sábado, 14 de agosto de 2021

O Chamado Francisclariano na Ordem Terceira

Somos irmãs e irmãos no caminho do Evangelho de Cristo, seguindo o exemplo de Clara e Francisco de Assis. Assumimos o desafio de acolher o chamado francisclariano, testemunhando nossa fé na Ordem Terceira de um movimento plural que transcende os espaços de tempo e lugar.

Francisco, nosso pai seráfico, decidiu viver o Evangelho e o Senhor lhe deu muitos irmãos e não o separou de Clara que também, por graça de Deus, recebeu irmãs decididas a viver a radicalidade da pobreza evangélica. Mas, pelas circunstancias do tempo e do lugar social e eclesial onde se encontravam, os jovens Clara e Francisco tiveram que formar dois grupos, duas diferentes ordens, para viver em fraternidades de vida comunitária.
Por mais que Francisco tivesse a firme convicção de ter o mundo como convento, as limitações eclesiais não permitiram que a diversidade do mundo fizesse parte plenamente do seu movimento de vida evangélica. Mas, não cessava de aparecer pessoas com o desejo de seguir seu exemplo na vida quotidiana. Por isso, nosso pai seráfico acolheu o terceiro ramo de sua família. E assim nasceu a Ordem Terceira como uma forma de vida secular de penitencia, reunindo mulheres e homens com o propósito de praticar o Evangelho de Cristo desde suas casas, no seu trabalho e na vida diária com seus afazeres.
A Ordem Terceira não vem como alternativa para uma pessoa entrar no movimento de Francisco e Clara sem ter que renunciar suas propriedades, mas como forma de administrar o próprio tempo, os bens materiais e tudo o que possui em favor da causa do Evangelho. Por isso, ela reúne mulheres e homens, fiéis leigos e clérigos em fraternidades abertas para todas as pessoas cristãs. A Ordem Terceira acolhe pessoas jovens, casadas, viúvas e celibatárias e de todas as idades, de todas as classes sociais, todas as profissões, todas as raças e etnias. E como são pessoas que se dedicam a viver conforme uma Regra de Vida, tendo em comum valores e princípios cristãos, não constituem uma simples associação, mas são reconhecidas pela Igreja como uma Ordem de irmãs e irmãos.
É importante frisar sobre a vocação terciária, sobre o chamado para viver uma fraternidade aberta na Ordem Terceira. Sem dúvida que as três ordens possuem muito em comum, mas cada uma delas tem características peculiares para atualizar o sonho de Clara e Francisco no mundo. A vida fraterna é algo transversal na família francisclariana, mas a Ordem Terceira constitui fraternidades abertas, que vão além do modo de vida comunitária. Mais do que cumprir horários comuns para oração, trabalho e apostolado, como é normal nas outras ordens, as irmãs e os irmãos da Ordem Terceira compartilham de valores e princípios, aspirações e compromissos que as identificam como parte da família francisclariana, mas também as diferenciam como o terceiro ramo desta família.
O habito que reveste uma pessoa da Ordem Terceira é o seu testemunho de vida. Por isso, não temos uma vestimenta uniforme, com uma cor ou modelo padrão, normalmente adotado nas outras ordens. Nos vestimos conforme nossa cultura e desejo pessoal; e de tal maneira que possamos nos aproximar das outras pessoas. Também temos a liberdade de usar diferentes símbolos que expressam nossa fé ou nossas convicções filosóficas, com as quais interagimos no mundo do trabalho, da ciência ou da política. Evidente que temos alguns símbolos em comum, como, por exemplo, a cruz que portamos no peito como sinal de fé e compromisso cristão. Algumas pessoas costumam usar o Tau que se consagrou como sinal da conexão com São Francisco de Assis e o anel de tucum como uma expressão da opção pelos pobres na América Latina.
Nossa vocação nasce do desejo de viver o Evangelho no mundo. É um chamado para se dedicar a ouvir e anunciar a Palavra de Deus na interação quotidiana com a diversidade e as complexidades da vida humana. Somos uma ordem secular e carregamos o sonho primordial de Francisco, que é viver o Evangelho no mundo, ser fraternidade na diversidade e dar testemunho da verdadeira alegria e da pobreza evangélica. Mesmo sem o uso do habito religioso ou qualquer outro símbolo institucional, o nosso exterior, na relação com as outras pessoas e a natureza, deve expressar nossa intimidade com Deus. Nas palavras, nos gestos, no silêncio, na arte, no trabalho, na luta e no ritmo natural da vida, testemunhamos o amor de Deus. Isto é o que acredito ser o chamado francisclariano na Ordem Terceira.
A vocação, que parece ser obra do acaso, é um sopro do Divino Espírito que chama a vida em favor da vida. O mesmo Espírito, a Ruah que impulsionou Clara e Francisco, também desperta pessoas, liberta corações e mentes para abraçar o Evangelho no tempo e no lugar onde Deus quer estar para amar toda a criação. Nosso chamado é uma espiritualidade de livre pertença ao mundo e amorosa presença nas ações onde a Divina Ruah transforma a face da Terra. E, por falar em espiritualidade francisclariana, lembremo-nos de que Clara de Assis, com afeto e coragem, nos mostra o espelho que reflete nossa humanidade onde Deus faz sua morada e se torna nosso alimento. Portanto, em toda parte do mundo, por onde andamos como irmãs e irmãos da Ordem Terceira, respondemos ao chamado para a comunhão que envolve o mundo no amor de Deus, que vê e respeita a sacralidade da vida. Nosso convento é o mundo.
 
