quinta-feira, 26 de março de 2009

Continuidade do Fórum Social Mundial 2009

Um grupo de participantes do Fórum Social Mundial, que ocorreu em Belém do Pará, no mês de janeiro de 2009, assumiu o compromisso de seguir mantendo contato e se encontrando para, além de cultivar as amizades, avaliar a caminhada de lutas por um "outro mundo possível" e também para compartilhar com outras pessoas a experiência do Fórum Social.

E quem acredita num "Outro Mundo Possível", urgente e necessário, onde a Paz e a Justiça andam de mãos dadas, também sente o compromisso de ser instrumento de Justiça e Paz. E quando se luta para que Justiça e a Paz andem de mãos dadas, é preciso seguir a luta de mãos dadas também. Para isso sempre é bom um reencontro que ajude a resgatar as raízes, revigorar e comungar os sonhos e fortalecer a esperança, as convicções.

Com estes objetivos um grupo de militantes socioambientais que participaram do Fórum Social Mundial 2009, em Belém do Pará, decidiu se reencontrar. E o primeiro reencontro aconteceu na Comunidade da Pedra Grande, no município de São Pedro do Sul. O evento, que ocorreu nos dias 21 e 22 de março, não foi apenas entre os participantes do Fórum, mas com massiva participação da comunidade local.

A programação foi a seguinte:

Manhã de Sábado, dia 21 de março: Recepção Altermundista

Tarde na Comunidade: Oficinas Temáticas com participação Popular

1) Ecologia e Espiritualidade – Responsável: Frei Pilato Pereira;

2) Construção de Cisternas e o Novo Modo de Viver – Responsável: Zeca da CPT;

3) A experiência da Agroindústria na Agricultura Familiar, com Perci

4) A Economia Popular Solidária, com Miriane

5) Cultura Guarani – Responsávei: Luciméia Gall Konig;

No final da tarde teve a celebração da Missa com a Comunidade, seguida de Noite cultural e jantar de confraternização, com apresentações da ONG Oca Brasil.

No Domingo, 22 de março, Dia Internacional da Água, o encontro seguiu com um roteiro turístico, cultural e histórico no município de São Pedro do Sul.

No local do encontro tem uma grande pedra com algumas inscrições indígenas que nunca foram traduzidas. E os participantes do reencontro saíram impressionados com a riqueza histórica e cultural que representam as inscrições indígenas na pedra que está preservada como sítio arqueológico. Para os militantes do Fórum Social Mundial as inscrições indígenas, até então indecifrável, poderão ser lidas por corações e mentes que tenham a humildade de interpretar o que há de sagrado nas letras e símbolos que os irmãos indígenas deixaram para ser lido com um olhar de respeito, reverência, amor e compromisso com a vida.

Para o grupo que foi até a Pedra Grande se reencontrar com os companheiros e companheiras, o Fórum Social Mundial não ficou nem terminou em Belém do Pará. O Fórum continua. E todos e todas fazem parte desta história revolucionária que se abre para um futuro de Justiça, Paz e Integridade da Vida. Um futuro que não apenas virá, mas já está sendo gestado. Esta é a convicção dos participantes do Fórum Social Mundial 2009, reunidos em São Pedro do Sul nos dias 21 e 22 de março.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Água é fonte de vida e não de lucro


O Dia Internacional da Água é celebrado em 22 de março e o ano de 2003 foi também instituído pela ONU como o Ano Internacional da Água. Isto é um reconhecimento oficial de que a água é um bem precioso para as nações e todos os povos da Terra. O dia 22 de março, bem como a semana da água, é um momento para se fazer alguma discussão sobre os diversos temas relacionados à água. Visto que a situação da água é bastante preocupante em todo o planeta, é preciso um momento de reflexão, análise, conscientização e busca de alternativas práticas para resolver os problemas que foram surgindo ao longo da história por causa de ações equivocadas do ser humano.


E se for falar dos problemas relacionados com a água, temos muito que denunciar. Por exemplo, hoje se tem informação de que cerca de 20% da humanidade não possui água para uma vida normal. E a previsão é de que em 2025, dois terços da população viverá em áreas onde as reservas de água serão limitadas. Temos um dado muito preocupante com relação à saúde. Estima-se que 80% das enfermidades no mundo são contraídas por causa da água poluída. E água poluída, além de causar doenças nas pessoas, também causa mal para toda a natureza, pois, cada metro cúbico de água poluída jogada num rio contamina entre 8 a 10 metros cúbicos de água limpa. Também sabemos que na América Latina e Caribe, os aquíferos estão sendo explorados de forma insustentável para fins domésticos, industriais e agrícolas. A água simplesmente está virando mercadoria.


