domingo, 26 de julho de 2009
A História das Coisas - Dublado Partes 1 e 2
A História das Coisas - Dublado Parte 2
sábado, 25 de julho de 2009
“Trem das CEBs” segue de Porto Velho para o Ceará
Com o voto de nove regionais da CNBB, o estado do Ceará foi escolhido para acolher o 13° Encontro Intereclesial das CEBs, em 2013. Além do Ceará (Regional Nordeste 1 da CNBB), São Paulo (Sul 1), com dois votos, e Paraná (Sul 2), com seis votos, concorreram para sediar o próximo intereclesial.O anúncio do Ceará como sede do 13° Intereclesial foi recebido com muita festa pelos nordestinos e demais participantes do encontro. Crato será a diocese anfitriã.
Às 15h (horário local), teve início a caminhada dos participantes do encontro em direção ao Estádio Aloísio Ferreira onde foi celebrada a missa de encerramento. Durante a missa, os 17 regionais da CNBB apresentaram os compromissos assumidos neste encontro.
Fonte: www.cebs12.org.br
Consumo crescente de carne é insustentável

Site do IHU: www.ihu.unisinos.br
Uma campanha propõe um dia vegetariano por semana para frear o maior emissor de CO2: o gado. A ideia bate de frente com uma tendência global de abuso no consumo de carne como sinal de riqueza. A reportagem é de Antía Castedo e está publicada no jornal espanhol El País, 24-07-2009. A tradução é do Cepat.
A ecologia contra a pecuária? Uma nova e surpreendente batalha irrompe no front ambiental: reduzir o consumo de carne nos países ricos seria um método rápido e eficaz para que cada cidadão contribua para frear o aquecimento global. Menos consumo de carne implicaria em menos rebanho e menos emissões. Mas a proposta, apoiada por celebridades como Paul McCartney, bate de frente com a tendência crescente do consumo de carne em todo o mundo, na qual se destacam as regiões emergentes como sinal da riqueza conquistada. Sabia-se que abusar da carne não era saudável. Agora, além disso, não é verde.
A campanha foi posta em prática no Reino Unido com o lema Segunda-feira sem carne. O objetivo: converter-se em vegetariano um dia por semana para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Segundo o ex-Beatle, é uma forma de contribuir individualmente e sem grandes esforços na batalha contra o aquecimento global. A carne pode ser medida em emissões de CO2: consumir um quilo de carne bovina equivale a viajar 250 quilômetros de carro.
O gado está na ponta da mira dos ecologistas não apenas pelo CO2 que emite através de seu sistema digestivo. Também porque para a sua alimentação são desmatadas grandes extensões de florestas. Em defesa do gado comparece o setor pecuário, que abriga nada menos que 1.3 milhão de pessoas no mundo, e a demanda do consumidor, que pede mais filés.
A FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) calculou em 2006 que o setor pecuário emite mais gases de efeito estufa – 18%, medido em seu equivalente em dióxido de carbono – que o setor dos transportes. Dessa porcentagem, boa parte corresponde ao gás metano, com um potencial de acumular calor 23 vezes maior que o CO2. O sistema digestivo dos ruminantes, especialmente do gado bovino, faz com que estes animais emitam metano através de arrotos e flatulências. Além disso, grandes extensões de florestas, sobretudo na América Latina, foram dizimadas para convertê-las em pastos ou produzir forragens para alimentar o gado. E o estrume produz óxido nitroso, com um potencial 296 vezes maior de aquecimento global que o CO2.
“Extensões cada vez maiores de terras são destinadas ao cultivo da soja, com a finalidade de utilizá-la como proteína para as rações, sobretudo na Argentina e no Brasil”, explica Miguel Ángel Soto, especialista em desmatamento do Greenpeace Espanha. “Em 2006, elaboramos um relatório no qual fizemos algumas observações às grandes empresas produtoras de soja e aos maiores importadores europeus, como o McDonald’s. Os frangos dos McNuggets se alimentavam com soja produzida em granjas situadas em áreas de desmatamento. Levamos os diretores da multinacional a esses locais para que o vissem”, explica Soto.
Como decorrência da viagem, a empresa se uniu a uma moratória sobre a compra de soja procedente de áreas de desmatamento recente, em cuja elaboração participou o Governo brasileiro. Segundo o Greenpeace, a intensidade do desmatamento flutua de acordo com os preços da carne e da soja. Quando o preço de ambos os produtos cai nos mercados internacionais, o ritmo do corte de árvores se reduz no ano seguinte.