Reverendo Pilato Pereira - Capelão da TSSF Brasil
Porto Alegre, 11 de agosto de 2021 AD.
Festa de Santa Clara de Assis

sexta-feira, 27 de março de 2020

Coronavírus (COVID-19)

Coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus foi descoberto em 31/12/19 após casos registrados na China. Provoca a doença chamada de coronavírus (COVID-19).

Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa.

A maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem com o tipo mais comum do vírus. Os coronavírus mais comuns que infectam humanos são o alpha coronavírus 229E e NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1...


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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A Primavera sempre volta

Assim como o Verão, o Inverno e o Outono, a Primavera sempre volta, sem nunca ter nos deixado. Como o Sol que surge no horizonte, se alastra e depois se põe e no dia seguinte, mesmo as escondidas, lá está ele novamente cumprindo seu ritual de nascer e morrer, sem nunca deixar de viver. Assim é a vida. As flores que agora são flores virão a ser frutos e os frutos alimentam outros seres e guardam suas sementes que morrem para gerar vida que floresce. E quanto mais nos detemos a observar e compreender os mistérios da natureza, mais nos envolvemos em mistérios que se revelam e velam verdades tantas. Existem paisagens belas que são reveladas pela luz do dia e outras, igualmente belas, ganham forma através da noite. E o que noite esconde, o dia desvela e o que o dia desfaz, a noite refaz.
Setembro está quase de partida, mas nos deixa, aqui no hemisfério Sul, de presente, a Primavera, a estação das flores e da unimultiplicidade das cores da vida. Bem-vinda a Primavera, ela que sempre vem prenunciada pelo majestoso canto do Sabiá, que anuncia o cio da terra.
Como disse Che Guevara: “podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a Primavera”. Pois, todos os anos ela vem desabrochar a vida, reflorescer os sonhos e acordar a esperança, embelezar e perfumar a convivência das pessoas e a natureza. A Primavera exibe as cores da vida. Ela expõe um espetáculo que não é somente seu, mas a sua missão é exibir a vida em forma de flores. Mas, para que existam flores na Primavera, é preciso o calor do Verão, a transição do Outono e o frio do Inverno. Tudo depende de tudo e tudo está interligado com tudo. O capricho da natureza, muitas vezes desconhecido durante as outras estações, resulta na beleza da Primavera. Quando nos encantamos com as flores desta estação, é bom reconhecer o quanto foi importante o clima regular das outras estações. Não haveria Primavera se não fosse o Inverno. Quando reclamávamos daqueles dias frios que só se saia de casa por extrema precisão, a natureza silenciosamente se servia daquele clima para nutrir a vida. E agora, com toda eloquência, a Primavera canta a poesia da vida.
A Primavera é mesmo fascinante. Sua missão é revelar a beleza da vida que, por vezes, passa despercebida. E quando a Primavera nos diz que a vida é linda e nós humanos compreendemos a sua poesia, a vida realmente se torna melhor. Também externamos as nossas cores. Cores de sentimentos, desejos, pensamentos, ideias, ideologias, crenças e filosofias. As cores que pintamos e vestimos e também as cores de bandeiras que erguemos. E quando essas bandeiras pregam paz, justiça e dignidade, elas movem o mundo porque expressam nossa humanidade. E as flores na Primavera expressam a beleza que o tempo todo está na essência da vida.
Pilato Pereira