Também é preocupante a forma de como as pessoas consomem a água no seu cotidiano. Um banho de ducha de alta pressão consome 135 litros de água em apenas 15 minutos, uma mangueira aberta por 30 minutos libera cerca de 560 litros e uma torneira aberta por 5 minutos permite a vazão de 80 litros de água. Percebemos que a água é vítima da degradação, do desperdício e do interesse econômico do mercado que quer se aproveitar do discurso da escassez para transformar a água em mercadoria. Temos que ter todo cuidado para com a preservação da água. Este precioso bem que a natureza nos oferece deve ser protegido hoje da ambição dos capitalistas que vêem a água como uma fonte de lucro para o mercado. Quando na verdade, a água é uma fonte de vida e dignidade para toda a humanidade.


Precisamos estar atentos quando se fala em crise da água, porque há nisso um tanto de realidade e outro tanto de ideologia. Também se deve ter atenção com o que está por traz de alguns discursos sobre a escassez, que é o interesse de transformar a água em mercadoria. Junto com o risco da privatização, também existe o real perigo da escassez. Mas a escassez de água vem da degradação e do desperdício. O problema é a forma de como nos relacionamos com a água.


Pensando bem, a água é uma questão de justiça e paz para a humanidade. É um bem comum, um direito de todos, é um dom de Deus para nutrir a vida. A água é o sangue da Terra, é uma questão de vida ou morte da humanidade e de todos os seres e formas de vida no Planeta.


Sabemos que a água não está igualitariamente distribuída em todas as partes do mundo. A natureza nos oferece água gratuitamente, mas requer um gerenciamento por parte do ser humano. E este gerenciamento da água, até passa por um processo econômico porque depende do trabalho, de investimentos de recursos, mas deve ocorrer na lógica da solidariedade e não na lógica do mercado, que em tudo visa o lucro.


A garantia universal do acesso à água depende da responsabilidade de todos e da solidariedade entre pessoas e povos. É uma vergonha e uma ofensa à nossa humanidade e racionalidade o fato de se fazer guerras por causa da água. Não podemos disputar a água, devemos sim nos solidarizar uns com os outros na garantia desta fonte de vida.


Concluo esta breve reflexão sobre a água com um refrão do Cântico do Irmão Sol, de São Francisco de Assis: “Louvado sejas, meu Senhor,/ Pela irmã Água,/ Que é muito útil e humilde/ E preciosa e casta.”

sábado, 14 de março de 2009

14 de março é o Dia Nacional da Poesia

Não por acaso, o Dia Nacional da Poesia, coincide com a data do nascimento do escritor Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871), um grande poeta brasileiro. Castro Alves foi o autor de importantíssimas obras, como o “Navio Negreiro” e “Espumas Flutuantes”. Sua poesia era movida pelo amor e pela luta por liberdade e justiça.

Já o dia 21 de março é comemorado em mais de cem países como o Dia da Poesia e é a data promulgada pela UNESCO para ser celebrada como Dia Mundial da Poesia.

Também temos a data de 20 de outubro em que é celebrado o Dia do Poeta e da Poetisa.

A palavra POESIA é herdada do grego: “poíesis”, “ação de fazer algo”, pelo latim: “poese”, + “-ia” que significa “criação”.

“Descobrir continentes é tão fácil como esbarrar com um elefante: Poeta é o que encontra uma moedinha perdida”
(Mario Quintana)

Acredito que todo dia é dia de poesia. Pois, em todos os lugares do mundo, a cada instante sempre tem alguém escrevendo algum verso, comunicando seu pensamento ou sentimento através da arte da poesia. E para celebrar o Dia Nacional da Poesia, compartilho com os leitores do blog Olhar Ecológico um pequeno verso.