“90% da soja produzida na América Latina é destinada à alimentação animal nos países ricos. Um filé que se come na Espanha, por exemplo, muito provavelmente terá vindo de um boi europeu alimentado com produtos brasileiros, plantados em terras onde antes havia árvores ou floresta”, explica Lasse Bruun, porta-voz da Compassion in World Farming, uma das ONGs que se somou à iniciativa de McCartney. “Uma mudança de comportamento nos consumidores seria muito importante”, opina Bruun, que também luta para que o tema seja incluído na Cúpula Mundial do Clima que acontecerá em dezembro próximo em Copenhague (Dinamarca). Mesmo que em seguida matize: “Obviamente, é um tema que se entrelaça com valores culturais, com o que se considera ser um bom nível de vida”.
A carne e o leite são símbolos de bem-estar. Os países em desenvolvimento não querem ficar de fora e começam a copiar os hábitos alimentares ocidentais. Na China e na Índia já se toma leite e se come carne bovina. Além disso, o consumo de carne no mundo será multiplicado por dois em meados deste século, segundo a FAO. Pelo lado da oferta, uma drástica redução do consumo seria também problemática: cerca de 1.3 milhão de pessoas subsistem graças ao setor pecuário.
Uma voz de peso apóia a campanha. Trata-se de Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática da ONU e Prêmio Nobel da Paz em 2007. Em uma conferência em Londres, em 2006, o cientista indiano explicou que “um granjeiro pode alimentar 30 pessoas durante um ano com um hectare de terra se produzir vegetais, frutas e cereais. Se a mesma área for utilizada para produzir ovos, leite ou carne, o número cai para entre cinco e 10 pessoas”. Mas a linha da FAO não é a de apoiar uma redução do consumo. Ao menos não como receita para todos os países. “Não é uma boa recomendação em escala global, porque os países pobres devem aumentar o consumo de carne em suas dietas”, defende Pierre Gerber, responsável pelas políticas pecuaristas do organismo.
Nos países ricos, entretanto, come-se muita carne. A Espanha não é uma exceção. Cerca de 120 quilos por ano, segundo a FAO, mais que qualquer outro país europeu. Desde os anos 1960, quando se tem os primeiro dados, o consumo não parou de crescer. “Até 1984, a dieta na Espanha seguia praticamente ao pé da letra os padrões da dieta mediterrânea, da qual estamos nos afastando progressivamente, porque ingerimos menos hidratos de carbono e mais proteínas, ou seja, menos legumes e pão e mais alimentos ricos em proteínas como a carne”, detalha José Manuel Ávila, da Sociedade Espanhola de Nutrição. “Deveríamos adaptar a nossa dieta ao nosso gasto de proteínas, comer de tudo um pouco menos e tratar de substituir parte das proteínas por hidratos de carbono”, aconselha Ávila, que acredita que uma campanha como a de McCartney na Espanha seria boa. “O consumo recomendado [de carne] é de oito vezes ao mês”. Ou seja, duas vezes por semana. “Mesmo que a carne, na sua exata medida, seja muito necessária”, matiza.
O Fórum Mundial de Pesquisa sobre o Câncer, situado no Reino Unido, recomenda limitar o consumo da carne vermelha, como o boi, o suíno ou a ovelha, e evitar por completo as carnes processadas – como o bacon ou o salame. Para reduzir o risco de ter câncer, o consumo não deveria ser superior a meio quilo por semana.
O impacto da pecuária sobre a mudança climática varia de acordo com os sistemas de produção, explica Gerber. Em um sistema extensivo, as emissões do gado são maiores, por quilo de proteína obtida, porque são necessárias mais cabeças de gado para produzir uma mesma quantidade de carne ou leite. Quando a produção é mais intensiva, estas diminuem. No último estágio da produção, uma nova intensificação volta a aumentar as emissões, porque o alimento percorre distâncias bem maiores – muitas vezes vem de áreas desmatadas – ou porque se consome mais energia na exploração.
A poluição não é igual para bovinos, suínos ou frangos. Segundo Gerber, “um quarto das emissões do setor são dos ruminantes, sobretudo dos bois”. “Para cada quilo de proteína de carne bovina, são produzidas entre três e quatro vezes mais gases de efeito estufa do que com a mesma quantidade de proteína de carne de frango, em países da OCDE”, precisa.