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Caminhada Ecológica cancelada por excesso de chuvas

Paz e Bem!
A Diocese Meridional tinha programado uma Caminhada Ecológica de encerramento da Semana Franciscana para o dia 11 de outubro, próximo sábado, em Santo Antônio da Patrulha e Caraá, mas a mesma foi cancelada por causa do excesso de chuvas. 
As comunidades da Missão do Advento, na Quebrada do Rio dos Sinos, município de Caraá, do Ponto Missionário Emanuel e da Paróquia São Mateus, de Santo Antônio da Patrulha, estavam mobilizadas para receber os participantes desta caminhada e repetir o ótimo encontro ocorrido em 2014. Mas, esse momento de espiritualidade e consciência ecológica fica para uma outra oportunidade. 
Informando o cancelamento da Caminhada Ecológica nesta data, agradecemos a acolhida e apoio manifestado pelas comunidades de Caraá e Sto. Antônio, também anunciamos que possivelmente, seja agendada nova data para uma atividade em alusão ao tema do meio ambiente no local onde estava previsto o evento de sábado. 

Abraços fraternos do Movimento Francisclariano e TSSF da Diocese Meridional.

domingo, 6 de setembro de 2015

Grito dos Excluídos 2015

A 21ª edição do Grito dos Excluídos, em 2015, tem como lema: "Que país é este que mata gente, que a mídia mente e nos consome?"

Em Porto Alegre, terá um ato no dia 7 de setembro, a partir das 9h00.
- Concentração na Av. Aureliano de Figueiredo Pinto, 155 (em frente ao CTG da Azenha).
- Abertura e mística.
- Interação com o povo do Acampamento Farroupilha e do desfile militar. 

Clique na imagem para ampliar e ver co cartaz do 21º Grito dos Excluídos.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

'Laudato si': a íntegra e um "guia" para a leitura da Encíclica

No dia de hoje foi lançada, oficialmente, a Carta Encíclica Laudato Si' do Santo Padre Francisco sobre o cuidado da casa comum.

Para ler a íntegra do texto, em português, clique aqui.

Também pode ser visto, clicando aqui, um vídeo, de 6min18s, de divulgação da encíclica.

Um vídeo, em tom humorístico, sob o título Papa Francisco na Encíclica: a batalha heroica contra a mudança climática, pode ser visto clicando aqui.

Clique AQUI para ler um guia de leitura do texto, divulgado por Radio Vaticano, 18-06-2015 e publicado no IHU Unisinos

"Laudato si": Francisco dá voz a "clamor dos pobres" e fala em "dívida ecológica"

Encíclica liga preocupações ambientais à justiça social a nível global

Cidade do Vaticano, 18 jun 2015 (Ecclesia) - O Papa afirma na sua nova encíclica, divulgada hoje, que as preocupações ecológicas têm de estar ligadas à promoção de uma maior justiça social a nível global.

“Uma verdadeira abordagem ecológica torna-se sempre uma abordagem social, que deve integrar a justiça nos debates sobre o meio ambiente, para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres”, escreve Francisco, num texto intitulado ‘Laudato si. Sobre o cuidado da casa comum’.

O Papa dá voz aos pobres de hoje, “que poucos anos têm para viver nesta terra e não podem continuar a esperar”.

A encíclica pede uma maior “ética” nas relações internacionais e fala numa “dívida ecológica”, particularmente entre o Norte e o Sul, que exige respostas de “solidariedade” numa “opção preferencial pelos mais pobres”.

“É necessário que os países desenvolvidos contribuam para resolver esta dívida, limitando significativamente o consumo de energia não renovável e fornecendo recursos aos países mais necessitados”, apela.

O Papa refere que os países em vias de desenvolvimento, “onde se encontram as reservas mais importantes da biosfera”, continuam a alimentar o progresso dos países mais ricos.

Nesse sentido, alerta para a “deterioração do mundo e da qualidade de vida de grande parte da humanidade”, que afeta de modo especial “os mais frágeis do planeta”.

“Já se ultrapassaram certos limites máximos de exploração do planeta, sem termos resolvido o problema da pobreza”, alerta.