Verso
Nesse pequeno verso
Eu confesso:
Gosto de ler e dizer
Ouvir e escrever
Algum verso
E poder ver o mundo
Do seu lado inverso
Compreender o adverso
Encontrar o diverso
E viver converso
Sem medo do perverso
Seguindo livre no universo.
(Pilato Pereira)

domingo, 8 de março de 2009

8 de Março: o clamor da Terra


Oito de março, o Dia Internacional da Mulher. E para celebrar esta data, poderíamos dar uma flor a, pelo menos uma mulher, porque mulheres se alegram com flores. Elas e todos nós vemos nas flores muita simbologia de vida e sentimentos. Uma flor para alegrar o coração de uma mãe, uma esposa, uma filha, uma companheira. Enfim, uma singela flor, com ternura e amor ou com qualquer outro sentimento verdadeiro e livre, já seria um grande gesto de reconhecimento do valor e do significado humano da Mulher. Mas, pode chegar o dia em que as flores não terão um palmo de terra livre e fértil para germinar sua semente e crescer com sua beleza. Pode ser que alguns homens (e algumas mulheres sem coração de mulher), um dia tenham preenchido todos os espaços da Terra com o progresso e o desenvolvimento. Pode ser que as plantas exóticas, que servem para fazer papel descartável, que geram lucro e riquezas de poucos, cheguem a invadir completamente os espaços de vida, ao ponto de as flores serem sufocadas e desaparecerem.

Mas, Deus se preveniu com a defesa da vida que criou. E depois que fez todas as coisas, Deus criou a mulher. Não para ser a última, mas para dar sentido e vida a tudo o que Ele fez. E as mulheres têm muito forte em si, como um distintivo próprio, o instinto de preservar a vida, sempre, de qualquer ameaça. E pensando assim, compreendemos os atos de muitas mulheres, sejam atos isolados ou coletivos. Compreendemos, por exemplo, porque as mulheres da Via Campesina reagiram com tamanha energia física e moral contra as plantações de eucaliptos no Rio Grande do Sul. Analisando o grande malefício político, social, econômico e ambiental que as monoculturas de árvores exóticas, como o eucalipto, podem nos causar, então compreendemos perfeitamente o valor da ação das mulheres em 8 de março de 2006 e outras ações posteriores. É compreensível que as mulheres coloquem suas próprias vidas em risco para defender a vida de hoje e o futuro da vida.

Mas, preservar a Terra não é um dever apenas das mulheres. Elas, com o sentimento materno, nos convocam com o seu testemunho a defender e preservar a vida. É preciso que todos nós correspondamos aos apelos que as mulheres vem fazendo nos últimos anos no sentido de articular as lutas em defesa da dignidade humana e a preservação ambiental. A partir de 2006, o Dia Internacional da Mulher tem um significado a mais. Esta data passou a convocar toda a sociedade, as mulheres e os filhos de mulher, a lutar pela vida do Planeta Terra. Interpreto que as mulheres, num gesto profético, a partir do 8 de março de 2006, exclamaram, colocaram pra fora o clamor da Terra. Era um clamor emudecido, sufocado pela violência do capital. Mas foi exclamado por vozes e mãos corajosas de mulheres camponesas. E agora este clamor não se calará jamais, porque a Terra quer viver.
Frei Pilato Pereira

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Três paixões governam minha vida

Assim escreveu Bertrand Russel, em: “The Autobiography”: “Três paixões, simples, mas irresistivelmente fortes, tem governado a minha vida: a ânsia de amar, a busca do conhecimento e uma insuportável compaixão pelo sofrimento da humanidade. Essas paixões, como fortes ventos, têm me impelido de um lado para o outro, num caminho caprichoso, por sobre um profundo oceano de angústias, que chega à beira do desespero./ Procurei o amor, primeiro, porque ele trás êxtase – êxtase tão imenso que eu ofereceria todo o resto da minha vida em troca de umas poucas horas desse prazer. Eu o procurei, também, porque ele ameniza a solidão – aquela terrível solidão na qual uma consciência em pedaços se paralisa nas franjas do mundo num insondável abismo frio e sem vida. Eu o busquei, finalmente, porque na união do amor eu vislumbrei, em mística miniatura, a suposta visão do paraíso que santos e poetas imaginaram. Isto foi o que procurei, e embora possa parecer demasiado bom para a vida humana, foi o que – finalmente – eu encontrei./ Com a mesma intensidade busquei o conhecimento. Desejei entender os corações dos homens. Eu quis saber por que as estrelas brilham. E tentei apreender o poder pitagórico que faz com que um número flutue por sobre o fluxo. Um pouco disso, não muito, eu consegui. Amor e conhecimento, tanto quanto foi possível, elevaram-me em direção ao paraíso./ Mas a compaixão sempre me trouxe de volta à Terra. Ecos de gritos e de dor reverberam no meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desassistidos como um odioso fardo para seus filhos, e o mundo inteiro de solidão, miséria e sofrimento, fazem um arremedo do que a vida humana deveria ser. Eu desejo minorar o mal, mas não posso, e sofro também. Esta tem sido a minha vida. Eu a entendo como uma vida digna, e prazerosamente a viveria outra vez se uma oportunidade me fosse dada” (www.polemikos.com).