Tampouco todas as vacas são iguais quando o assunto é gases de efeito estufa. As vacas leiteiras expulsam o dobro de metano. E as que têm terneiros, ainda mais. “Entre 200 e 250 quilos por ano”, explica Frank Mitloehner, especialista em qualidade do ar do Departamento de Ciência Animal da Universidade da Califórnia. Ele e a sua equipe começaram a estudar o impacto da indústria bovina no ar e na mudança climática porque observaram que a qualidade do ar no lugar em que se encontra a sua Universidade, o Vale de São Joaquim, era das piores de todo os Estados Unidos. E esse mesmo Vale tem uma concentração enorme de fábricas de produção de leite. “Há vacas por todos os lados”, segundo o cientista. Exatamente: dois milhões de vacas leiteiras, a maior concentração do mundo. “Nos perguntamos se ambas as coisas [a presença de muitas vacas e a má qualidade do ar] poderiam estar relacionadas, e constatamos que sim, parcialmente”, relata Mitloehner. O estrume contém amoníaco que, combinado como os gases emitidos pelos carros, “dá lugar a pequenas partículas que poluem o ambiente”.
Mitloehner fechou várias dezenas de vacas em “biobolhas”, uma espécie de estufa de 40 metros de comprimento e 20 de largura, com repartições em que os animais se movem em grupos de 10. “Assim medimos as emissões”, explica. Neste projeto pioneiro, o pesquisador descobriu que “os arrotos das vacas representam mais da metade das emissões” de gases de efeito estufa. O resto provém do estrume.
Os dados do relatório da FAO, argumenta Mitloehner, exigem um matiz fundamental. “A FAO fala de que mundialmente o setor pecuário emite 18% de todos os gases de efeito estufa. Essa cifra, no entanto, esconde que as emissões relacionadas com a pecuária nos países ricos representam apenas 3% do total”. A razão é simples: nos países ricos há uma variedade maior de fontes de emissões, razão pela qual a importância relativa da pecuária é menor. “Em alguns países pobres, a pecuária representa até 60% de todos os gases deste tipo emitidos”.
Isto pode explicar porque na Espanha o setor pecuário representa apenas 3% do total de emissões, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente e Meio Rural e Marinho, mesmo que nos pastos e granjas haja mais de seis milhões de vacas. “A metade provém da fermentação intestinal, ou seja, dos arrotos e das flatulências das vacas, e a outra metade do estrume”, explica Carlos Escribano, diretor-geral de recursos agrícolas e de pecuária. O Ministério aprovou este ano o Plano Nacional de Biodigestão de Purinas, que inclui ajudas aos pecuaristas para diminuir a emissão de gases de efeito estufa. O orçamento é de 80 milhões de euros para os próximos quatro anos, que será administrado a meia pelo Ministério e as Comunidades Autônomas. O dinheiro será destinado ao transporte do estrume a instalações para a produção de biogás e adubo para a roça. “Para os produtores de gado, desfazer-se dos resíduos é um problema também econômico”, disse Escribano, “o que pretendemos é dar-lhes alternativas”.
“O plano se centra no estrume líquido, o das vacas leiteiras”, aponta Javier López, porta-voz da Associação Espanhola de Produtores de Gado de Corte. López defende que o sistema de produção bovina na Espanha é “muito diferente dos outros países europeus, e inclusive mundial”, o que implica em que as emissões sejam comparativamente menores. “A alimentação a base de grãos faz com que as vacas produzam menos metano e, além disso, na Espanha se consome carne de animais muito jovens. Os bichos são sacrificados quando completam entre 10 e 15 meses, e os estudos científicos dizem que o gado mais jovem produz menos metano”, destaca López.
Em todo o caso, a defesa dos produtores vai além dos dados. Opinam que “o tema está sendo exasperado”. Segundo López, “é ridículo pensar que comer menos carne vai resolver o problema da mudança climática. Tolhe-se as pessoas na sua alimentação, e depois não se questiona o modelo consumista de energia em que vivemos”. E arremata: “É certo que Paul McCartney não se coloca a questão da utilização do ar condicionado, ou das viagens de avião e de jet privado para o outro lado do mundo. Há muita demagogia”.
