é o que explora o ser humano e causa guerras e conflitos ao redor da Terra. A gravidade dos problemas ambientais tem como causa principal o modelo de exploração dos recursos naturais e do trabalho humano. A verdadeira paz e harmonia entre os seres humanos requer a paz e a justiça com toda a criação.
Tema: Justiça, Paz e Ecologia: A defesa da Vida em Plenitude
Data: 25/jan
Horário: 13h00
Local: Assembleia Legislativa do RS
Sala: José Antônio Lutzenberger

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Defesa da água como bem público e direito universal marcou a 18ª Romaria das Águas


Ás 9 horas desta quarta-feira, dia 12, centenas de romeiros e romeiras saíram da Usina do Gasômetro numa procissão fluvial em direção ao estaleiro da Ilha da Pintada, onde encontraram outros barcos menores, sendo um deles o portador da imagem de Nossa Senhora Aparecida das Águas. Da ilha de volta ao Gasômetro, a imagem da Senhora das Águas conduziu romeiros e romeiras que cantavam e rezavam em diversas crenças e anunciavam o valor comum para todos, que é o cuidado com a natureza. Assim iniciou em Porto Alegre a 18ª Romaria das Águas, com o tema: "Água, bem público e direito universal"
Ao retornar para a Usina do Gasômetro, outras centenas de pessoas aguardavam a chegada da imagem e seus romeiros/as. A Senhora das Águas foi recebida num corredor humano formado pela fraternidade de pessoas de diversas religiões que se deram as mãos para acolher a imagem que denúncia abuso e o desrespeito com as águas e anuncia o cuidado ecológico da vida. Após a fraterna recepção da imagem, o largo do Gasômetro se tornou um grande templo, onde a diversidade religiosa cultural celebrou o amor e compromisso com a criação de Deus. Todas as manifestações foram unanimes em defender a Água como um bem público e direito universal. Líderes religiosos defendem que a Água nunca jamais deve ser privatizada. E que toda a população tem direito de receber em sua casa a água potável, sem ter que pagar por ela como mercadoria.
O coordenador da Associação Caminho das Águas, Irmão Antônio Cechin, falou sobre a importância de todos os romeiros e romeiras se comprometerem com a luta em defesa do serviço público e de qualidade na distribuição da Água. Entre os manifestantes, estava o ex-governador, Olívio Dutra, que também foi Ministro das Cidades e falou em defesa da Água como bem público.
O encontro contou com a presença da equipe do programa Vida no Sul, que gravou com o grupo de Antônio Gringo para a próxima edição do programa que vai ao ar no sábado às 22 horas. Após a Tribuna Ecológica, a 18ª Romaria das Águas encerrou com a Cerimônia do envio e o compromisso no Rito de purificação das Águas.
Esta foi a 18ª edição da Romaria das Águas que iniciou com a devoção de catadores nas Ilhas do Guaíba, quando encontraram junto ao "lixo" a imagem de Nossa Senhora Aparecida. A imagem estava quebrada, mas colaram, prepararam um altar, ascenderam velas e rezaram para a Mãe e Senhora das Águas que hoje reúne pessoas de diversas religiões e denominações religiosas, mas, com um único objetivo: preservar a vida que Deus criou.
O evento Romaria das Águas não ocorre em apenas um dia. Na verdade, a Romaria culmina no dia 12 de Outubro em Porto Alegre, mas a imagem da Senhora das Águas percorre diversas cidades do Estado na coleta de água das nascentes. Fazendo um roteiro de coleta, a Romaria acontece num longo processo de educação ambiental e campanha pela preservação e respeito para com as águas e o meio ambiente. A iniciativa da Romaria foi do Irmão Antônio Cechin, coordenador da Associação Caminho das Águas, que além de promover a Romaria das Águas, também é responsável pela Bicicletada Caminhos de Sepé e desenvolve um trabalho permanente com os catadores de Porto Alegre e região. A realização desta Romaria contou com o apoio de diversas entidades religiosas, como a FAUERS (Federação Afro-Umbandista e Espiritualista no Rio Grande do Sul), a Pastoral da Ecologia da CNBB Sul 3. A Romaria também teve o apoio da CORSAN e da Assembléia Legislativa, através da Comissão de Saúde e Meio Ambiente. Nos municípios onde passou a imagem e se realizou a coleta das águas, a Romaria teve o apoio de entidades locais e em muitos casos das administrações municipais.
Na Romaria deste dia 12 de outubro de 2011 se iniciou a distribuição de uma cartilha sobre o cuidado das Águas, elaborada pela Professora Maria Inês de Canoas, com o apoio do Ministério do Meio Ambiente e que continuará sendo distribuída, de modo especial para as escolas.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