As palavras de Bertrand Russel nos dizem muito a respeito da nossa própria vida. O ser humano, ao natural, tem suas paixões, variando de pessoa para pessoa, umas mais e outras menos acentuadas. Estas três paixões, que Russel fala de sua vida, talvez sejam para todo/as. Podemos dizer que a ânsia de amar, a busca do conhecimento e a compaixão, são sentimentos normais em todas as pessoas. É difícil encontrar alguém que não tenha vivenciado essas três paixões. São sentimentos profundamente humanos e tão presentes na vida humana que podemos afirmar que foi Deus que os semeou no coração das pessoas.

E até onde posso falar sobre amor e conhecimento, sei que estes dons ou paixões ou dimensões da vida humana – como se pode dizer – possibilitam experiências de elevação e de êxtase imenso, como diz Russel. Então, poderíamos afirmar que o amor e o conhecimento nos dão uma amostra grátis do paraíso. E, na lógica da história de Bertrand Russel, a compaixão pela dor e o sofrimento humano, ao contrário, nos aproximam da terra, da realidade e da nossa pequenez.

Quem faz a experiência de saciar a ânsia de amar e a conquista do conhecimento, talvez possa esquecer que ao redor da Terra existem situações de sofrimentos e dores que devem ser transformadas. A própria espiritualidade pode acalentar nossas dores individuais e nos tornar pessoas tranquilizadas, sem indignação diante das injustiças que os outros sofrem. Com Jesus e seus discípulos aconteceu um momento de êxtase espiritual em que presenciaram a glória de Deus. Mas quando os discípulos queriam armar três tendas e permanecer na montanha, Jesus exigiu que descessem para continuar a missão (cf. Lc 9,28-36). Seja a espiritualidade, o amor ou o conhecimento, quando alcançados numa experiência de profundo prazer e bem estar, como Deus quer para todos, é preciso voltar ao chão da vida porque ainda há muita gente que não alcançou a dignidade perdida ou roubada.

E a compaixão nos faz sentir a dor do outro como própria. E quando lutamos para transformar as realidades de sofrimentos, dores e angustias, também sofremos e nos angustiamos por não ver a transformação sonhada. Parece que a compaixão faz duplicar a dor. Sofremos por ver o sofrimento de outrem e por nos sentirmos impotentes diante de tamanha realidade a ser transformada. A compaixão nos apresenta sempre mais e novos desafios. Cada luta traz outras lutas e cada desafio traz outros desafios. Parece mesmo que é para nunca parar, nunca deixar de lutar. Enquanto existir um ser humano sem dignidade, a nossa dignidade humana, de toda a humanidade não está completa. E numa visão ecológica, enquanto a vida – qualquer forma de vida – estiver ameaçada ou em degradação, é a integridade da vida – de toda a Vida – que está ameaçada.

Bertrand Russel falou de amor e conhecimento e acrescemos a espiritualidade, mas podemos considerar toda e qualquer forma de prazer e alegria como fontes de energia e vitalidade para fortalecer a compaixão, como um sentimento que através do qual podemos ajudar a resgatar nossa humanidade. É o exercício da compaixão, da solidariedade que faz as pessoas a se sentirem humanas e capazes de valorizar as coisas boas que com elas sucedem. Com disse Che Guevara, “Se você treme de indignação perante qualquer injustiça cometida contra qualquer ser humano em qualquer parte do mundo, então somos companheiros”. Quer dizer que se você é capaz de assumir a causa do outro que sofre, então somos irmãos, somos humanos. Esta é a prova de humanidade.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Livros resgatam a trajetória de Irmão Antônio Cechin

Na terça-feira de carnaval, dia 24 de fevereiro, por ocasião da 32ª Romaria da Terra do Rio Grande do Sul, em Sapucaia do Sul, a ESTEF (Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana) e o Instituto Cultural Padre Josimo lançam dois livros em torno do pioneiro da Romaria e dos movimentos sociais e pastorais do RS, Irmão Antônio Cechin, que celebrou 80 anos em maio de 2007.