A cidade de Gante, na Bélgica, foi a primeira a aderir ao clube e declarou as terças-feiras “dia vegetariano”. Vários chefs no Reino Unido apoiaram o projeto de McCartney e criaram receitas vegetarianas para a página da campanha na internet. A receita desta semana é do próprio McCartney: “A salada de Paul para lamber os dedos”. Folhas de espinafre e rúcula, tomates cherry, abacate e queijo.
Para ler mais:
- Vegetarianismo: por que não comer carne?
- Conjuntura da Semana. Uma leitura das “Notícias do Dia” do IHU de 10 a 23 de junho de 2009
- O pecado da carne
- ‘Os ecocéticos devem ir embora do planeta’. Entrevista com Rajendra Pachauri
- A crise alimentar. Por um novo modelo de produção
- Mais uma razão para não comer carne
- Por uma ética do alimento. Sobriedade e Compaixão
- O Pantanal e a grande sombra do gado. Artigo de Washington Novaes
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=24197
terça-feira, 21 de julho de 2009
12º Intereclesial de CEB's em Porto Velho
Desde o primeiro Intereclesial, realizado na cidade de Vitória (ES) em 1975, as CEBs seguem nos trilhos das conversas e sugestões para uma nova ordem social, política e econômica. Representada por um trem, que traz em seus vagões as mais diferentes comunidades, as comunidades eclesiais de base de todo o Brasil, América Latina e Caribe, aportam na Capital de Rondônia transformadas em um grande barco que conduzirá o povo de Deus pelos rios/estradas que compõem a Amazônia.
Na Capital de Rondônia, o grande Porto será o Ginásio do SESI, um verdadeiro caldeirão cultural que estará fervilhando e com uma movimentação intensa.
Do Porto, os ‘Cebianos’ embarcam para o estudo pelos Rios da Amazônia, que serão as escolas. Para diversificar e intensificar as discussões os grupos ainda serão subdividos em Canoas, em número menor de participantes, mas com uma partilha profunda.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Última página de um livro que escrevemos juntos
Carta de Frei Pilato Pereira às Comunidades dos Assentamentos de Hulha Negra, Candiota e Aceguá, na sua saída da Comunidade Padre Josimo, da qual participou efetivamente desde 7 de fevereiro de 2006. Irmãos companheiros e irmãs companheiras na luta e na fé! Escrevo esta mensagem como sendo a última página de um livro que escrevemos juntos. Na certeza de que este não é nosso último livro. É apenas uma página concluída que abre outra e permite a continuidade da nossa história comum.
Depois de três anos e meio convivendo nestas terras, com este povo que aprendi a amar e respeitar preciso dizer adeus. Porque isto faz parte da vida. Dizer adeus não é esquecer, não é abandonar. Muito pelo contrario. Dizemos adeus no sentindo de levar, no coração, as pessoas das quais nos despedimos.
E eu quero me despedir pedindo perdão pelos erros e falhas que devo ter cometido. E também, quero agradecer pela paciência, bondade, a companhia e presença de cada um e cada uma ao longo deste tempo. Tenho certeza de que aprendi muito; muito mais do que pude ensinar. Mas não tive nunca a pretensão de ensinar. O que sempre tive foi o compromisso de ajudar a construir conhecimentos livres, libertários e libertadores.
Nas poucas obras que pude colaborar foi na Rádio Comunitária Terra Livre, especialmente no Jornal Aldeia Global. No espaço de Opinião não tive a pretensão de formar opinião, mas procurei me encorajar para manifestar o sentimento e o pensamento do povo desta terra que agora vive livre das garras do latifúndio. Meu objetivo sempre foi comunicar as palavras e as vozes que a história oficial havia silenciado.
Nas comunidades, não quis converter ninguém. Não era este meu objetivo, nem a razão de ser da minha missão. Procurei testemunhar a minha conversão cotidiana para me unir na caminhada espiritual do Povo de Deus e juntos darmos testemunho da fé libertadora. A fé que é capaz de mover as montanhas do egoísmo, da prepotência, da opressão, da violência e da injustiça cometidas contra a vida humana e da natureza. A fé que é capaz de romper cercas para semear vida nova e plantar na terra a bandeira da paz e da justiça.