10 Anos de Pastoral da Ecologia - RS



A Pastoral da Ecologia foi criada na CNBB do Rio Grande do Sul no início do novo milênio, através do empenho e da coragem do Irmão Antônio Cechin, juntamente com outros companheiros/as, alguns da Família Franciscana, do Sinfrajupe e da OFS e pessoas comprometidas com a causa dos catadores. Ao longo de 10 anos de caminhada, a nova Pastoral procurou ser uma referência para que a Igreja pudesse se manifestar e agir frente às questões ambientais. Como costuma dizer nosso mestre, Irmão Cechin, “a ecologia entrou na Igreja através dos pobres”. Pois, a CNBB reconheceu esta nova pastoral por causa das experiências de trabalho com os catadores.
Desde os primeiros momentos a Pastoral da Ecologia é uma pastoral socioambiental e ecumênica. Envolvida no processo da Romaria das Águas, a Pastoral sempre teve uma forte presença de ecumenismo. E além de ser colaboradora na Romaria das Águas, nossa Pastoral coopera na organização de outras iniciativas sociais e ecumênicas, como, por exemplo, a Bicicletada “Caminhos de Sepé”. E também marcamos presença ativa na organização de diversas edições do Grito dos Excluídos e participação na Romaria da Terra.
Com uma equipe de coordenação regional, a Pastoral da Ecologia também tem a missão de colaborar com a Igreja, motivando as comunidades para o compromisso com a criação de Deus. Por isso, procuramos realizar seminários em âmbito estadual para reunir representação das dioceses. Conseguimos promover 5 seminários, sendo que os dois primeiros tiveram boa participação e os três últimos foram menores. Porém, ricos nos debates e nas reflexões e comprometimentos. As questões da Água e do “Lixo” sempre foram eixos centrais assumidos pela Pastoral da Ecologia. E em nosso último encontro refletimos sobre “qual é a nossa ecologia?”. E confirmamos nosso comprometimento com uma ecologia social, holística e ecumênica, que integra o ser humano; uma ecologia critica, com a compreensão de que o sistema que degrada o meio ambiente é também o mesmo que explora e marginaliza as pessoas. Percebemos que o mesmo modelo político, social e econômico de sociedade, que destrói a natureza é o que violenta as relações humanas, causando guerras e fome. Diante desta compreensão, avaliamos ser importante fortalecer e gestar novos grupos de base e atuar em rede, considerando que é preciso olhar e agir global e localmente.
Desde o início, como Pastoral da Ecologia, lutamos muito para criar equipes diocesanas de pastoral ecológica, o que não se concretizou plenamente. Por isso, optamos pelos Grupos Ecológicos de Base. E os nossos seminários, reuniões e encontros de debates e reflexões, foram clareando a importância de se criar grupos de base e este é hoje um dos principais compromissos da nossa Pastoral, enquanto equipe regional. Entendemos, portanto, que a estrutura funcional da Pastoral da Ecologia se dá na organização de grupos de base articulados em rede.
Para a Pastoral da Ecologia é fundamental a opção pelos pobres, a defesa das pessoas e da natureza degrada pela ambição do capital. Por isso, não tivemos dúvida em apoiar o movimento em defesa da orla do Guaíba, quando ocorreu o plebiscito em Porto Alegre e desde 2010 estamos somando força nas lutas contra a mudança no Código Florestal. Também tomamos partido ao lado de Dom Cappio em defesa do Rio São Francisco. Apoiamos e trabalhamos juntos na campanha pelo limite da propriedade da terra. E, em homenagem aos Guaraní e São Sepé Tiaraju, o lema que usamos em nosso blog é “Na luta pela Terra sem males”.
Vale lembrar que a Pastoral da Ecologia tem quatro pilares de sustentação: testemunho, diálogo, denúncia e anúncio. Ser Pastoral da Ecologia é dar testemunho da fé no Deus criador, cuidando e defendendo a vida das ameaças que sofre nos dias de hoje. E para melhor cuidar, é preciso somar forças, buscar o diálogo e trabalhar com outras pessoas que também acreditam e lutam nesta causa. E, na força do testemunho, no diálogo e na cooperação, podemos e devemos denunciar os abusos e desrespeitos com a vida. Denunciamos, pois, a degradação humana e ambiental, anunciando o Reino Ecológico de Deus, que é a vida em plenitude.
A Pastoral da Ecologia nasceu no início do novo milênio e temos como data de referência a realização do nosso primeiro seminário estadual, que ocorreu poucos dias antes da Festa de São Francisco de Assis, ao romper da Primavera de 2001, entre os dias 21, 22 e 23 de setembro, em Porto Alegre. Portanto, neste ano de 2011 se completam 10 Primaveras da Pastoral da Ecologia. E podemos dizer com São Francisco: “Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas”.
Esta é, em poucas palavras, a Pastoral da Ecologia do Rio Grande do Sul, que quer contar com a tua presença solidária para que, juntos, no testemunho, no diálogo, na denúncia e no anúncio, possamos construir um mundo melhor, de justiça e paz com toda a criação de Deus.
Pilato Pereira - Coordenador da Pastoral da Ecologia - RS

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