"O Irmão dos Pobres", por Frei Pilato Pereira
"Memória para o Futuro", por Frei Luiz Carlos Susin

O primeiro livro, de caráter mais popular, é uma narrativa biográfica: O Irmão dos Pobres. O autor, Frei Pilato Pereira, viveu na ocupação urbana, conquistada em Canoas nos anos oitenta com a decisiva liderança de Ir. Antônio Cechin. Antes disso, porém, o livro aborda a pedagogia de “empoderamento” popular criada por Ir. Antônio e a consequente perseguição sofrida nos anos de chumbo da política brasileira. E depois, alarga a narrativa para o surgimento das comunidades de base, CEB’s, para os inícios da reciclagem de lixo em Porto Alegre, as romarias da terra e das águas, o apoio aos sem terra, aos indígenas e às mulheres pobres. Trata-se de uma narrativa despojada, que deixa transparecer os acontecimentos em sua limpidez e nobreza.


O segundo livro, Memória para o Futuro, organizado pelo professor da PUC-RS e secretário executivo do Fórum Mundial de Teologia e Libertação e pastoralista na Vila Maria da Conceição há 26 anos, Frei Luiz Carlos Susin, reune articulistas envolvidos nas diferentes frentes de movimentos e lutas populares que ganharam alma com a atuação de Ir. Antônio Cechin, revelando o quanto o Rio Grande do Sul foi berço de movimentos sociais e pastorais expandidos pelo Brasil. Trata-se de um conjunto de autores que refletem o passado e o presente desses movimentos sociais em vista de contribuição futura. O lançamento está previsto para o "Momento Cultural" da Romaria da Terra, logo após o meio-dia, no Pesqueiro, junto ao Rio dos Sinos, em Sapucaia. Haverá venda de livros e autógrafos no local.


As duas obras são editadas pela Editora da ESTEF (Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana), de Porto Alegre. E o projeto é uma iniciativa do Instituto Cultural Padre Josimo


Para a 32ª Romaria da Terra também está previsto o lançamento da 2ª Edição do Livro “As Romarias da Terra no Rio Grande do Sul”, por Frei Wilson Dallagnol.


Romaria da Terra

DIA: 24 DE FEVEREIRO DE 2009 - TERÇA-FEIRA

Local: No Pesqueiro junto ao Rio do Sinos, no Bairro Carioca, Município de Sapucaia do Sul

Entrada pela BR 116 para o lado oposto à cidade

Horário: 8h

Lançamento e Sessão de autógrafos

Local: No Pesqueiro junto ao Rio dos Sinos, no Bairro Carioca, Município de Sapucaia do Sul

Entrada pela BR 116 para o lado oposto à cidade

Horário: 13h

Contato direto

Frei Luiz Carlos Susin

(51) 9974-2391

Fonte: Rubens Melo – Jornalista


Romaria da Terra e a questão das águas


ROMARIA DA TERRA CHAMA PARA DISCUSSÃO DA QUESTÃO DAS ÁGUAS

O grito de socorro que saiu do Rio dos Sinos, tão covardemente atingido pelo crime ambiental ocorrido há dois anos, motivou a Igreja do RS a sediar a 32ª Romaria da Terra, com o tema “Água: sangue da Terra”, na próxima terça-feira de Carnaval, dia 24 de fevereiro de 2009.


Os organizadores do evento, a Comissão Pastoral da Terra – CPT/RS, o Vicariato Episcopal de Canoas e a CNBB Sul 3 preveem a participação de mais de 15 mil romeiros e romeiras. O local escolhido é às margens do Rio dos Sinos, no Parque Pesqueiro, em Sapucaia do Sul, local onde foram encontrados mortos mais de cem mil toneladas de peixes, em outubro de 2006.


Além da reflexão sobre a questão das águas, a romaria será palco de denúncia sobre a criminalização dos movimentos sociais e o fechamento das escolas etinerantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.


A programação prevê a partir das 7h a recepção e acolhida dos romeiros na Igreja Sagrada Família, bairro Colonial. Às 08h30min haverá as falas das autoridades locais e Dom Dadeus Grings da Arquidiocese de Porto Alegre fará a abertura. Após a encenação da criação do mundo, às 9h inicia a caminhada de 2 km até o Pesqueiro, no Bairro Carioca. Durante o trajeto haverá quatro cenários, trazendo presente a questão do meio ambiente. Após a chegada ao local continuará a celebração com a pregação de Dom José Mário Stroeher com a reflexão do tema. O almoço será partilhado entre os participantes. Às 13 h na continuidade, é o espaço para o momento de caráter cultural com apresentações musicais de vários artistas e de falas de autoridades, dos Movimentos Populares e Entidades. Às 15h30min será o espaço para a Benção do Envio e o encerramento às 16 h.


Os movimentos populares e entidades terão espaço para divulgação e exposição de seus materiais.