É necessário que os países desenvolvidos contribuam para resolver esta dívida
Francisco recorda que milhões de seres humanos se “arrastam numa miséria degradante”, enquanto outros “não sabem sequer que fazer ao que têm”, concluindo, por isso, que “o crescimento nos últimos dois séculos não significou, em todos os seus aspetos, um verdadeiro progresso integral”.

O novo documento observa que o aquecimento causado pelo “enorme consumo” de alguns países ricos tem repercussões nos lugares mais pobres da terra, especialmente na África.

“Chegou a hora de aceitar um certo decréscimo do consumo nalgumas partes do mundo, fornecendo recursos para que se possa crescer de forma saudável noutras partes”, defende.

A este respeito, Francisco recorda os problemas ligados à poluição da água e às doenças que lhe estão relacionadas, “um fator significativo de sofrimento e mortalidade infantil”.

A situação afeta particularmente os mais pobres, que não têm “possibilidades de comprar água engarrafada”, o que pode ser agravado pela “tendência para se privatizar este recurso escasso, tornando-se uma mercadoria sujeita às leis do mercado”.

“Este mundo tem uma grave dívida social para com os pobres que não têm acesso à água potável, porque isto é negar-lhes o direito à vida radicado na sua dignidade inalienável”, escreve o Papa.

A encíclica conclui-se com duas orações redigidas por Francisco, numa das quais se reza pelos “donos do poder e do dinheiro para que não caiam no pecado da indiferença, amem o bem comum, promovam os fracos, e cuidem deste mundo”.

Publicado por Agência Ecclesia em 18 de Junho de 2015, às 11:40

"Louvado Seja", a Encíclica Verde do Papa Francisco

Ecologia integral. A grande novidade da Laudato Si'. "Nem a ONU produziu um texto desta natureza''. Entrevista especial com Leonardo Boff

O conceito de ecologia integral é "o ponto central da construção teórica e prática da Laudato Si". Receio que ela não seja entendida pela grande maioria, colonizada mentalmente apenas pelo discurso antropocêntrico de ambientalismo, dominante nos meios de comunicação social e infelizmente nos discursos oficiais dos governos e das instituições internacionais como a ONU. Como o novo paradigma sugere, todos formamos um grande e complexo todo", afirma o teólogo e escritor.

"A visão da ecologia integral é sistêmica, integra  todas as coisas num grande todo dentro no qual nos movemos e somos. Deste nexo de relação de todos com todos, o Papa o faz derivar de um dado teológico. Deus-Trindade é por essência relação eterna e simultânea entre as três divinas Pessoas. Se Deus-Trindade é relação, então tudo no universo é também relação", comenta Leonardo Boff ao analisar, em entrevista concedida à IHU On-Line por email, a Carta Encíclica Laudato Si' de Papa Francisco sobre o cuidado da casa comum, publicada na manhã de hoje, 18-06-2015.

Segundo o teólogo, para o Papa Francisco, "não vale o motto norte-americano: um só mundo - um só império. Mas um só mundo e um só projeto comum".

Leonardo Boff ressalta que o "Papa assume a metodologia que ele mesmo fez incluir explicitamente no documento de Aparecida: ver, julgar, agir e celebrar. Este método tem a vantagem de partir sempre de baixo, das realidades concretas, dos desafios reais e não de doutrinas a partir das quais se fazem deduções, geralmente abstratas e pouco mordentes quando referidas aos temas suscitados".

E lembra uma frase de São Tomás de Aquino: "um erro no conhecimento do mundo pode nos induzir a um erro no conhecimento de Deus. Tudo está em relação. As ciências a seu modo servem ao Senhor de todas as coisas".

"O valor desta encíclica - continua - não se mede apenas por aquilo que ela propõe, mas pelo ensinamento dos demais bispos espalhados pelo mundo inteiro. Isso também constitui uma novidade deste pontificado, em tantos pontos tão inovador e surpreendente".

E conclui lembrando "a frase humorística de Chesterton: estamos todos no mesmo barco e todos estamos enjoados. Todos não. Seguramente não o Papa Francisco". 

Leonardo Boff é teólogo, filósofo e autor de uma imensa obra sobre temas ambientais. Desta obra, citamos Ecologia: grito da Terra, grito dos pobres, recentemente reeditada.

Confira a entrevista completa no site IHU Unisinos

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