Sei que fiz pouco ou quase nada, mas sigo meu caminho com a felicidade de ter passado por aqui, de ter conhecido todas estas pessoas que conheci. Sou feliz e agradeço a Deus por Ele ter me concedido a graça de viver num assentamento de Reforma Agrária, do MST. Antes eu já admirava muito o Movimento dos Sem Terra. Agora admiro muito mais e sei o quanto o MST foi e continua sendo importante para a vida de milhares de pessoas e famílias. Sei o quanto é grandioso o ato de erguer a bandeira do MST, sei o quanto vale a coragem de romper uma cerca. Vivendo nestas terras livres, meu coração é mais livre, minha mente é mais libertária e o meu caminho é a liberdade.
Aqui eu pude ver o quanto é digno uma família se juntar a tantas outras para viver embaixo de uma lona preta na beira de uma estrada, mostrando para o governo e a sociedade que a Reforma Agrária é importante, urgente e necessária. Compreendo com mais clareza e convicção o sagrado valor da Reforma Agrária defendida pelo MST neste país.
Acredito que em todos os lugares por onde passamos, devemos passar como passam as águas no leito de um rio. As águas nunca mais são as mesmas e o rio nunca mais é o mesmo. Rio e águas se transformam e transformam a vida. Sabemos que as estruturas são rígidas, mas quando os corações são guerreiros e valentes não há pedra dura que resista a persistência de gotas d’água. Bem como não há cercas que resistam a força do sonho dos pobres expresso na organização e na luta.
Só peço a Deus que nos ilumine na caminhada e que sustente nosso caminhar. E que nunca nos falte força e coragem, tão necessárias para viver a esperança e testemunhar a fé no Deus criador e defensor da Vida.
Sigo em frente com a certeza de que nossos caminhos vão se cruzar, porque temos sonhos em comum e lutamos no mesmo lado, na mesma trincheira que pleiteia o triunfo da revolução.
Com a bênção de Deus. Um abraço fraterno a todos e todas.
Frei Pilato Pereira
Hulha Negra, 15 de julho de 2009.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
12° Intereclesial de CEB'sem Porto Velho

A partir da próxima terça-feira (21/07) Porto Velho sedia um dos maiores eventos de sua história. Serão aproximadamente sete mil pessoas envolvidas com a realização do 12° Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, que acontece de 21 a 25 de julho.
Entre delegados e voluntários, a Capital de Rondônia terá cerca de sete mil pessoas comprometidas com a justiça social, a partir dos valores do Evangelho e principalmente na busca de concretização de ações objetivas em busca de um mundo melhor.
Representantes de Comunidades Eclesiais de Base de todo o país, da América Latina e do Caribe estarão discutindo temas atuais e que envolvem desde a consciência política, até a luta por melhores condições de vida para indígenas, ribeirinhos, quilombolas e camponeses e, sobretudo, o cuidado com a Biodiversidade do planeta.
O 12° Intereclesial aporta na Capital de Rondônia com o tema “CEBs, Ecologia e Missão” e o lema: “Do ventre da terra, o grito que vem da Amazônia”. Este será o campo norteador das discussões que têm como objetivo elaborar um documento que sintetize as necessidades e principalmente alternativas para resolver os problemas que mais afligem as populações da Amazônia, bem como de todo o país.
Além dos três mil delegados, o Intereclesial vai contar também com nomes de destaque na defesa dos interesses dos indígenas como a prêmio Nobel da Paz Rigoberta Menchu, da Guatemala; dos afrodescendentes, como Dom José Maria Pires, arcebispo emérito da Paraíba e árduo defensor dos direitos humanos e civis; do meio ambiente, como a senadora Marina Silva.
As Comunidades Eclesiais de Base se espalharam pelo Brasil no final da década de 60 e contribuíram decisivamente para a redemocratização devido à luta contra o regime opressor que se instalou no país após o Golpe de 64. Desde então, as CEBs têm sido um apoio aos anseios populares e uma voz forte e sempre presente no trabalho em defesa dos povos da floresta, dos ribeirinhos, dos índios, dos sem terras, dos negros, das mulheres e também do meio ambiente.
A reunião de todas as comunidades em Porto Velho vai mostrar a força da sociedade em busca de um país mais justo político, social e economicamente. A escolha da Amazônia para sediar o 12° Intereclesial vem justamente desta luta por ações efetivas pela preservação ambiental e dos direitos dos homens.