A Romaria da Terra no Rio Grande do Sul, com sua tradição histórica, é o lugar e o tempo por excelência, de denúncia dos desmandos por que passam os empobrecidos do campo e da cidade, quando criminalizados e tão esquecidos em seus direitos na busca de uma nova vida, mas, é também lugar para ouvir os “Sinos” soarem pelo anúncio da celebração de fé e de esperança dos cristãos desta Terra.


Telefones para contato:

(51) 98756345 – Terezinha Ruzzarin

(51) 99911668 – Wilson Dallagnol

Porto Alegre, 18 de fevereiro de 2009.

Comissão Pastoral da Terra – CPT/RS

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Por que Yeda acabou com a Escola Itinerante?

Se me perguntarem quantos prêmios a governadora do Estado recebeu pelo seu trabalho em favor da Educação, sinceramente, não saberia responder. Parece-me que ela, a Yeda Crusius, nunca fez nada de bom para a Educação ao ponto de ser premiada. Mas, quanto ao MST, a resposta é diferente. O Movimento dos Sem Terra, o MST, já recebeu vários prêmios por seu bom trabalho realizado na área de Educação. Vamos lembrar de, pelo menos, dois. Em novembro de 1999 o MST recebeu o Prêmio Itaú-Unicef “Por uma Educação Básica no Campo” e em 1995 recebeu o prêmio “Por uma Escola de Qualidade no Campo”. O MST, um movimento social que muito fez pela educação, acabou entrando em disputa pela questão da educação com uma governadora que nada de bom realizou nesta área. E, com o apoio de uma parcela do Ministério Público, a governadora Yeda venceu a batalha. E os perdedores, nesta batalha, são crianças, cujos pais não tiveram acesso a terra. E agora o poder público nega para seus filhos o direito à educação.


Em se tratando de educação, é inacreditável que uma governadora como esta tenha vencido o MST. Não podemos comparar a importância do MST para a educação com a tranqueira que esta governadora representou para a educação no Rio Grande do Sul. Se andássemos pelos assentamentos perguntando quem aprendeu a ler e a escrever na Escola Itinerante do MST, com certeza encontraríamos milhares de jovens e adultos confirmando com orgulho que foram alfabetizadas numa escola coberta de lona.


A governadora e o Ministério Público deveriam agradecer ao Movimento Sem Terra por tantos milhares de pessoas alfabetizadas na Escola Itinerante. Pessoas que não apenas aprenderam a ler e a escrever, mas descobriram que poderiam reescrever suas histórias e redesenhar a sociedade. São pessoas que aprenderam a ler muito mais que o alfabeto, e sabem compreender a realidade e o que dela deve ser transformado. Os estudantes da Escola Itinerante tiveram aulas de cidadania e não receberam apenas um certificado escolar, mas reconquistaram o título de cidadão consciente, livre e transformador.


É lamentável que o poder público, por pura truculência e perseguição ideológica, tenha acabado com a Escola Itinerante. E o que é pior, isto aconteceu como parte das ações da melancólica ideia de banir o Movimento dos Sem Terra, defendida por um grupo radicalmente ideológico de promotores e procuradores de Justiça do Estado e o governo da Yeda Crusius do PSDB. Impressionante como que um governo tão manchado pela falta de ética e moralmente destruído, se atreve a tomar uma atitude profundamente impopular como esta de acabar com a Escola Itinerante. Então, fica o questionamento. Por que um governo que não se aguenta a si próprio no lamaçal da corrupção, ainda segue com ações antidemocráticas e com um caráter declaradamente ideológico? Entendemos que este governo não veio para edificar, mas para destruir o que já foi feito como conquista popular.


Ao acabar com a Escola Itinerante, Yeda mostra para que veio. Ela proibiu a educação nos acampamentos do MST porque a “missão” do seu governo é ser uma tranqueira para os movimentos sociais e populares e para o progresso humano e social. Querem enfraquecer a organização do povo, criminalizar as instituições que garantem a vigência da Democracia em nosso Estado. Fechar a Escola Itinerante, vergonhosamente, faz parte da estratégia antidemocrática de criminalizar e até banir o MST no Rio Grande do Sul. Uma atitude dessas, após mais de duas décadas do fim da ditadura militar, nos indica que o governo Yeda e esta parcela do Ministério Público que está com ela, ainda estão com a cabeça, a alma e o coração empedrados com as ideologias da tirania militar que governou o Brasil a partir de 1964 até a poucos anos.

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