Como forma de conhecer a realidade local e principalmente interagir com os povos da Amazônia, o Intereclesial também vai proporcionar visitas a hospitais, presídios, centro de recuperação de dependentes químicos, povoados indígenas e comunidades ribeirinhas.
Outras informações sobre o 12° Intereclesial no site http://www.cebs12.org.br/
Carta de Santa Maria - Apoio à Feira de Economia Solidária

O Fórum Brasileiro de Economia Solidária, cumprindo seu papel histórico de construção da economia solidária, articulando os segmentos dos empreendimentos, assessorias e gestores/as públicos/as, vem a público prestar seu apoio e solidariedade aos organizadores e organizadoras da Feira de Santa Maria, que agrupa a 16ª Feira Estadual do Cooperativismo (FEICOOP), a 8ª Feira Nacional de Economia Solidária, a 9ª Mostra da Biodiversidade e Feira de Agricultura Familiar, e a 5ª Caminhada Ecumênica pela Paz.A Feira de Santa Maria tem sido a referência nacional e internacional no fortalecimento da economia solidária, que tem como base o trabalho coletivo com base na cooperação e na autogestão, os processos de formação fundamentados na educação popular. Uma economia pautada no desenvolvimento sustentável, no consumo responsável, no comércio justo, na democratização e acesso aos direitos humanos e na participação política e social cidadã.Para a realização anual da Feria de Santa Maria há um amplo envolvimento preparatório, contando com 60 comissões organizadoras, para receber caravanas de empreendimentos, de movimentos sociais, organizações da sociedade civil, visitantes nacionais e internacionais. Este encontro de comercialização e formação dinamiza positivamente a economia local e garantindo trabalho e renda para muitas pessoas. Neste sentido, manifestamos nosso repúdio à decisão da juíza Eloísa Helena Hernandez de Hernandez de proibir a realização da Feira de Santa Maria, haja visto que os organizadores já haviam deliberado e comunicado que o evento neste ano teria o caráter apenas nacional, em respeito a orientações do governo brasileiro dos riscos relacionados à Gripe Suína em eventos internacionais, e portanto não contaria com a presença de expositores nem visitantes de outros países.
O que causa maior indignação é que esta decisão da juíza dá tratamento desigual ao exigir o cancelamento da feira, mas ao mesmo tempo permitir a abertura de espaços e realização de outros eventos e atividades que também aglomeram pessoas, tais como: shopping centers, supermercados, cinemas, teatros, escolas, boates, clubes, festas, entre outros. Por que apenas a feira, se não está decretado estado de emergência na cidade? A Justiça deve primar pela igualdade de direitos. Nesta perspectiva, alertamos à população para o risco dessa postura arbitrária. Por exemplo, não há nenhum indício de cancelamento da Copa de Futebol Society nos dias 5, 12 e 19 de julho, no Planeta Bola, ou do jogo entre Riograndense e Painambi no dia 9 de julho (terceira fase da série B do Gauchão), ou dos jogos do Projeto Bom de Bola (promovidos pela rede RBS e Parati em espaço fechado, o ginásio Poliesportivo do Clube Recreativo Dores), nem de nenhum outro evento previsto e que promove a aglomeração de pessoas em lugares fechados na cidade.De acordo com informe oficial do Portal do Ministério da Saúde, desta quarta-feira (08/07/09), as ocorrências de casos humanos de infecção por Influenza A (H1N1) em São Paulo são de 444 casos confirmados e não está acontecendo cancelamentos de eventos no estado. Temos preocupação e o interesse de que essa doença respiratória não se torne em uma epidemia, mas fica nosso questionamento às autoridades: o que motiva realmente o cancelamento de uma Feira que historicamente promove a Economia Solidária, a construção de um novo modelo de desenvolvimento solidário e sustentável e é uma das maiores mobilizações sociais do MERCOSUL?
Afirmando nossa indignação diante do cancelamento da Feira, conclamamos a população de Santa Maria a fortalecer esta corrente a favor deste importante evento, que tem contribuído fortemente e concretamente para a construção de uma sociedade que valoriza as pessoas, a natureza e um desenvolvimento pautado na solidariedade e na sustentabilidade.A paz é fruto da justiça. A justiça é fruto da democracia. A democracia se baseia na cooperação, respeito e solidariedade. Por um mundo de paz, democracia e solidariedade!



